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O Natal das novas famílias

Pais separados, meios irmãos, madrastas e padrastos... A configuração familiar hoje é outra e a organização para as festas de final de ano também

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

É Natal com um, Ano Novo com outro – e com o filho do namorado da mãe, o irmão que é filho do pai com outra mulher e assim vai. Os modelos de novas famílias são diversos, e em todos se espera a mesma coisa dessa época do ano: amor e harmonia. Como juntar todo mundo e conseguir esse clima gostoso de Natal? Conversamos com duas mães, uma psicóloga e uma consultora de etiqueta. E descobrimos que não existe segredo. Basta bom senso. 

Vá devagar e progressivamente

A psicóloga Melina Garcia tem dois filhos, Giulia, de 5 anos, e Enzo, de 3. Ela conta que, logo após a separação, o marido ficava com as crianças por curtos períodos de tempo, que iam aumentando pouco a pouco, até eles estarem prontos pra ficarem longe da mãe por um fim de semana todo. Essa mesma lógica, de dar a chance de os pequenos se acostumarem às mudanças, pode e deve ser usada nas noites de festa de fim de ano. Se eles estão acostumados a passar Natal sempre na casa da avó materna, por exemplo, e nesse ano, por conta da separação, pela primeira vez vão passar com o pai em outro lugar, uma boa saída é fazer essa mudança de maneira gradual. Fica o começo da noite na casa da avó materna, depois passa o resto da noite com o pai. Isso tudo com muita conversa, sempre. É o que defende a psicóloga infantil Larissa Furlani, mãe de Sofia, que se separou do marido quando a filha tinha 7 meses: “As crianças têm uma capacidade de entender o que lhes é dito muito maior do que imaginamos, e esse tipo de conversa a deixará segura para viver dias diferentes dos que está habituada”.

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Se a criança já está acostumada a passar o Natal com um e ano novo com outro, mas o receio dos pais agora é trazer o namorado ou namorada para festas pela primeira vez, saiba que o conceito de ir devagar também funciona nessa situação. Não deixe para apresentar o companheiro novo ao seu filho bem no dia de Natal, por exemplo. Faça isso antes, para que a criança tenha tempo de conhecer a pessoa nova e assim não estranhar a presença dela num dia reservado para a família. 

Apresentando os enteados

Você tem um filho do primeiro casamento. Seu companheiro também. E agora vocês querem juntar todo mundo nas comemorações de fim de ano. É um passo importante para o casal e para os respectivos filhos, e as chances de as crianças se tornarem amigas é grande, mas como pode envolver certo ciúmes, é sempre bom que essa aproximação seja feita pouco a pouco. “Nada de forçar a barra e exigir que seu filho seja um poço de educação e carinho com seu namorado logo no início, nem que se torne o melhor amigo do filho dele”, ressalta a psicóloga.  

Decisões baseadas no bom senso

Na teoria, chegam Natal e Ano Novo, as crianças se dividem entre pai e mãe e todos ficam felizes. Na prática, pode rolar ciúme ou tristeza por passar uma das datas longe dos filhos. Sentimentos assim são comuns e esperados, só não podem prevalecer nas decisões relacionadas às crianças.  “Na minha casa, as idas e vindas são tranquilas e positivas porque por mais que eu estivesse triste por vê-los partir, no meu íntimo eu sempre soube que a convivência com o pai é um direito e faz parte da realidade de vida deles”, conta Melina. No começo, as crianças iam com o pai e ela ficava perdida e desnorteada. Com o tempo, passou a aproveitar aquele momento sem crianças pra fazer suas coisas. E se o ciúme bate e com ele vem a vontade de arrumar encrenca com o ex-marido ou com a nova namorada dele? Aí é hora de lembrar que em primeiro lugar vêm os filhos, que precisam da tranquilidade dos pais para conseguirem ficar sozinhos só com um deles sem culpa. “Os pais precisam ter a consciência de que o que acabou foi a relação deles, as crianças continuam sendo filhas dos dois e tem o direito e a necessidade de conviver com ambos, dessa forma, questões como com quem a criança passará as datas festivas serão resolvidas facilmente”, defende a psicóloga Larissa. 

Um pouco de flexibilidade não faz mal a ninguém

Mães separadas que já passaram por isso e especialistas em psicologia são unânimes em dizer: nada de forçar a barra com a criança. Pode ser difícil para ela se separar da mãe, aceitar um novo companheiro ou abraçar o meio irmão logo de cara. Esteja preparado para situações assim e seja flexível. Em um Natal, o ex-marido de Melina foi passar a ceia na casa dela, mesmo sendo a vez dele de ficar com os filhos, porque lá haveria mais crianças e a visita do Papai Noel, atrativos que não teriam na casa do pai. Ele não abriu mão de ficar com as crianças, mas optou por não tirá-las da casa da mãe. Essa flexibilidade e compreensão do que é melhor para os filhos só trazem benefícios, para todos os envolvidos. 

Gentileza gera gentileza

Regra de ouro para que a harmonia prevaleça no período de festas: ser gentil. Nas novas famílias a incidência de saia justa é grande, fato. Mas uma boa dose de gentileza e carinho muda qualquer cenário. Para a consultora de estilo e etiqueta Suzana Camará, mãe de Guilherme e Luciana, é importante ter inteligência emocional:  “superar rancores antigos e relevar as brigas para conseguir ficar mais perto das pessoas que você ama”. Se seu filho tem uma boa relação com a namorada do pai e ela cuida dele super bem, por que não lhe comprar uma lembrancinha de Natal? Se pra você isso é forçar demais a barra, que seja então o presentinho do seu filho para ela. “Faça com os outros o que você gostaria que fizessem com você. A criança fica feliz quando vê esse tipo de atitude e muito mais tranquila. É semear a paz, e esse é o espírito do Natal”.

Estela e José Miguel, pais de Miguel, de 1 ano, todos os anos nessa época recebem os filhos do primeiro casamento dele. São dias de muita farra, bagunça e alegria por estarem juntos, já que as crianças moram na Espanha com a mãe e vêm pra cá poucas vezes ao ano. “Somos a família mais atípica que existe!”, brinca Estela. Será? Nos dias de hoje, os modelos familiares estão assim, estruturados de maneira cada vez mais diferente. E com tempo, esforço e paciência, cada integrante dessas famílias vão se entendendo aqui, se adaptando ali e terminam o ano como tem que ser: unidos. 

Consultoria: Larissa Furlani, mãe de Sofia, psicóloga infantil. Suzana Camará, mãe de Guilherme e Luciana, consultora de estilo e etiqueta.