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Escola parceira

Para Liliane Kitamura, mãe de Renan não foi fácil lembrar que a creche não era sua inimiga

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Sou uma pessoa que gosta de planejar as coisas, principalmente se elas trazem mudanças na família. Já tinha todo o “esquema” na minha cabeça: engravidaria, tiraria licença maternidade (que era só de 4 meses), colocaria meu filho no Centro de Convivência Infantil da empresa em que trabalho. Parecia tão fácil! Tinha ótimas referências sobre a escolinha, escarafunchei tudo o que pude – alimentação, pediatra, professoras, horário de funcionamento. Minha gravidez foi tão curtida e os detalhes tão planejados que, no momento em que me descobri grávida, fui logo solicitando a vaga para meu filho. A administradora dos pedidos me perguntou: “Qual o nome da criança?” Respondi: “Não sei se é menino ou menina, estou de 2 meses! Mas sei que eu quero a vaga!”

No meio da gestação a empresa aderiu à licença maternidade de 180 dias. Vibrei! Pedi para acrescentar férias ao final da licença.  Praticamente 7 meses com o meu bebezinho, que eu já sabia ser um menino e que já tinha nome escolhido (e também um apelido dado por amigos): Renan!

Então trabalhei até sexta feira (para poder aproveitar ao máximo todos os curtos 180 dias!),e foi num frio domingo que nasceu o meu Pandinha. Ele nasceu, e junto nasceu a culpa. Segundo um colega de escritório, “a irmã gêmea do Renan”!

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Então o tempo passou e chegou o dia da adaptação na escolinha. Todos me receberam muitíssimo bem, mas foi aí que descobri como posso ser naturalmente neurótica/preocupada/louca em relação ao meu filho.

Primeiro apareci na escola praticamente de surpresa, sem marcar horário, para ver se era mesmo tão limpa e organizada quanto minha amiga havia dito. Não que duvidasse dela, mas o filho desta estuda em outra unidade. Vai saber, né?

Mas me preparei psicologicamente. No terceiro e último dia de adaptação na escolinha, escrevi no blog dele para não me sentir tão só. Achava estranho eu estar em casa e ele não. Me doeu entrega-lo para uma competente estranha (cuja saída da escola, meses depois, foi motivo de muito pranto meu, pelo zelo com que cuidou de meu filho), mas a despeito de todas as coisas que ouvi sobre o “temido primeiro dia de escolinha”, meu mundo não acabou e eu não fiquei chorando na porta, nem saí soluçando copiosamente porque meu filho nem ligou para a minha saída. Mas esse era só o princípio!!  Ao ligar descobri que ele tinha comido tudo e ainda por cima dormido à tarde: me senti roubada do meu filho. Começava aí uma relação com um bando de estranhos extremamente habilidosos para cuidar do MEU nenê.

Certa vez, ao ligar para a escola insistentemente e não ter nem o telefone direto (ramal) e nem o externo atendido, nem os e-mails respondidos pela manhã, esperei o horário do almoço e fui até lá a pé (ignorando o perigoso caminho). Neurótica que sou, imaginei que pudesse ter acontecido algo (caído um meteoro na rua, por exemplo! he he he). Imagine a cara da diretora quando me viu, no meio do expediente, em frente à escola. Para dizer a verdade, eu fico imaginando A MINHA CARA ao ouvir a explicação para tal “mudez comunicativa”: um caminhão havia arrancado os fios de telefone do poste! Não me intimidei: “Posso ver meu filho?”

Ele estava dormindo tranquilamente em seu bercinho. E eu desfiz a cara de idiota, sorri, disse: “filho, eu te amo, bons sonhos!” E voltei a trabalhar!

Em 2 ocasiões ele ficou severamente doente, e eu fiquei muito tentada achar que a culpa foi de coloca-lo tão pequeno na escola. Depois aprendi que teria que lidar com essas situações e aceitei que nossa rotina seria essa: de segunda à sexta, trabalho e escola, e nos finais de semana, tempo de qualidade para nós. Foi um compromisso que firmei silenciosamente com ele: faço tudo por ele, inclusive trabalhar. Eu me dei o direito de me perdoar, de entender que faço o melhor pelo meu Pandinha. Eu me dei o direito de não ser a minha algoz cruel. Hoje, não ligo todos os dias na escola (não mais!), e de vez em quando recebo e-mails com fotos dele com seus amigos, nas quais estão sempre sorrindo! Não raramente a diretora os intitula: “para alegrar o seu dia, uma foto do seu Pandinha”. 

 

Meu conselho para as mamães com filhos na escola são: faça dos cuidadores de seu(s) filho(s) seus PARCEIROS, trate-os dignamente, pois estão com seus bens mais preciosos! Cerque-se de pessoas do bem e divida a angústia de deixar o filho: marido, esposa, mãe, pai, amigos, estão aí pra te apoiar. E seja firme consigo mesma, não desista!

Não seja seu algoz cruel! Culpa Não!!!!   😉

Agradeço especialmente ao meu marido Carlos Kitamura, pelo apoio, por ser um excelente pai e por me fazer ver que eu sou sim uma boa mãe; à minha própria mãe, por entender e apoiar a decisão de por o Rê em uma escolinha; ao meu chefe Pasquale, que me tranquilizou, orientou e apoiou utilizando sua experiência de “pãe”, e aos meus queridos amigos que aturaram todas as minhas lágrimas! Obrigada, gente, de coração!!!!