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Dúvida cruel

52% das mulheres abandonam o trabalho após a licença-maternidade. Veja pontos que ajudam a tomar esta decisão (que é pessoal e intransferível!)

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Na hora de voltar ao trabalho, o coração aperta. Mesmo mulheres bastante envolvidas na sua carreira em uma empresa podem ficar divididas em reassumir seu posto ou buscar novos caminhos profissionais que deem maior flexibilidade para estar mais perto do bebê. Ou até passar a se dedicar, pelo menos por um período, exclusivamente à educação e cuidados dos filhos. Uma pesquisa realizada pela consultoria Robert Half com diretores de Recursos Humanos de empresas no Brasil indicou que, em 85% das empresas, só metade das funcionárias retornam à vida profissional após o período da licença-materidade. O número é grande, e bem parecido com a média global, que fica em 52%.

O primeiro passo na hora de decidir qula o seu caminho é ir a fundo nos seus sentimentos e na análise da sua situação. A psicóloga Betty Monteiro, mãe de Gabriela, Samuel, Tarsila e Francisco, aconselha a buscar ter clareza sobre qual o lugar que o trabalho ocupa na sua vida. “É realização pessoal, manter o orçamento da casa ou se enquadrar em uma suposta regra da sociedade?”, questiona a psicóloga. Entender se o ponto é o gosto pelo trabalho – uma possibilidade legítima mesmo para uma mãe! – ou precisar do orçamento é também fundamental para tomar uma decisão realista.

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Se optar pelo retorno à empresa, a coach Karina Oliveira, filha de Zélio e Terezinha, diz que é importante se alinhar com sua chefia. “A mulher é a principal responsável por dar condições para seu retorno ao trabalho”, explica. Uma opção viável seria tentar, por um período, uma experiência de flexibilização de horário ou trabalho remoto, que ainda são pouco frequentes no Brasil. Aqui, apenas 31% dos diretores dizeram que essas ações são possíveis, distante da média global de 68%.

Por conta dos desafios do retorno das mães recentes ao trabalho, algumas empresas estão investindo em programas de coaching para reintegrá-las. “É um ganho sistêmico para todo mundo. A empresa reduz a possibilidade de perder uma funcionária com boa performance, a mulher se sente valorizada e o gestor aprende a maneira de lidar com a situação”, conta Karina Oliveira.

E, é bom lembrar, nenhuma decisão precisa ser definitiva: a mulher pode testar como é combinar a maternidade com as atuais atribuições. “A maternidade faz rever seus projetos e expectativas anteriores. O mais importante é que o filho tenha uma mãe feliz, seja em casa ou trabalhando. A decisão é muito pessoal”, aponta Betty.

Sem culpa de fazer sua escolha! – Assim, se você não consegue nem imaginar ficar em casa o dia todo, o jeito é organizar a vida para que seu filho esteja bem cuidado no período do seu expediente. “É saudável que a mulher tenha um vínculo com alguma coisa além do filho. Se não for um emprego,  pode ser uma atividade, profissional ou não, como pintar, desenhar ou ir à academia”, diz a psicóloga. Fundamental é não colocar a culpa nos filhos por não voltar a trabalhar. “Um filho não impede ninguém de progredir, ter sucesso e ser uma pessoa realizada”, finaliza Betty Monteiro. 

 Consultoria: Elizabeth Monteiro, psicóloga e mãe de Gabriela, Samuel, Tarsila e Francisco; Karina Oliveira, coaching e filha de Zélio e Terezinha.

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