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Decidir se separar não foi nada fácil, claro. Mas, agora, você precisa contar para as crianças

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Falamos com pais e mães que passaram por isso. Não existe fórmula: o melhor jeito é dizer a verdade. A gente ajuda você a encontrar o seu jeito

A criança não deve ser enganada, nem ficar desinformada. Tem o direito à verdade. A melhor e mais bondosa das mentiras causa muito mais dano que a pior e mais terrível das verdades. O trecho acima faz parte do capítulo “Para uma Criança Cujos Pais estão se Separando”, do livro O Direito à Verdade, do pediatra e nosso colunista Leonardo Posternak, que será relançado pela Primavera Editorial. Neste caso, a verdade é: pai e mãe estão se separando. É isso. Leandro, o personagem fictício do livro, é perfeitamente capaz de entender a frase, embora possa ser difícil de aceitar.

A maioria das crianças vai se sentir triste, frustrada, brava ou ansiosa. Ou tudo isso junto. Durante um tempo, esses sentimentos podem levar a um desempenho pior na escola ou a um comportamento estranho no dia a dia. Você não pode evitar, mas saber dessas consequências já é um bom passo. Desde o começo você precisa mostrar que entende perfeitamente seu filho (mesmo que ele queira quebrar o mundo) e ser muito, muito, muito paciente.

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O negócio é estar seguro e confiante de que essa é a coisa certa a fazer.

Um reality show do canal de TV Discovery Home and Health, chamado Uma Semana para Salvar seu Casamento, mostrou um casal que resolveu ensaiar para contar ao filho sobre a separação. O ensaio foi tão difícil que o casal desistiu do divórcio.
É duro mesmo. Mas nunca é demais lembrar algo que tem de ser evidente para todo mundo: ninguém fica casado por causa dos filhos, assim como ninguém se separa por causa deles.

Na hora de contar a notícia, esteja preparado para responder às perguntas que surgirem. Importante: não demonstre culpa ou raiva. E, sempre, diga ao seu filho que ele não tem culpa nenhuma.

Para a psicanalista Regina Navarro Lins, mãe de Taisa e Deni, quem faz o drama são os pais. “Para se desenvolver, a criança não precisa de pai e mãe morando juntos”, diz. Se os pais se sentem culpados, o filho vai achar que algo ruim aconteceu, vai ficar inseguro e com medo de perder o amor deles. A culpa não é de ninguém. Lembre-se: você não está sozinho. Segundo dados do IBGE, 1 em cada 4 casamentos termina em divórcio.

Talvez a criança aceite com mais tranquilidade do que você imagina. A filha de uma amiga nossa, depois que os pais a chamaram para comunicar a decisão, respondeu assim: “Tudo isso só pra dizer que vocês agora vão ser vizinhos?”. É, eles têm uma lógica própria que às vezes nos surpreende. Em boa parte das vezes, vai ser mais complicado. Seu filho pode chorar, pode sair batendo a porta… Você não vai poder evitar, mas pode ajudar, sim.

O site Kids Health (www.kidshealth.org), do sistema de saúde infantil Nemours, sugere que os pais mostrem que entendem a infelicidade da criança, aceitem isso e perguntem, por exemplo: “Podemos fazer alguma coisa para você se sentir melhor?”. Outra dica é explicar para a criança o que vai mudar em sua vida: com quem ela vai morar? Vai mudar de casa?

Quero casar mamãe e papai

Muitas crianças sonham em ver seus pais juntos de novo. É uma fantasia tão comum que, volta e meia, aparece no cinema. Em Operação Cupido, as gêmeas fazem de tudo para que os pais voltem a ficar juntos. E conseguem.

