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Cansar e recomeçar

Lorena, mãe de Lorenzo, percebeu que cuidar do filho é quase uma maratona

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Basta estarmos na situação para dar real valor ao que se passa, criticar é fácil. Quantas vezes critiquei tias, primas, amigas com atitudes com seus filhos, que eu julgava relaxamento! Hoje percebo e sinto na pele que tudo não passava de um mau juízo que eu fazia!

Comecei a perceber que preguiça na vida de uma mulher-mãe é de fato cansaço, é exaustão! Na minha primeira semana parecia ter corrido durante uma hora todos os dias, na segunda semana semelhante a nadar e correr por uma hora, e terceira semana nadar, correr e andar de bicicleta. Apesar de nunca ter feito os três esportes juntos, me senti uma atleta em treino intenso. Eu, além de cuidar do meu filho, queria cuidar da casa, uma vez que moro com meus pais, me sinto péssima em não ajudar em nada, pois antes de ter o meu filho eu ajudava muito mais do que hoje. Nos primeiros meses depois do nascimento dele, eu simplesmente não tinha ânimo para nada. Minha mãe, sempre muito compreensiva, falava para mim que isso era normal e que para ela foi um pouco pior porque não pôde contar com ajuda de ninguém.

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FECHAR

Foi e é difícil assumir estar sem vontade até para se arrumar um pouco, quando meu filho dorme à tarde. Aprendi que devo, sim, dormir com ele para conseguirmos juntos recarregar nossas energias. Descobri que dormir até 11:00, 12:00 é normal, bom e muitas vezes necessário. Mãe definitivamente é um bicho estranho, por mais que esteja cansada para o filho, isso cai por terra. Quantas noites acordada para fazer passar a cólica, amamentar, chorar junto com ele por não saber o que ele está sentindo, brincar um pouco mais para que não acorde de madrugada, acordar às cinco horas para fazer um mingau porque está chorando com fome, verificar a febre de hora em hora ou ainda a melhor das neuroses: ver ser ele está respirando, enquanto dorme como um anjo.

A rotina que muitas mães passam e às vezes não tem com quem falar ou reclamar é mais ou menos assim: acordar com eles sorrindo, ótimo! Chorando, é um problema. Dar o café e tomar o seu, já adiantando o almoço. Dar comida e almoçar junto com ele ou quando der. Brincar, levar para passear de carrinho, no meu caso subir e descer a rua inúmeras vezes. Pensar no jantar dando o lanche do filho, cuidar da roupa, do bicho, da casa, dar banho e depois fazer o jantar. Quando penso que vou respirar um pouco, meu marido chega. Praticamente mais uma criança em casa. Acumulo mais uma função de esposa.

Pacientemente espero ele jantar para depois tomar banho e comer. Então finalmente ver pai e filho brincando: “não tem preço”, mesmo que por ligeiras três, quatro horas. Levo meu filho para escovar os dentes, trocar a fralda e amamentar. Eu ainda demoro um pouco para relaxar e dormir. E amanhã tem mais, acrescentando muitas vezes o trabalho fora, tempo para o marido, um tempo para estudar, amamentar, trocar fralda, entrar no face, vigiar o bebê a todo instante. E quando sobre um tempo para mim, vejo que ainda tenho fôlego para começar tudo outra vez. Preguiça? Não! CANSAÇO, só de pensar, o que não cansa é ver o filho cheio de saúde e dar a ele toda sua energia, tudo valerá a pena. Afinal, estamos vivendo nossa maternidade: alguém cansou para tudo isso acontecer.