Mais

Noites em claro

Parece óbvio, mas a gente só percebe quando sente na pele!

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Ouvia dizer sempre que bebês acordam de 3 em 3 horas para mamar e que alguns pediatras, inclusive o meu, aconselhavam acordar o bebê mesmo que ele estivesse dormindo tranquilamente. Mas como isso é difícil quando você sai de uma cesariana e anda pela casa encurvada devido aos pontos – também não tinham me contado que você demora, e o quanto demora, para andar reta! E mais difícil ainda quando você traz resquícios de cansaço do seu último mês de gravidez, em que mal dormia, lidando com todos os seus medos e inseguranças, sem contar o barrigão…

 
Chega uma hora em que não conseguir repor o sono passa realmente a te afetar, desde o mau humor insuportável, até o mal-estar físico, descontando em forma de crises de choro que você não sabe se são por conta do cansaço, se é depressão pós-parto ou se é simplesmente porque você está insegura e com medo de tanta responsabilidade.
 
Todos falavam que eu deveria dormir durante o dia toda vez que a Manuela fosse dormir. Mas e a minha vida? O que eu faria dela? Não queria transformar os meus dias em trocas intermináveis de fralda, amamentação, banho e sono. Queria acompanhar as notícias, responder e-mails, arrumar as coisas da minha filha, me informar sobre como cuidar do bebê, fazer ginástica, ler, assistir a um filme… Essas coisas que parecem pequenas, mas que fazem você se sentir viva.
 
Eu aproveitava para fazer tudo isso enquanto ela dormia. É claro que ficava morta de cansaço à noite e prometia que no dia seguinte iria dormir, mas isso nunca acontecia. Quando ela dormia à noite depois da mamada eu não deitava e dormia imediatamente, muito pelo contrário: nunca tive um sono tão leve como hoje. Ficava mais meia hora acordada escutando para saber se ela realmente tinha dormido. Quando ela se mexia, lá estava eu acordada de novo… Ou seja, não dormia.
 
Quando me falavam que em três meses tudo isso ia passar, eu simplesmente queria me jogar pela janela: "como assim três meses???" Isso é uma eternidade para quem está nessa situação. São 180 dias praticamente em claro. Você tem ideia do que isso interfere na sua vida pessoal? É um caos.
 
O tempo foi passando e hoje vejo que passa rápido. Consigo dormir bem melhor agora que ela está com 8 meses; já não demoro uma hora para voltar a dormir depois que ela acorda à noite, e me acostumei com um sono interrompido. Hoje fico feliz quando escuto que ela acordou e sou recebida com aquele sorriso banguela que faz o meu dia incrivelmente feliz. Lembre-se: é difícil, mas passa e vale muito a pena!
 
Cristiane Kapaz, mãe de Manuela, é publicitária

Pais&Filhos TV