No caso da escritora Lya Luft, mãe de Susana, André e Eduardo, que se separou do marido quando os filhos já eram adolescentes, isso realmente aconteceu. “Eu diria que foi uma situação um pouco rara. Quando anunciei que íamos voltar, eles (os filhos) ficaram felizes”, conta Lya. Mas não é bom criar expectativas de reconciliação nos seus filhos. Se você tiver recaídas, ficar indo e voltando, vai confundir as crianças. É duro, mas o melhor é cada um ir para o seu lado.

Conversamos com pessoas que passaram por isso e agiram da maneira que acharam melhor. Essas histórias podem ajudá-lo a se preparar. Todos vão sobreviver. Seu filho é capaz de entender tudo. Como diz Gilberto Gil na música que fez para a ex-mulher Sandra, que ele chamava de Sandrão: “Drão! / Não pense na separação / Os meninos são todos sãos…”.

Na hora de contar

  •   Comunicar a criança abertamente sobre a separação, mesmo que ela seja bem pequena. Dizer que o papai (ou a mamãe) vai morar em outro lugar, mas vai vê-la sempre. 
  •   Deixar claro para a criança que ela é fruto de um relacionamento amoroso verdadeiro, não de um fracasso ou engano.
  •   Fornecer informações sobre o futuro a curto e médio prazo.Vai haver mudança de escola? De bairro? De condições financeiras? 
  •   A criança não precisa saber de detalhes da separação, só o que vai mudar em sua vida.
  •   Mostrar que um casal que se separa continua existindo como casal de pais.
  •   Tomar cuidado com o tom ressentido. Manter longe os sentimentos de raiva ou culpa.
  •   Dizer que o que aconteceu foi entre mamãe e papai e a criança não tem culpa nenhuma.
  •   Evitar proteger a própria imagem frente ao filho em detrimento da imagem do outro.
  •   O aviso da separação deve obedecer às características de cada filho. Às vezes se fala de uma forma com um filho e de outra forma com o outro.
  •   Onde contar? Em um lugar familiar, onde a criança se sinta segura.
  •   Quando contar? Depois que o casal tiver certeza da decisão.
  •   O ideal é que pai e mãe estejam juntos na hora de contar.

Nova família

“Só lembro que nos dias seguintes o João queria quebrar o mundo: a nossa casa, a escola, tudo. Era o jeito dele de mostrar a dor. Quando ele chorava e pedia para o pai voltar, eu chorava com ele.”  Patricia Berton, mãe de João Gabriel e Lívia, é jornalista

Eu e meu marido contamos juntos ao João Gabriel, que tinha 3 anos e 10 meses, que “o papai e a mamãe não iam mais namorar e que, então, o papai ia morar na casa da vovó. Mas o papai e a mamãe continuavam sendo o papai e a mamãe”. A Lívia tinha 10 meses, portanto não contamos nada a ela.

O João quis ir e voltar da casa da avó e, nos dias seguintes, ele queria quebrar o mundo. Era o jeito dele de mostrar a dor.

Eu não tenho relação com o meu ex-marido. Só falo com ele assuntos relacionados às crianças e, mesmo assim, pouco. Acho que sou uma mãe solteira, apesar de as crianças ficarem com o pai a cada 15 dias. Dou conta do resto: escola, festas, lição de casa, compra de remédios…

Uma vez, tive um “projeto de namorado”, que logo apresentei ao meu filho como o “namorado da mamãe”. Mas durou poucos dias. E então disse ao João que o fulano era muito chato e que não era o namorado da mamãe. Foi uma “patacoada” da minha parte.

Sempre falo pras crianças que, na casa da mamãe, quem manda é a mamãe e, na casa do papai, quem manda é o papai. É complexo, mas elas entendem. Não tenho nada a ver com o que acontece na casa do pai.

Meus filhos têm uma irmãzinha de 1 ano e 9 meses. Quando eu soube que a madrasta deles estava grávida, pensei: meus filhos vão ter um irmão. Não importa o que aconteça nas nossas vidas, a pequena Helena é a irmã deles, e ponto. E é muito linda a relação dos três.

