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E assim veio a depressão pós-parto

Soraia, mãe de Júlia e José, conta o que a depressão pós-parto trouxe para ela

Redação Pais&Filhos

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Tudo começou durante a gravidez do meu segundo filho… A gravidez em si, já é um momento complicado, ficamos mais fragilizadas, namoramos menos, nos sentimos menos atraentes, mais limitadas… É um momento em que a mulher acaba – mesmo que inconscientemente – se deixando um pouco de lado e adiando muitas coisas em nome da maternidade. E comigo não foi diferente!

Sempre fui uma mulher independente, resolvida… Mas em relação àquela gravidez, era tudo "muito" para mim. E assim, fui durante nove meses, criando vários fantasmas, e um deles era o de que com o nascimento do meu filho, eu me tornaria incapaz de fazer qualquer outra coisa, ora, se minha vida já era tão limitada por causa da barriga, o que seria dela depois que o bebê nascesse? 

Pois bem, tudo parecia normal… Fiz o enxoval, o quarto, tudo! Preparei com muito amor as malas para o hospital… 

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Foi realmente tudo dentro dos padrões. Meu bebê nasceu, senti aquela alegria enorme como a de quando tive a minha primeira filha, mas o que eu não sabia, era do pânico que me acometeria assim que eu chegasse em casa…

No dia de sair da maternidade, eu já não estava tão feliz, me sentia insegura, cheia de medos, e pensamentos como "o que eu faço quando chegar em casa?" Começaram a me rodear, até que me desesperei ao colocar os pés dentro de casa… A responsabilidade, as dores, o sono, os choros, as trocas, as mamadas, tudo me deixava atordoada e com isto, paralizei. Eu já não conseguia me comunicar muito bem, estava triste, me sentia só e achava que estava deixada de lado, que todos só tinham olhos para o bebê, me sentia enciumada e não queria que se aproximassem do pequeno. 

De cara, eu negava todo tipo de ajuda, mas tudo o que eu fazia tinha um peso enorme para mim. Nunca senti qualquer sinal de rejeição em relação ao meu filho, mas me sentia obrigada a fazer tudo por ele, apenas pela responsabilidade, eu mesma me cobrava muito, mas parecia que o mundo me cobrava… Eu tinha que ser uma mãe perfeita!

Quando meu filho tinha cinco dias, ele engasgou, ficou roxo, cheguei a pensar que fosse perdê-lo. O susto foi tão grande, me senti tão culpada, que depois disto tudo piorou… Eu tinha medo de dar de mamar, tinha medo de trocar, tinha medo de tudo, inclusive de ficar sozinha com ele.

Pois bem, como meu filho nasceu num mês de férias, minha sogra veio ficar comigo para me ajudar nesta primeira semana em casa, no sétimo dia, ela foi embora levando com ela a minha filha mais velha e no mesmo dia, meu marido voltou a trabalhar, pois ele havia se programado para ficar em cada nesta primeira semana. Na época, eu tinha uma assistente maravilhosa, que na ausência de todos, cuidaria de mim e me ajudaria com o bebê. Porém, no final daquele dia, quando ela veio se despedir de mim, ninguém mais estava em casa, me desesperei por saber que ficaria sozinha com o José mas não comentei com ela…

Depois que ela foi embora, tive uma dor de cabeça insuportável, tentei ligar durante 30 minutos para o meu marido e não consegui falar, neste meio tempo, deu o horário da mamada do bebê e eu estava realmente desesperada e vomitando… Chamei os bombeiros do condomínio, que constataram que eu estava com a pressão a 18X14 e me levaram imediatamente para o hospital. 

Aquilo foi horrível, meu filho não podia ficar comigo, tive que ligar para minha irmã, que ficou com ele durante os quatro dias que fiquei internada. Ainda no hospital, foi constatada a minha depressão… Mas eu não aceitava, pois sempre fui uma mulher informada, resolvida, graças a Deus com uma vida ótima, uma família perfeita! Do meu ponto de vista, isso tudo era inaceitável, mas eu não enxergava, até que ainda no hospital, meu marido me chamou atenção dizendo que eu precisava escolher não cair no poço, e que se isto acontecesse, o que seria dele e das crianças??? E esta frase era o que me afastava do poço todas as vezes que eu me aproximava dele…

Eu, por personalidade, não queria dividir este problema com a minha família, seria uma maneira de admitir que tinha algo que eu não admitia ter… Meu marido segurou a barra sozinho, devo muito a ele, que se levantava nas madrugadas para trazer meu filho para eu amamentar, que dava nele os banhos, que nos trazia os remédios, que colocava o meu prato, levava a nossa filha para a escola, fazia os deveres de casa com ela, enfim, que fez com que a nossa vida caminhasse neste período. Ele esteve ali o tempo todo, e foi o amor dele que não me deixou cair!

Hoje, vejo este período (aproximadamente 4 ou 5 meses)como um tempo de aprendizado, mas muito consciente de que uma pessoa quando se encontra em depressão pós parto, entenda que é fundamental que ela queira se ajudar, não se entregue jamais à situação e aceite a ajuda das pessoas que a amam.

Devo esta vitória ao meu marido pela ajuda, pela fé e por toda dedicação, e aos meus filhos por serem minha principal motivação

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