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Espaço pra brincar

Lugares seguros e específicos para brincadeiras

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Por Rosana Pinheiro, filha de Rose e Edson

“As crianças precisam de tempo e espaço para explorar o mundo: é assim que elas aprendem a pensar, inventar e socializar; a ter prazer com as coisas; a descobrir quem são, e não o que queremos que elas sejam. Elas precisam de muito amor e atenção sem nenhuma condição imposta. Nós fizemos isso com as aves e com o gado – agora é hora de fazer o mesmo com as crianças. É hora de inaugurar a era da criança ao ar livre”. O texto é de Carl Honoré, autor do livro Sob Pressão – Criança Nenhuma Merece Superpais (Ed. Record). É contraditório: estamos valorizando o alimento vindo de animais “free-range”, livres, em vez dos ovos de galinhas presas nos galinheiros. Enquanto isso, deixamos nossos filhos cada vez mais confinados em casa, sem espaço para brincar e para o crescimento,  sem ver a luz do sol e sem poder se exercitar.

No Brasil, 73% das mães acham que seus filhos passam pouco tempo brincando fora de casa e concordam que seria melhor deixar mais, constatou a pesquisa “A Infância na Visão Geral das Mães” realizada pela OMO, em 2007, em parceria com os médicos Jerome e Dorothy Singer, da Universidade de Yale.
Pois é, achamos que eles deveriam brincar mais ao ar livre. E por que não deixamos? A segurança é o maior obstáculo, para 48% das entrevistadas. O Brasil é o segundo país onde as mães mais se preocupam com isso. Outro problema é a falta de tempo da mãe e da própria criança.

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Entre as consequências desse confinamento está a obesidade. Para 69% das mães,  os filhos não brincam o suficiente para serem saudáveis. Dentro de casa, as atividades são predominantemente paradas: televisão, videogame, internet. A maioria das mães tem medo de que os filhos não aprendam a estabelecer relacionamentos.

Graças à consciência das mães e dos educadores em relação a esse problema, surgiu um fenômeno que seria inimaginável alguns anos atrás: lugares próprios para a brincadeira, para crianças que não têm aonde ir, a não ser a escola e o próprio apartamento.

Um deles é a Casa do Brincar, em São Paulo, que se define como um porto seguro para as crianças. Um ambiente cheio de livros, brinquedos, tanque de areia e parede de escalada fica à disposição da criança, com o objetivo de desenvolver a imaginação e estimulá-la, sem o rigor da escola. “Brincamos descalços na grama, entre árvores frutíferas e embalados pelo canto dos passarinhos. Na nossa Casa, as marcas de tinta nas paredes denunciam a bagunça que não pode ser feita no apartamento”, diz a descrição oficial do espaço.

Bebês a partir dos 6 meses já frequentam a Casa, nas aulas de música. De acordo com Luciane Motta, mãe de Valentina, e diretora da Casa do Brincar, pais estão convidados a participar das atividades. “Para estimular o vínculo familiar, todos são super bem-vindos. É um privilégio participar das brincadeiras das famílias”. Ela conta que uma parcela das crianças vai acompanhada das babás. São crianças que, normalmente, passam o dia todo com a cuidadora, mas cujos pais sabem da importância de atividades estruturadas e da convivência com outras crianças.

Em Curitiba, a Oficina da Brincadeira também oferece um serviço parecido. Caroline, mãe de Catarina e coordenadora geral de lá, diz que a ideia surgiu a partir das brincadeiras que fazia com a filha em casa e da importância que ela sempre deu à atividade. “As brincadeiras estimulam as crianças a respeitarem as regras, trabalham a liderança, a comunicação, além do raciocínio lógico, criatividade e imaginação”, aponta. O espaço atende crianças a partir de 3 anos, e educadores e pais que queiram participar.

8 ideias de brincadeiras para unir pais e filhos

Alguns buffets infantis também passaram a ter recreação fora das festas de aniversário. No Shopping Morumbi, em São Paulo, o Play Space  oferece o serviço desde 1998. No começo, muitos estranhavam a ideia de ter que pagar para brincar. O Buffet não queria ser visto como um espaço de conveniência, onde as crianças esperam os pais fazerem compras, mas como uma alternativa de lazer.

Se você tem tempo para estar com seu filho, consegue resolver o problema da falta de espaço mesmo sem contratar os serviços de um lugar especializado. Basta ser criativo. Você pode usar a área da cozinha para inventar receitas, a sala para montar uma barraca, o quarto para esconder objetos e fazer um mapa do tesouro… E, claro, passear num parque, tomar sorvete na praça e fazer uma viagem à praia. Mas, na falta de tempo, conte com ajuda externa – você não tem mais desculpas para deixar o filho dentro de casa na maior parte do tempo!

Lugares para Brincar

Oficina da Brincadeira – Curitiba, PR
Oferece brincadeiras no local
e em eventos em casas e escolas.
É necessário agendamento prévio para participar. Preço sob consulta. Atende crianças a partir dos 3 anos.
Av. Cândido de Abreu, 526 – sala 408
Tel.: (41) 3353-5619, oficinadabrincadeira.com.br

Gym For Kids – Ribeirão Preto, SP
Oferece aulas para promover
a consciência corporal
e habilidades sociais. Atende crianças a partir de 6 meses.
Rua Marechal Deodoro, 2349
Tel.: (16) 3441-2349, gymforkids.com.br

Casa do Brincar – São Paulo, SP
Não é necessária inscrição ou agendamento prévio. Quanto mais horas, menor o custo. De R$28
a R$50 por hora. Atende crianças
a partir de 6 meses.
Rua Simão Álvares, 951 – Vila Madalena
Tel.: (11) 3032-2323, casadobrincar.com.br

Piks – São Paulo, SP
Faz contação de histórias, pocket shows, teatros infantis, oficinas e aulas de culinária, costura e fotografia, entre outros. Crianças de até 4 anos devem estar acompanhadas de
um responsável.
Av. Brigadeiro Faria Lima, 2232
(Dentro do Shopping Iguatemi)
Tel.: (11) 3816-3957, piks.com.br

Play Space – São Paulo, SP
Espaço de recreação infantil onde também podem ser feitas festas
de aniversário. São cobrados R$17
a cada meia hora.
Avenida Roque Petroni Jr.,1089
(Dentro do Shopping Morumbi)
Tel.: (11) 5182-2688, playspace.com.br

Consultoria
Simone B. Carvalho, mãe de Rebeca e Rafael, é pedagoga.

Conheça também o Espaço Brincar, no SESC Belenzinho:

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