Bebês

Mães com hepatite não devem amamentar, diz infectologista

Especialista defende que nem sempre é seguro o aleitamento materno em casos de hepatite B e C

Redação Pais&Filhos

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Hepatite é toda e qualquer inflamação do fígado que pode resultar em desde uma alteração laboratorial, sem ou com poucos sintomas, até doença crônica, fulminante e fatal.  Existem várias causas de hepatite, os cinco principais tipos (A, B, C, D e E) são causados por vírus que podem passar de uma pessoa para outra. A hepatite B é uma doença transmitida pela troca de secreções, como o leite materno, ou durante o sexo (é uma DST). E, assim como a hepatite C, pode ser também transmitida pelo sangue. 

Muitos especialistas dizem que os bebês podem amamentar caso a mãe seja portadora de Hepatite B e C. mas não é isso que a médica infectologista, Ivelise Giarolla, mãe da Marina e da Lorena, recomenda. Segundo a médica, a Hepatite B é transmitida pelo leite e que, mesmo com a criança vacinada, considera muito arriscado. Nos casos de hepatite C, não existem provas de que o vírus é transmitido pelo leite, o que se fala é sobre a transmissão pelo sangue, por isso os especialistas dizem que as mulheres podem amamentar, desde que não tenham fissuram e sangramento durante o aleitamento. “Como garantir que não haverá fissura? Acontece com muitas mulheres, comigo mesmo aconteceu nas duas vezes que amamentei”, diz a médica. 

As mães que têm a doença têm o tratamento interrompido durante a gestação para não prejudicar a saúde do feto. No parto, por causa do sangramento menor, a cesariana é a mais recomendada nos casos de hepatite para evitar a transmissão. Mas, essa recomendação, é somente para os tipos B e C. 

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Leia também: Quando você realmente não pode amamentar 

Os tipos de hepatites 

Em nosso país, as hepatites virais mais comuns são causadas pelos vírus A, B e C.  Existem, ainda, os vírus D e E, esse último mais frequente na África e na Ásia. Acredita-se que no Brasil milhões de pessoas são portadoras dos vírus B ou C e não sabem. Elas correm o risco de as doenças evoluírem (tornarem-se crônicas) e causarem danos mais graves ao fígado como cirrose e câncer. Por isso, é importante ir ao médico regularmente e fazer os exames de rotina que detectam a hepatite. Pela sua importância, a detecção da hepatite por testes é disponibilizada pelo Ministério da Saúde desde agosto de 2011 no Sistema único de Saúde (SUS). 

Formas de contágio

De acordo com a médica infectologista, Ivelise Giarolla, mãe da Marina e da Lorena, as formas de contato são:

  • Contágio fecal-oral: condições precárias de saneamento básico e água, de higiene pessoale dos alimentos (vírus A e E);
  • Transmissão sanguínea: praticou sexo desprotegido, compartilhou seringas, agulhas,lâminas de barbear, alicates de unha e outros objetos que furam ou cortam (vírus B, C e D);
  • Transmissão sanguínea: da mãe para o filho durante a gravidez, o parto e a amamentação (vírus B, C e D).

É possível (e simples!) se prevenir

As hepatites A e B podem ser prevenidas pelo uso da vacina, mas apenas a do tipo B está incluída na caderneta do Ministério Público, ou seja, somente ela é gratuita. A primeira dose da Hepatite B é feita obrigatoriamente já na maternidade, ao nascimento do bebê. Ela é uma das primeiras picadinhas que o bebê recebe ao longo da vida, sendo necessárias duas vacinas de reforço (com 1 e 6 meses de vida). 

No caso da Hepatite A é importante o uso de água tratada ou fervida, além de seguir recomendações quanto à proibição de banhos em locais com água contaminada e o uso de desinfetantes em piscinas. Tudo isso pode ajudar a prevenir o contágio. A partir deste ano, a vacina contra hepatite B também está sendo oferecida para pessoas com até 49 anos. A medida beneficia um público-alvo de 150 milhões de pessoas – 75,6% da população total do Brasil. No ano passado, a idade limite para vacinação gratuita era até 29 anos.  Em 2012, mais de 15,7 milhões de pessoas foram protegidas contra a hepatite B. Após três doses, mais de 90% dos adultos jovens e mais de 95% das crianças e adolescentes desenvolvem respostas adequadas de anticorpos. Com a ampliação da faixa-etária, o Ministério da Saúde reforça a importância da vacinação de adultos,  como forma de melhorar a condição de saúde da população brasileira.

