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Amamentação não é como nos comerciais

Janaina, mãe de Matheus, sentiu certo medo no início da amamentação. Mas teve apoio da mãe e do marido

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Eu só persisti graças ao apoio do meu marido e da minha mãe.

Sou mãe de primeira viagem e confesso que passei a gravidez inteira sem pensar muito nesse assunto. Para mim era muito natural. Achava que os bebês já nasciam sabendo o que fazer, que eu olharia para ele com aquela ternura dos comerciais de televisão, e as pessoas ao redor soltariam suspiros emocionados quando me vissem amamentar. Meu primeiro contato com a realidade aconteceu cerca de duas semanas antes do nascimento do Matheus. Busquei relatos de mães que amamentavam, e o resultado foi muito diferente do que eu esperava. Não. A Amamentação não é como nos comerciais. Pelo menos não nos primeiros dias.

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Voltei para casa desesperada. Desabafei com a minha mãe, que me tranquilizou, disse que o começo realmente não é fácil, mas que depois aquilo se transformaria numa das experiências maternas mais enriquecedoras da minha vida. Busquei me informar sobre assunto, mas estava na reta final da gestação e decidi que evitar neuras seria o mais saudável para mim e para o bebê.

O Matheus veio ao mundo esbanjando saúde e, antes que eu pudesse processar como aquelas últimas horas mudariam a minha vida, lá estávamos nós. Mãe e filho. Frente a frente. Para enfrentar o desafio da primeira mamada. A enfermeira do hospital colocou o Matheus em meus braços e começou a explicar como eu devia segurá-lo, como fazê-lo abocanhar o seio da forma correta etc.

“Senti um puxão”

Apesar da doçura da voz dela, as coisas que eu tinha lido poucas semanas antes voltaram à minha memória, e eu concentrava todos os meus esforços em manter a calma, quando senti um puxão. Era o meu filhote. Ele havia se ajeitado sozinho e já tinha começado a mamar como se fizesse isso há meses. Não sei nem como descrever o alívio e a alegria que senti ao ver que seria capaz de prover o sustento daquele serzinho que eu amava com tanta força. Mal sabia eu que isso era só o começo.

Os dias que se seguiram na maternidade foram super tranquilos. Meu leite desceu no segundo dia, o Matheus parecia um bezerrinho, e as enfermeiras se surpreendiam, porque, toda vez que perguntavam se eu sentia dor, eu dizia que não. E então nós fomos para casa, felizes da vida com a chegada do novo membro da família. Tudo corria bem até que eu parei de tomar analgésicos (necessários por causa da cesariana). Aí veio a dor.

No geral, um recém-nascido ainda não pegou o jeito de mamar. Ele não consegue mamar o suficiente para deixá-lo saciado por várias horas. Portanto você tem de estar pronta para amamentar a cada 10 minutos, se for o caso. Comigo foi bem assim. Na primeira semana, não tinha tempo para tomar um bom banho, para me alimentar com tranquilidade, para ir ao banheiro, para nada. Pensei que fosse ficar louca, mas contei com o apoio do maridão e da minha mãe, que dizia que a primeira semana era realmente difícil, mas que depois amamentar seria um prazer. E ela tinha razão.

Passada a primeira semana, as coisas ficaram bem mais fáceis. A dor praticamente sumiu, mas eu tinha pouco leite. Eu e o Matheus tivemos que ser insistentes, sempre contando com o apoio muito carinhoso de toda a família, mas conseguimos. Ele mamou durante os primeiros seis meses de vida. Nesse período, não contraiu nenhum tipo de virose, nenhum resfriadinho, nada. E eu descobri que os prazeres da amamentação vão muito além do que qualquer mãe, mesmo a mais eloquente, seja capaz de descrever. Amamentar ajuda seu útero a voltar ao tamanho normal, a perder aqueles quilinhos que ganhamos na gestação e o principal: eleva a alma e permite que você exerça a maternidade em sua plenitude.