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Ziraldo: “Eu costumava nadar todos os dias no Rio Doce”

O escritor deu uma entrevista exclusiva para a Pais&Filhos e falou sobre o livro “Menino do Rio Doce”, escrito em 1996, muito antes da tragédia da cidade de Mariana

A REDAÇÃO PAIS&FILHOS

Tragédia de Mariana

Imagem da região devastada pelo rompimento da barragem Samarco, em Minas Gerais

Depois do desastre que aconteceu em Minas Gerais por causa rompimento das barragens da mineradora Samarco, o distrito de Mariana está destruído. A lama tóxica transformou todo o solo da região em terras inférteis e soterrou com uma camada de lama de mais de 2 metros o Rio Doce, que abastecia várias cidades ao redor.

A Vale, empresa responsável pela barragem, será obrigada a pagar R$ 250 milhões como punição administrativa por causa do desastre ambiental. Ainda assim, esse dinheiro não paga pela vida das pessoas que morreram soterradas e daquelas que ainda estão desaparecidas, desabrigadas e que perderam suas famílias.

A onda de lama continua avançando para outras comunidades, como Camargos e Paracatu de Baixo e as cidades de Barra longa, Rio Doce, Santa Cruz do Escalvado e Governador Valadares. A lama chegou até o estado do Espírito Santo, levada pelo que sobrou do Rio Doce.

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Muito antes da tragédia de Mariana, o escritor e cartunista Ziraldo, hoje com 83 anos, brincava no Rio Doce com seus amigos. Em 1996, Ziraldo publicou o livro “Menino do Rio Doce”, que conta uma história linda e poética de dois personagens: um menino e o rio. “O menino não sou eu, mas fala da minha experiência de vida. Fala do que eu vivi. Eu conheci um menino que morreu depois de grande jangada encalhar”, contou o escritor.

Ziraldo 2

Ziraldo é de Minas Gerais e lembra do Rio Doce como um lugar de reunir os amigos, fazer piqueniques, jogar futebol e nadar

Menino do Rio Doce

Quando começa a falar sobre o Rio Doce, Ziraldo se lembra de quando tinha 6 ou 7 anos e morava em Caratinga, região do Vale do Rio Doce. “A turma está cuidando da cidade agora e todo mundo vai ajudar na recuperação do Rio Doce. Vai demorar, mas vamos conseguir”, fala Ziraldo sobre sua impressão do que aconteceu na região.

Ele conta que, quando brincava com seus irmãos e amigos no rio, lembra que as águas atingiam uma profundidade de mais de 2 metros. “Ainda tenho muitos amigos por lá. Meu pai e minha família toda saíram de lá na década de 40, mas ainda tenho parentes e amigos morando lá. São mais de 140 mil habitantes que foram prejudicados e nem água podem mais beber”.

Ziraldo contou para nós uma história emocionante, de uma época em que a Vale nem imaginava construir barragens para a mineração: “Havia uma grande produção de madeira, que era retirada da mata e escoada pelas águas do rio até o mar. Elas pareciam grandes jangadas. Os produtores chamavam meninos de 13, 14 anos para ficar em cima das toras e não deixar nenhuma encalhar. Algumas toras viravam e os meninos desapareciam embaixo daquele rio coberto por madeira”, disse.

Menino do Rio Doce

Capa do livro “Menino do Rio Doce”, lançado pela Companhia das Letrinhas

O escritor relançou recentemente a coleção “ABZ”, que faz sucesso entre as crianças, pela Editora Melhoramentos. Febre nos anos 90, os 26 livros contam histórias sobre as letras do alfabeto de uma forma divertida e cheia de lindas ilustrações. As letras têm vida, nome e até biografia! Além disso, “Nino – O menino de Saturno” chegou para fazer parte da coleção “Meninos dos Planetas” – é o sétimo livro lançado, que conta a história de um menino que adorava brincar nos anéis de Saturno e vem para a Terra buscar ajuda depois que eles perdem as cores. Nós recebemos os exemplares, lemos e adoramos!

Lançamento de Ziraldo, O Menino de Saturno

Lançamento de Ziraldo, O Menino de Saturno

Um dos livros da coleção "ABZ", A letra N

Um dos livros da coleção “ABZ”, A letra N