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Finlândia quer acabar com ensino por matérias e pode revolucionar educação ocidental

Em vez de aprender matemática e química, por exemplo, os alunos podem ter aula de "serviços de cafeteria"

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

De quantas fórmulas das aulas de Matemática no colégio você se lembra?

Aquele decoreba de elementos químicos do ensino médio ainda está na ponta da língua?

A escola que você frequentou lhe tornou um ser humano melhor, mais completo e com capacidade de reflexão e empatia com o próximo?

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Ou apenas despejou um sem número de conceitos e números, mirando sua aprovação no vestibular?

O atual sistema educacional, vigente no Brasil e na maioria dos países ocidentais, pode aprender muito com um plano da Finlândia que pode transformar a educação do país europeu.

Os finlandeses querem acabar com o ensino por disciplinas, como Matemática, Química e Geografia, e substituí-las por assuntos.

Em vez de Geografia ou de História, como matérias separadas, o assunto da aula pode ser União Europeia, exemplifica o The Independent. Assim, os alunos aprenderiam sobre Economia, História — de todos os países que integram o bloco europeu, Geografia e idiomas.

Em vez de Matemática, com inúmeros exercícios de geometria e equações, serão oferecidos cursos vocacionais que demandem aprender noções básicas e cálculos complexos.

O aluno pode, por exemplo, optar pela atividade “serviços de cafeteria”. Para além das tarefas mecânicas de trabalhar no atendimento de um café, ele vai aprender habilidades de comunicação, escrita, idiomas (uma vez que servirá clientes de todas as nacionalidades), matemática e gestão — essenciais para entender o funcionamento desse tipo de negócio.

Segundo o site Rescola, até 2020, todas as escolas da Finlândia já estarão ministrando por assuntos e não mais por disciplinas.

Essa metodologia de ensino já começou a ser aplicada em escolas de nível médio da capital finlandesa, Helsinki.

A gerente de educação de Helsinki, Marjo Kyllonen, explicou ao Independent as mudanças em curso:

“Nós realmente precisamos repensar a educação e remodelar nosso sistema para que prepare nossas crianças para o futuro com habilidades que são necessárias para hoje e amanhã. Há muitas escolas que ainda ensinam no jeito antiquado que foi positivo para o começo do século passado. Mas, hoje, as demandas e necessidades não são as mesmas, e nós precisamos de algo que se encaixe ao século 21.”

Para as aulas de vida real se materializarem na Finlândia, é necessário entender o contexto educacional do país:

Enquanto nos Estados Unidos um docente com 15 anos de experiência no ensino médio ganha 65% do que um professor de ensino superior, na Finlândia, um educador com mesmo tempo de sala de aula em colégios ganha 102% do salário de seu colega que leciona em universidades.

Segundo o Washington Post, os professores finlandeses são muito mais bem preparados para trabalhar a interdisciplinaridade em sala de aula. Eles fazem mestrados e têm que cumprir série de pré-requisitos das instituições de ensino e do próprio Ministério da Educação finlandês.

A cultura escolar na Finlândia estimula atividades lúdicas e o lazer. Entre uma lição e outra, as crianças têm intervalo de 15 minutos nas escolas. Brincadeiras e liberdade de criação são valorizadas.

Em um ambiente propício para a construção, professores bem preparados recorrem a todo tipo de ferramenta pedagógica para contribuir com a formação dos estudantes. Resultado: a Finlândia é um dos países desenvolvidos do Ocidente mais bem colocados no ranking do Programa para Avaliação de Estudantes Internacionais, aplicado em 65 países. São analisadas as competências dos alunos em Matemática, Ciências e Leitura.

Além dessa transformação estrutural na abordagem de conteúdos, a Finlândia também quer mudar a disposição espacial dos alunos na sala de aula e, assim, a relação professor-estudante.

A ideia é que as classes sejam compostas de pequenos grupos em constante interação, trabalhando de modo colaborativo, e não mais em fileiras, só ouvindo o que os professores têm a dizer.