Mais

Grávida gulosa

Realizar as vontades estranhas da grávida na hora de comer fazem mesmo bem a ela

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Chupar limão, comer quilos e quilos de doces e até comer tijolo. São desejos que muitas grávidas têm e ninguém – muito menos os futuros pais – entendem o porquê. Essas vontades não são simples caprichos, são uma resposta do organismo da mulher às necessidades do corpo dela e do bebê que vai nascer. Totalmente normal.

Não há nada comprovado em relação a esse fenômeno, mas o que os médicos percebem é que as vontades estão intimamente ligadas aos diferentes períodos da gravidez.
 
Segundo a ginecologista e obstetra Barbara Murayama, mãe de Pedro, alimentos ácidos como abacaxi e laranja são frequentemente ingeridos por mulheres no primeiro trimestre de gestação, porque é um período no qual a incidência de enjoos é muito grande. Por essas substâncias provocarem alívio no estômago, o organismo dessas grávidas sente a necessidade delas. Existem outros cuidados que também podem ser tomados para diminuir as náuseas, explica a doutora. “Sempre recomendo às minhas pacientes que comam uma bolachinha de água logo de manhã – quando o enjoo é mais forte – antes mesmo de escovar os dentes, e também a evitar líquidos gasosos e condimentos”.
 
No segundo trimestre da gravidez, quando os enjoos já não aparecem tanto, o corpo da mulher precisa de mais energia para formar o bebê. É daí que vem o desejo de comer alimentos calóricos, como doces, massas, gorduras e carboidratos em geral. Já nas últimas semanas de gestação, o útero está bastante distendido e chega a comprimir o estômago, o que faz com que a grávida não consiga comer muito, mesmo que sinta fome normalmente.
 
Episódios extremos, como vontade de ingerir coisas não comestíveis, como tijolo ou terra, não são considerados normais, e podem ser observados em mulheres que não têm uma alimentação adequada e saudável. Esses desejos indicam uma deficiência intensa de algum nutriente. Hoje, é difícil ver ocorrências desse tipo em grandes cidades, onde o acesso à alimentação é maior.
 
Em alguns casos, esse tipo de desejo pode ser fruto de um distúrbio psiquiátrico, o que pode acontecer com qualquer mulher, grávida ou não. É por isso que, no caso das gestantes, é muito importante que o ginecologista questione no exame pré-natal se há antecedentes psiquiátricos no histórico da paciente. A gravidez, por ser um período em que a mulher fica muito suscetível ao emocional, pode desencadear uma doença desse tipo. Sentir vontade de comer coisas engraçadas tem um limite, e é essencial ficar atenta aos sintomas como depressão e bipolaridade.
 
Consultoria: Barbara Murayama, mãe de Pedro, é ginecologista e obstetra. – Tel.: (11) 2062-2230; www.gergin.com.br

Pais&Filhos TV