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Não sou um bebê, sou um recém-nascido!

Recém-nascidos precisam de cuidados redobrados e específicos

Redação Pais&Filhos

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recém-nascido

Por Luciana Alvarez, mãe de Marcelo

Os bebês são considerados recém-nascidos desde o seu nascimento até o 28º dia de vida, segundo a medicina. Essa fase é marcada pela primeira adaptação do bebê ao mundo aqui do lado de fora. No útero, o feto vivia no escuro, ou seja, não conhecia dia e noite. Ele ficava envolto em água, sempre quentinha, sem saber o que era frio. Para completar, recebia pelo cordão umbilical todos os nutrientes que necessitava, por isso não precisava comer nem respirar. Ao nascer, tudo muda de repente.

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Segundo o pediatra Antonio Carlos de Souza Aranha, pai de Tarsila, Lara e Thiago, a linha antroposófica acredita que o nascimento do corpo astral, ou seja, a alma do bebê, só acontece após o primeiro mês. Além de ter que se adaptar à nova realidade, o recém-nascido enfrenta um outro desafio: mesmo que tenha nascido no tempo certo, ele chega ao mundo com um corpo “imaturo”, com o qual ainda está aprendendo a lidar.

“Diversos sistemas do organismo do recém-nascido são imaturos, como o neurológico, o imunológico e o muscular”, explica Caroline Terumi Adachi, filha de Alice e Oscar, pediatra especialista em imunologia e alergia. É como se o bebê não soubesse usar os recursos do seu corpo corretamente e precisasse fazer uns últimos ajustes antes de colocá-lo para funcionar a todo vapor. Vem daí, por exemplo, os soluços frequentes, as golfadas e o fato de, às vezes, o recém-nascido parecer estrábico: ele está aprendendo como funcionam seus órgãos.
A psicoterapeuta Laura Gutman, em seu livro “A Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra”, vai ainda mais longe e afirma que “a espécie humana nasce sem estar pronta”. Ela defende sua tese comparando os humanos com bebês de outros mamíferos, que já vêm ao mundo capazes de se movimentar sozinhos e buscar comida. Ao nascer, a prole da nossa espécie não consegue sequer segurar o peso da própria cabeça. Portanto, os recém-nascidos precisam passar por uma espécie de “gestação fora da barriga”, diz Laura.
Comer para crescer
O período neonatal é também o de maior crescimento, tanto em peso, comprimento, quanto em tamanho da cabeça (veja na tabela). Para dar conta de fazer o recém-nascido crescer o tanto que deve e ainda ficar protegido de inúmeras doenças, o principal cuidado nessa fase é dar a ele a melhor alimentação possível, o leite materno. “O leite materno possui a quantidade certa de água, carboidratos, gorduras, proteínas e de elementos de defesa necessários para o bebê”, afirma Caroline. “O colostro, que é o leite materno dos primeiros dias após o nascimento, tem uma proporção diferenciada desses elementos para suprir a necessidade do recém-nascido nesse período.”
Recém-nascido em números*
Recém-nascido Bebê de um ano
Ganho de peso De 25 a 30 gramas por dia 10 gramas por dia
Crescimento em altura 3 cm no período 1 cm por mês
Crescimento do diâmetro da cabeça 2 cm no período 0,5 cm por mês
Tempo de sono Até 20 horas por dia Cerca de 14 horas por dia
Intervalo de alimentação
A cada 2 ou 3 horas
Dormindo, cerca de 10 horas
Trocas de fraldas 12 por dia 6 por dia
*A tabela apresenta valores médios, mas os números podem variar bastante de bebê para bebê.
A recomendação médica é que se mantenha a amamentação exclusiva bem depois que seu bebê deixar de ser um recém-nascido, estendendo-a até o sexto mês de vida. Mas é nesse começo que ela dá mais trabalho. O corpo de um recém-nascido não é capaz de armazenar grande quantidade de energia, por isso ele tem fome em intervalos muito curtos.
O intervalo médio das mamadas costuma ser a cada duas ou três horas, inclusive durante a noite.
Afinal, a criança não conhece os ciclos do dia, precisando dormir e comer o tempo todo. O sono picado e fora de hora melhoram a partir do segundo mês e o bebê pode chegar a um ano dormindo direto de 10 a 11 horas por noite.
As inúmeras mamadas da fase neonatal, em geral, significam também fraldas e mais fraldas sujas. A maioria dos recém-nascidos faz cocô após cada mamada, mas essa não é uma regra. Como o leite da mãe é produzido especialmente para o seu filho, às vezes ele é aproveitado quase em sua totalidade, não deixando resíduos para serem eliminados nas fezes. Essa possibilidade acaba quando se introduz outros alimentos na dieta da criança. Essas e outras informações, você pode conferir na matéria Dossiê do Cocô, dessa edição.
Reflexos e saúde
Por mais que nunca tenha mamado dentro da barriga, ao nascer, o bebê tem dois reflexos que o ajudam na tarefa. O primeiro deles é o da sucção: seu recém-nascido vai sugar qualquer objeto que lhe for posto nos lábios. O outro é chamado de reflexo de enraizamento – quando alguém toca na sua bochecha, o recém-nascido se vira naquela direção e abre a boca.
Os bebês chegam ao mundo com uma longa lista de reflexos, que com o tempo vão desaparecendo. Todos eles são muito valiosos como forma de indicar o bom desenvolvimento neurológico. Para tanto, precisam ser avaliados por um pediatra. “Há uma série de sinais vitais que o recém-nascido precisa demonstrar para termos certeza de que é saudável, que terá um bom desenvolvimento”, afirma Saul Cypel, pai de Marcela, Irina, Eleonora e Bruna, neuropediatra e colunista da Pais & Filhos.
O período neonatal representa ainda um momento crucial para se diagnosticar inúmeras doenças congênitas. Quanto antes forem detectadas, mais efetivos os tratamentos. “Algumas doenças peculiares, que podem ser percebidas nesse período, são a incompatibilidade de RH, hipotireoidismo e catarata congênitos”, cita Cypel. Um médico de confiança se faz mais necessário do que nunca!
Entretanto, várias situações aparentemente preocupantes são normais para a fase. A cabeça, por exemplo, pode apresentar um formato um pouco diferente nos primeiros dias de vida em decorrência do parto, mas ela costuma tomar um formato mais uniforme sozinha – é para isso que servem as “moleiras”, para permitir essa maleabilidade. “As moleiras podem variar de tamanho. A da parte da frente fecha”, afirma Tabajara Barbosa Lima Neto, filho de Nilsen e Cláudio José, médico do Departamento de Pediatria da Santa Casa de São Paulo.
Os recém-nascidos também podem chorar muito, sem que isso signifique que estão fazendo birra ou tenham algum problema de saúde. “A única forma de comunicação dele é através do choro, portanto ele chora quando há uma situação de desconforto, como fome, frio”, explica Neto. E o choro deles é sem lágrima. “As glândulas lacrimais ainda estão pouco desenvolvidas; elas vão amadurecer e começar a funcionar no final do primeiro mês”, explica o pediatra.
Com o tempo, os bebês aprendem formas mais elaboradas de transmitir desconforto, mas talvez isso não represente menos choro. Porque eles vão aprendendo também a usar o choro para fazer birras e manhas.
Em meio a toda preocupação e todo o cansaço que a chegada do filho acarreta, outro cuidado que não pode faltar é dar a ele muito carinho e amor. Essa linguagem qualquer criança entende desde que estava na barriga e nenhum médico precisa passar a receita de como se faz.