A Lívia soube que eu havia sido casada com o pai dela aos 4 anos. Até então, existiam três pessoas muito importantes na vida dela: a mamãe, o papai e a Gabi, que é a madrasta.

É importante não envolver as crianças nas desavenças que surgem. Elas não têm nada a ver com isso e devem ser preservadas. E a mãe tem de “zelar” pela imagem do pai, assim como o pai tem de “zelar” pela imagem da mãe. São imagens sagradas para as crianças.

Foi bem

  • Oferecer ao joão gabriel a possibilidade de viver concretamente sua divisão interna entre pai e mãe. e, ainda assim, compreender que ele quisesse “quebrar o mundo” (representando simbolicamente sua sensação de que seu mundo estava despedaçado).
  • Preservar a imagem do pai e da mãe é fundamental. um mau marido pode ser ótimo pai, uma esposa desajeitada pode ser mãe competente.
  • Respeitar a diferença de regras na casa da mãe e na casa do pai. o modelo de respeito ao que é diferente do que acreditamos é rico e saudável. 
  • a “multidiversidade” pode levar as crianças a serem mais flexíveis e cooperativas.
  • Preservar as crianças das inevitáveis desavenças.
  • Lembrar que os filhos já estão enfrentando um mundo que tem conceitos novos (famílias de diversas formações, novas e poderosas ferramentas de comunicação, novidades cotidianas na escola…).
  • Reconhecer que as crianças fazem parte das famílias reconstruídas: irmão é irmão, nas duas famílias.
  • O respeito aos novos vínculos, que preserva as crianças do conflito de lealdades.
  • Não procurar se informar através da criança sobre o que se passa na outra casa.
  • Ter um posicionamento sem idas e vindas para reorganizar a vida e fechar as portas para esperanças de volta.

Podia ser melhor

  •   Apresentar o namorado antes que esse novo vínculo estivesse mais consolidado.
  •   Acreditar que a mãe separada tem de dar conta de tudo, como se fosse “mãe solteira”. eles poderiam negociar um território maior para a presença do pai.
  •   Deixar a Lívia sem saber as histórias de sua origem por um tempo. É importante para os filhos conhecerem a história que deu origem ao nascimento deles, mostrando fotos ou contando histórias.

Filhas adolescentes

“Contei separado pra cada filha, tentando explicar ou justificar nossa decisão e também fundamentá-la baseando em fatos ocorridos e desentendimentos “Maria Paula, mãe de Duda, Carô, Sofia e Bibi, é advogada

Quando me separei, minhas filhas tinham idades diferentes e estavam em fases diferentes: são quatro meninas e, na época, eram três adolescentes (com 16, 15 e 13 anos) e uma criança de 4 anos. Portanto, foi tudo muito difícil, doloroso. Era uma situação inédita e, como tal, atitudes inéditas correndo riscos de erros e mais erros!

Assim, contei separado para cada filha, tentando explicar ou justificar nossa decisão e também fundamentá-la baseando em fatos ocorridos e desentendimentos. Para a caçula, tentei colocar a situação como uma vida nova, dizendo que teria duas casas – enfim, tentando fugir, a toda força, de um sofrimento maior pra ela. Embora fosse a mais nova, acho que foi a menos traumática ou com menos sentimento de perda.

Foi muito difícil pra mim. Mais do que eu imaginava. Eram muitos sentimentos novos para administrar e de forma rápida, tanto para as meninas, quanto pra mim. Ensaiei várias vezes, mas, na hora de falar, lembro-me de que foi um susto para todas.

Erradamente, não pedi conselhos para ninguém nesse momento. Tinha apenas meus pais e a família mais próxima. Nessas horas, devemos ter alguém com experiência para nos aconselhar ou um profissional – para fazer, ou tentar fazer, de forma menos traumática para as crianças.

