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Vença a maior prova olímpica: ser mãe

Medalhistas contam como o que aprenderam com esporte torna mais fácil a rotina

Redação Pais&Filhos

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Por Heather Cabot, da Parents / Tradução e adaptação por Marianna Perri, filha de Rita e José

Quando você era criança, seus pais podiam insistir para que você praticasse algum esporte. Natação, futebol, balé, não importa: mesmo que você não se tornasse uma atleta olímpica, o importante era aprender a trabalhar em equipe, ter disciplina e persistência.

Durante a juventude, você podia não perceber, mas as lições dos jogos podem se encaixar perfeitamente na sua rotina: objetivos a alcançar, cabeça fria para lidar com os momentos difíceis, planejar metas e adaptar táticas a diferentes situações.

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A nossa parceira Parents conversou com a medalhista de ouro Alexandra Powe Allred, mãe de três crianças e integrante do time feminino de bobsled (um tipo de corrida de trenós), para unir dicas de mães atletas e passá-las para as mães normais que vivem uma rotina de esportista de elite com os filhos dentro de casa.

1. Cuide de você primeiro

Você correria 40 km com o estômago vazio, desidratada e usando chinelos? É uma ideia maluca, não é? Ainda assim, na corrida para cuidar de todos dentro de casa, muitas mães tentam ser maratonistas sem se preocupar com suas próprias necessidades básicas. Os atletas valorizam a própria saúde, procuram descansar e estar mentalmente preparados para aceitar os desafios.

“Sempre me lembro daquela orientação dos voos que diz para colocarmos primeiro a máscara de oxigênio em nós mesmos antes de ajudar as crianças”, diz Lucienne Papon, mãe de dois meninos que compete pelo time de hóquei Lady Kings, de Los Angeles. “Se esqueço de tomar café da manhã, fico mais irritada com meus filhos, menos paciente e com menos disposição para brincar. Se você não se cuidar e não se permitir um tempo para beber uma taça de vinho, um final de semana de folga, uma noite só com o seu marido, ou uma hora para fazer exercícios, então você não dará o melhor para os seus filhos”.

Para estar disposta sempre, a patinadora e medalhista de ouro Kristi Yamaguchi toma chá verde antioxidante quando viaja ou leva as duas filhas para as várias atividades do dia a dia. A jogadora da WNBA Jia Perkins, do time San Antonio Silver Star, tira um cochilo de meia-hora a uma hora todos os dias à tarde. Ela não se sente culpada, pois sabe que seu corpo precisa de um descanso extra.

2. Um passo de cada vez

Atletas estão sempre analisando sua performance sem se pressionar demais e fazendo pequenas mudanças técnicas. A presidente da Fundação de Esportes para Mulheres e campeã de boxe Laila Ali aprendeu a adaptar suas táticas a cada novo oponente. “Consegui me tornar uma aprendiz do jogo, e passei a me analisar constantemente, filmando meus combates, vendo no que poderia melhorar”, diz. Ela usa uma tática semelhante para se adaptar aos filhos, aos horários, novos estágios do desenvolvimento deles e mudanças de humor. “Quando o assunto é disciplina, o que funciona hoje pode não dar certo daqui a três meses. Tenho de me adaptar à maternidade, já que meus filhos me testam constantemente enquanto crescem e se tornam mais independentes”.

As mães podem se beneficiar do processo de transformar objetivos em pequenas etapas e reavaliá-las, conta a psicóloga Kate Hays. Se você focar nos objetivos globais, como “quero que minha família se alimente melhor”, é fácil ficar sobrecarregada e se sentir frustrada quando eles não acontecerem no período previsto. Em vez disso, tente identificar as pequenas etapas específicas que você pode alcançar imediatamente. “Para ajudar seus filhos a comerem mais vegetais, pense no que você pode comprar no mercado esta tarde”, conta Hays.

De tempos em tempos, pequenas vitórias colocarão você mais perto do objetivo inicial e também darão a confiança que você precisa para seguir em frente, acrescenta a terapeuta familiar Jenn Berman. Ela sabe a importância de estabelecer objetivos em primeiro lugar: ela é mãe de gêmeas de cinco anos e participava do time nacional de Ginástica Rítmica.

3. Não pense demais

Mesmo que planejar seja bom, atletas também praticam o desapego, se preocupando apenas com o que está acontecendo agora. Eles geralmente ficam em um estado mental tranquilo, que permita que eles atuem em um nível superior. Uma maneira de conseguir isso é não pensar demais, diz o psicólogo Gregg M. Steinberg, autor do livro Full Thottle. Faça como os nadadores, que se concentram em cada batida do coração, enquanto acalmam a mente para responder adequadamente ao o que está prestes a acontecer e realmente viver a experiência da competição. Para mães ocupadas, isso significa estar completamente engajada nestes momentos deliciosos com o filho – seja brincando, conversando ou tirando um cochilo – em vez de se preocupar com a pilha de roupa suja ou com o e-mail que ainda não foi respondido enquanto está com as crianças.

A esquiadora Sarah Schleper utiliza esta técnica quando está nas pistas, ou em casa com sua filha de 3 anos. “Para mim, é um dia por vez, um minuto de cada vez”, explica a quatro vezes campeã olímpica. “Em vez de pensar no objetivo geral, foco no que posso fazer naquele momento”. Quando a adrenalina dela está no limite, ela canta “Que será, que será” na cabeça. Ela também afasta imediatamente qualquer pensamento negativo que surgir na cabeça durante nestas situações.

4. Escute o seu técnico interior

Atletas profissionais contam com um time de especialistas para ajudá-los, mas, no fim do dia, a motivação vem da sua própria capacidade de seguir em frente. “Quando as coisas ficam difíceis, não importa o que aconteça na vida, tenho esta vozinha na minha cabeça me dizendo para continuar: você consegue fazer isso”, diz Ali, que recentemente se apoiou nesta voz para enfrentar as noites sem sono para cuidar de sua filha, Sydney.

A jogadora de softbol pela seleção dos Estados Unidos Jessica Mendonza, medalha de ouro nas Olimpíadas e mãe de uma criança de 3 anos, sabe que mesmo os melhores jogadores não acertam o tempo todo. Ainda assim, erros são frustrantes, ainda mais na frente de uma plateia. Quando isso acontece, ela respira fundo. A técnica é usada também em casa para evitar que ela perca o controle enquanto o filho chora e ela não consegue descobrir o motivo. “Tento ver por quanto tempo consigo segurar minha respiração e sinto meu corpo todo relaxar. Acho que meu filho percebe isso”, diz.

Sabe-se que o resultado de qualquer esporte depende 90% do estado mental do jogador. Ninguém recebe medalhas por ser mãe, mas atingir o objetivo inicial depende de muitos fatores. Ver-se como uma atleta pode ajudá-la a se lembrar de que você está em busca de um objetivo bem maior: ser a melhor mãe que você pode ser.

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