Os vírus da doença dos tipos B e C também são prevenidos com o uso de preservativos nas relações sexuais ou na proteção ao ter contato com sangue ou secreções de pessoas contaminadas, já que podem ser transmitidas em transfusões de sangue, em agulhas e seringas compartilhadas. As pessoas que trabalham na área de saúde (médicos, enfermeiros) devem usar luvas, óculos de proteção e máscara sempre que houver possibilidade de contato (ou respingos) de sangue ou secreções contaminadas com vírus da hepatite B ou C com mucosas ou com lesões de pele.

O teste

A médica lembra que no caso das hepatites B e C é preciso um intervalo de 60 dias para que os anticorpos seja detectados no exame de sangue. A evolução das hepatites varia conforme o tipo de vírus. Os vírus A e E apresentam apenas formas agudas de hepatite (não possuindo potencial para formas crônicas). Isto quer dizer que, após uma hepatite A ou E, o indivíduo pode se recuperar completamente, eliminando o vírus de seu organismo. Por outro lado, as hepatites causadas pelos vírus B, C e D podem apresentar tanto formas agudas, quanto crônicas de infecção, quando a doença persiste no organismo por mais de seis meses”, explica Ivelise. 

Essa doença é tratável? 

O tratamento para hepatite A consiste inicialmente em repouso, hidratação, boa alimentação e não tomar nenhum outro remédio durante os dias que durarem a infecção, que são por volta de 4 a 5 semanas, a não ser que ele seja recomendado pelo médico.

Existem medicações para Hepatite B e C desde que a doença seja descoberta em uma fase não avançada, porem não há garantias da cura. O Sistema Único de Saúde oferta tratamento para a doença. Desde o início do ano, o Ministério da Saúde passou a disponibilizar no SUS dois novos medicamentos contra hepatite C, o Telaprevir e o Boceprevir. Os medicamentos são recomendados aos portadores de cirrose e fibrose avançada, grupos de maior risco de progressão da doença e de morte. Os novos medicamentos fazem parte da classe de inibidores de protease, considerados mais modernos e eficazes para combater a doença em todo o mundo. O telaprevir e o boceprevir têm uma taxa de eficácia de 80% − o dobro do sucesso obtido com a estratégia convencional utilizada atualmente, que associa dois medicamentos, o Interferon Peguilato (injetável) e a Ribavirina (via oral), cujo tratamento tem duração de 48 a 72 semanas. Os novos medicamentos são administrados oralmente, e têm duração de até 48 semanas.

Campanha

Em todo o mundo existem 325 milhões de pessoas portadoras crônicos da hepatite B e 170 milhões da hepatite C, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, a estimativa é de que existam 800 mil infectadas pelo vírus B e 1,5 milhão de pessoas infectadas pela hepatite C. O perigoso da hepatite é que ela é uma doença silenciosa. Da infecção até a fase da cirrose hepática, pode haver um intervalo de 20 a 30 anos, em média, sem nenhum sintoma.

Com o Slogan: “Hepatites Virais: sem perceber, você pode ter”, a campanha do Ministério da Saúde foi lançada  em veiculação nacional. A campanha é composta por filme e cartazes para públicos específicos, além de peças para as redes sociais. Os cartazes são destinados às gestantes, aos jovens e aos adultos e alerta sobre a importância do teste e da vacina para a hepatite B. Também faz parte da campanha anúncios dirigidos aos profissionais de saúde sobre a ampliação da faixa etária da vacina e sobre a recomendação dos testes para hepatites B e C.Procure um centro de saúde mais próximo e faça o exame.

A médica infectologista Ivelise lembra que, como a maioria das hepatites virais acontecem silenciosamente, com sintomas somente em fase tardia da doença, a pessoa deve solicitar ao seu medico o exame de sorologia rotineiramente. Muitos casos são detectados ao se doar sangue, ocasião que o exame é realizado, sem a pessoa imaginar que é portadora do virus. Existem centros especializado em tratamento de DST/AIDS que oferecem o teste gratuitamente. Em São Paulo há, entre outros, o Centro de Referencia e Treinamento DST/AIDS, na Vila Mariana. 

Consultoria: Ivelise Giarolla, médica infectologista.