Hoje, depois de 10 anos, revejo e reconheço muitos erros. Claro que sem intenções, mas, nesses momentos de ruptura, de separação, tudo por si só já é doloroso. Por isso acho que não se pode resolver nada na hora das brigas e menos ainda colocar os filhos nesse primeiro momento de decisão. O casal deve procurar a amizade entre eles, que seguramente terão, independentemente dos ânimos da situação.

É como olhar para um quadro: devemos nos distanciar um pouco para olharmos os detalhes, para depois analisarmos o todo.

Hoje, procuraria cercar minhas filhas de um apoio psicológico, com um profissional da área.

Ainda não me casei novamente, mas tive namorados e minhas filhas sempre reagiram bem. Procurei sempre preservar nossa intimidade de mãe e filhas, até porque elas estavam numa fase muito delicada para reverem mais conceitos ainda! Hoje, depois de dez anos de separação, acho que elas estão bem: mais humanas, mais seguras da mãe e do pai.

Sei que cada caso é um caso, mas acho que existem fatores que são os mesmos, por exemplo o amor. Um casal deve tentar mostrar e falar para os filhos do elo que os une e que será eterno.

Foi bem

  • Não informar os filhos enquanto o processo está em ebulição.
  • Fundamentar a separação com “fatos ocorridos”. apesar de as crianças não terem maturidade para avaliar as explicações racionais, no meio da confusão emocional é uma boa saída.
  •  Aconselhar a procurar o conselho de pessoas experientes (profissionais ou amigas).
  •  Garantir a permanência do vínculo entre os pais e dos pais com os filhos.
  •  Não tomar atitudes drásticas no momento de raiva.
  • Preservar a intimidade entre pais e filhos quando entram novos parceiros.

Podia ser melhor

Falar em ruptura. Separação é preservar a história e não negar a importância de tudo o que foi vivido; já a ruptura significa uma quebra na história, uma negação das escolhas feitas. A ruptura entre o casal é quase sempre acompanhada de desrespeito, litígio e uso dos filhos nas disputas. 

Preservar as crianças

“Os adultos têm a obrigação de preservar os filhos a todo custo contra toda e qualquer situação de discórdia, amargura e vingança” Marco Teixeira, pai de Caio e Gustavo, é médico homeopata e escritor

Eu e minha ex-esposa conversamos juntos  com as crianças sobre a separação. Eles tinham 3 e 11 anos. Foi em casa, na sala de estar. O filho maior já tinha uma ideia, e ambos reagiram  bem, pois continuei a vê-los quase que diariamente. Não  houve  uma preparação especial, apenas um imenso cuidado para que eles se sentissem amparados e, na medida do possível, cientes de que aquela situação não representaria a menor ameaça de qualquer tipo de abandono ou afastamento de seu pai.

Com o filho mais velho, foi uma conversa mais  detalhada, na qual pudemos expor os motivos, pois  ele  já possuía  um bom  grau de maturidade. Com o mais novo, uma conversa semelhante, mas bem mais superficial. Dissemos que iríamos nos separar porque não nos amávamos mais, mas que eu continuaria a vê-los sempre. Eu me senti destruído.

Antes de contar, me senti não apenas apreensivo, mas com muito medo de magoá-los, de estar tomando a decisão errada.

Nessas situações sempre existem episódios difíceis, complicados, doloridos. E sempre pautei as minhas reações pela consciência,  pela regra de menor dano às crianças,  não  importa  qual  fosse a consequência  em minha  própria vida. As crianças precisam  ser blindadas, suas vidas devem seguir uma  normalidade o mais equilibrada possível. E nunca devem presenciar brigas entre os pais, nunca.

Acho que, no período inicial de uma separação, as mágoas são inevitáveis. O que está ao alcance dos pais é evitar que as mágoas se perpetuem ou que se multipliquem devido a um ambiente hostil e repleto de conflitos entre o casal. Reitero que os adultos têm a obrigação de preservar os filhos a todo custo contra toda e qualquer situação de discórdia, amargura e vingança.

