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Cada gota de leite era preciosa

Fabiana, mãe de Lyvia, descobriu que a cabeça é tão importante quanto o peito ao amamentar

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Durante a Semana Mundial de Aleitamento Materno, mães contam o que mais as ajudou a amamentar os filhos. Mande seu depoimento para nós também: gabriela.varella@revistapaisefilhos.com.br!

Infelizmente não consegui amamentar por mais que 30 dias, pois eu não produzia leite suficiente e a Lyvia é muito faminta.  Desde a maternidade, percebi que ela não mamava e só dormia. Ficava sugando sem muito esforço! Meu médico, ao me visitar, apertou uma das mamas, da qual não saía nada, e a partir daí começou a sair um pouquinho de colostro.

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Ao sair da maternidade, Lyvia havia perdido 12% do peso de quando nasceu, sendo que o normal é perder 10%. Fui orientada pelo pediatra a iniciar a fórmula e procurar um pediatra urgente.

Nos primeiros 15 dias, eu a deixava de 20 a 30 minutos em cada peito, mas Lyvia dormia e não sugava bem, então entrava com a fórmula de complemento. Mas ela chorava tanto, mas tanto, que eu não sabia o que fazer. Eu e meu marido achávamos que era cólica, mas a pediatra havia dito que bebês recém-nascidos não têm cólica assim. Em consulta, pedia para que eu colocasse a minha filha no peito, que sugava tão desesperadamente que a pediatra disse que o choro era de fome.

Resolvi comprar a bombinha para tirar o leite e oferecer na mamadeira, assim pelo menos minha filha mamaria o leite materno. Foi quando percebi que, dos dois peitos, só consegui tirar 20 ml, enquanto a Lyvia já mamava 90 ml da fórmula. Então passei a aumentar a quantidade da fórmula, porque minha filha não pegava direito o peito. A minha filha acalmou, e passei a deixar de oferecer o peito todas as vezes, pois vi que eu não tinha leite suficiente. Minha mãe e irmã também não produziam e achei que era de família!

Spray para o leite descer

Duas conhecidas minhas haviam me falado que tinham usado ocitocina em spray nasal e que isso tinha ajudado a descer o leite. Então, liguei para o meu obstetra, depois de já 15 dias e muito, muito estresse pelas horas sem dormir, sem me alimentar direito e pelos gritos de choro. Ele me orientou a tomar um remédio contra enjoo que tem como efeito colateral aumentar a produção mais leite e usar a ocitocina, que ajuda a descer o leite já produzido. Fiz o procedimento, mas, como não oferecia o peito em todas as mamadas, não resolveu. Sentia-me triste, culpada por não conseguir amamentar e achava que a minha filha ficaria muito doente. Cada gota de leite que saía, eu oferecia, porque sentia que era como se fosse uma gota de vacina.

O leite começou a secar, então busquei a doula da equipe do meu médico, para me orientar. Ela me propôs a relactação, que consiste em colocar um caninho perto do seio para o bebê sugar e estimular o peito, tomando a fórmula. Tentei por dois dias, mas o desgaste foi tanto que adoeci! Fiquei três dias com enxaqueca. Não podia cuidar do bebê direito. Então decidi que largaria todas as tentativas e ficaria só com a fórmula, já que no retorno a pediatra disse que a Lyvia estava bem e sadia.

Falta de orientação

Conforme a pediatra e também meu obstetra disseram, não produzi leite por causa da minha cabeça, que não estava 100% focada na amamentação. Só que eu só descobri muitas coisas e passei por todas as dificuldades, porque não tive uma orientação logo de início, nem antes de ter a Lyvia nem na maternidade! Sendo mãe de primeira viagem, não poderia saber tantas coisas que hoje sei que poderia ter feito para conseguir amamentar.

Estou lendo um livro que se chama “Criando Bebês” que ganhei antes da Lyvia nascer, mas, com a correria, não li. Neste livro, aprendi muitas coisas sobre amamentação, mas era tarde demais, eu já tinha passado por tudo isso.

Acho que deveriam existir grupos de orientação nas maternidades que dessem uma mini palestra a cada mãe que tivesse um filho, sobre como amamentar, a pega, as dificuldades etc.

Eu e meu marido acreditamos que entrei e depressão pós-parto, porque fiquei triste por não ter conseguido ter parto normal, e a partir daí eu já iniciei um processo de estresse que só se agravou!

Nunca poderia saber que a mente tem tanto poder e que isso poderia causar um bloqueio na produção de meu leite. Ainda me sinto triste por não poder oferecer leite materno a minha filha, mas sou muito feliz por ela ser linda e saudável!

 

“Criando Bebês”

Autor: Dr. Howard Chilton

Editora: Fundamento