Minhas dicas para os casais que estão se separando são: priorizar as crianças sempre. Deixar divergências de lado, engolir quantos sapos forem necessários, abandonar qualquer traço de egoísmo e sempre pensar no bem estar deles em primeiro lugar.

Foi bem

  • Não deixar os filhos participarem das mágoas e ressentimentos do casal.
  • Priorizar as crianças e “engolir sapos” em busca de um bem maior.
  • A presença cotidiana do pai, após a separação.
  • A consciência da dor da separação.
  • A preocupação em manter a  rotina das crianças

 Podia ser melhor

  • É importante permitir espaço para cuidar de seu próprio luto e transformação da vida. Sua felicidade faz parte do modelo de mundo que seus filhos estão aprendendo e que constituirá uma bagagem para toda a vida.

Filmes para entrar no clima

Operação Cupido (1998). Hallie e Annie são irmãs gêmeas e nem se conhecem. Nas férias, elas se encontram e armam para que seus pais fiquem juntos novamente. DISNEY



2012 (2009). O filme é baseado numa profecia maia, segundo a qual o mundo vai acabar em 2012. Em meio à catástrofe, uma história de amor: mãe e pai voltam a ficar juntos quando morre o padrasto.COLUMBIA PICTURES


Lado a Lado (1998). Anna e Ben não se conformam com a separação de seus pais – e muito menos com a namorada do pai, que faz de tudo para agradá-los.Tristar pictures


Simplesmente Complicado (2009). Jane já é separada do marido há dez anos. Quando menos espera, ela se vê amante do ex-marido, mas esconde isso dos filhos.UNIVERSAL PICTURES

Livros para adultos 


Sob Fogo Cruzado, de Maria Dolores Cunha Toloi.Fala dos efeitos das brigas nos filhos. Ed. Ágora (www.editoraagora.com.br), R$ 39,90


Duas Casas Para Crescer, de Sylvie Cadolle. Traz exemplos e testemunhos de quem superou a crise. Ed. Larousse (www.larousse.com.br), R$ 24,90

Livros para crianças


Quero Colar Mamãe e Papai, de Kes Gray.Cheio de ilustrações e versinhos rimados, o livro conta a história de um garotinho que sai em busca de uma cola para grudar seus pais.Ed. Zastras (www.editoranobel.com.br), R$ 29


 O Iglu, de Flavia Lins e Silva.Os pais de João se separaram e querem que ele converse com uma psicóloga, mas ele não quer conversar com ninguém!Brinque-book (www.brinquebook.com.br), R$ 27,80

Consultoria: Regina Navarro Lins, mãe de Taisa e Deni e avó de Ana, é psicanalista e autora dos livros “A cama na varanda” e “Separação” (ambos da Ed. Best Seller) Sandra Fedullo Colombo, mãe de Ivan e Larissa, é terapeuta de família, presidente do Instituto Sistemas Humanos, coordenadora do Ponto de Encontro, co-autora do livro “Papai, mamãe, você e eu?” (Ed.Casa do Psicólogo), organizadora dos livros “Ainda existe a cadeira do Papai?” e “Gritos e Sussurros – interseções e ressonâncias” (ambos da Ed. Vetor) Lidia Aratangy, mãe de Claudia, Silvia, Ucha e Sergio, é psicoterapeuta e escritora, autora dos livros “O anel que tu me deste – o casamento no divã” e “O livro dos avós” (ambos da Primavera Editorial) Gladis Brun, mãe de Marcela e José Ricardo, é psicóloga clínica, terapeuta de família e autora de livros e artigos sobre questões de família, como “Bem-me-Quer, Mal-me-Quer – retratos do divórcio” (Ed. Record) e “Os meus, os teus, os nossos” (Ed. Larousse) Kids Health, http://kidshealth.org