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De onde vêm os bebês?

Redação Pais&Filhos

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Antes, essa pergunta tinha uma única resposta. Hoje, é mais difícil explicar, pois as possibilidades são várias. Se não for possível fabricar um bebê da forma clássica, por alguma dificuldade do casal, descubra métodos que vão muito além da cegonha

Por Paula Montefusco, filha de Regina e Antonio

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Ser infértil não é o mesmo que ser estéril. No Brasil, 15% dos casais são inférteis, ou seja, têm dificuldade para engravidar, mas isso não significa que nunca vão conseguir. Existem vários tratamentos para tratar a infertilidade do homem ou da mulher, e o índice de sucesso é de 45 a 50% quando a mulher tem até 35 anos, e vai caindo conforme a idade. Então, antes de tudo, calma!

A Organização Mundial da Saúde só considera que um casal é infértil se não engravidou depois de 12 a 18 meses, com relações sexuais constantes, sem o uso de qualquer método contraceptivo. Parece óbvio, mas alguns já ficam nervosos nas primeiras tentativas! Mesmo que você esteja nessa lista, nada de desespero. Existem dezenas de causas que explicam a infertilidade tanto no homem, quanto na mulher e até no casal. Existem até os casais que já engravidaram uma vez e enfrentam dificuldade na segunda gestação. É a chamada infertilidade secundária.

A procura pelas clínicas de reprodução assistida não se restringe a esses casos, por lá passam também casais homossexuais que desejam constituir uma família, mulheres que querem ser mães solteiras e optam pela produção independente e até casais preocupados em gerar crianças livres de doenças graves que podem correr em um dos lados da família.

Quando a prática da reprodução assistida se popularizou, há décadas, a técnica era menos precisa e, por isso, os embriões inseridos no útero da mulher eram mais numerosos. Conclusão: grande parte das mulheres que passavam por um tratamento para engravidar, saía grávida de gêmeos (ou trigêmeos, quadrigêmeos…)

Com o aperfeiçoamento das técnicas utilizadas nas clínicas de fertilização, o número de embriões implantados foi caindo e a taxa de sucesso, subindo. Em 2010, o Conselho Federal de Medicina determinou uma diminuição no número de embriões implantados. Atualmente, para mulheres de até 35 anos são implantados dois embriões, dos 35 aos 40, três embriões e para mulheres acima de 40 anos, quatro embriões. Hoje em dia, a chance de conceber múltiplos após um tratamento é de 30%.

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Nas mulheres
Não importa qual seja o diagnóstico, a mulher sempre vai se sentir mais culpada por não conseguir engravidar. “É importante saber que a ‘culpa’, que nem pode ser chamada de culpa, é do casal. E não apenas de um dos dois”, diz o ginecologista José Bento de Souza, pai de Fernanda e Débora.

Nas estatísticas, a “culpa” também é bem dividida: 30% para os fatores femininos, 30% para os masculinos, 30% para fatores de infertilidade do casal e 10% para infertilidade sem causa aparente.

As causas para infertilidade mais comuns são: ovários policísticos, infecções tubárias, doenças sexualmente transmissíveis e endometriose. Todas essas causas basicamente impossibilitam a produção de óvulos pelo organismo da mulher, impedindo que o espermatozóide faça o seu caminho até ele, ou mesmo dificultando a passagem do óvulo já fecundado pelas tubas uterinas, tornando improvável a fixação no útero.

Nos homens
Existem alguns homens que se recusam a colaborar com o tratamento e não aceitam nem fazer exames simples, como a coleta de sêmen, achando que ser infértil afeta sua masculinidade. Na verdade, a maioria dos homens inférteis não apresenta nenhum distúrbio na atividade sexual.

O que justifica a infertilidade masculina na maioria dos casos é o menor número de espermatozóides e a dificuldade de mobilidade deles. O quadro mais comum é a varicocele, que acomete de 15 a 20% dos homens, e se trata de veias calibrosas nos testículos. Elas lembram varizes, mas costumam ser invisíveis. Outros problemas envolvem obstrução dos canais por onde o sêmen passa até sair. Já a azoospermia indica ausência de espermatozóides no sêmen.

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Tipos de tratamento

– Coito programado: nele, é utilizado um medicamento que aumenta a ovulação da mulher. A partir de então, o casal deve fazer sexo de dois em dois dias ou mesmo diariamente, durante o período de ovulação.
Quando é feito: quando o muco que reveste a vagina da mulher desfavorece a mobilidade e sobrevida dos espermatozóides.
Taxa de sucesso: 15 a 18% por ciclo menstrual.

– Inseminação artificial: é a inserção do espermatozóide, na data programada pelo médico, no útero da mulher, ou seja, o espermatozóide é colocado no útero quando a mulher está ovulando.
Quando é feito: quando o muco que reveste a vagina da mulher desfavorece a mobilidade e sobrevida dos espermatozóides.
Taxa de sucesso: 10 a 25%.

– Fertilização in vitro: os médicos retiram o óvulo da mulher, o espermatozóide do homem e, após a fecundação, inserem o chamado “pré-embrião” no útero da paciente.
Quando é feito: é recomendável em caso de obstrução nas tubas uterinas, infertilidade sem causa aparente ou endometriose avançada.
Taxa de sucesso: 30 a 60%

O que não é permitido no Brasil

– Fazer a sexagem, que é a escolha do sexo do embrião que será implantado no útero da mulher;
– Colocar dois ou mais embriões em mulheres com menos de 35 anos. Mulheres nesta faixa etária apresentam condições de sobrevida mais viáveis ao embrião. Além disso, ainda não estão no grupo de gravidez de alto risco, a menos que apresentem alguma doença crônica como diabetes ou hipertensão, ou tenham um quadro de complicação típico da gravidez como pré-eclampsia ou eclampsia;
– Vender gametas como óvulos e espermatozóides;
– Pagar por uma barriga de aluguel, termo para designar uma mulher que recebe em sua barriga o embrião que não possui seu material genético, mas a carga genética de um casal que pagou pela “hospedagem” em seu ventre. A prática é permitida somente em caráter solidário, por mulheres que têm parentesco de primeiro ou segundo grau com o casal interessado, com exceção dos estados de São Paulo e Minas Gerais, onde o contato pode ser estabelecido por mulheres que já tenham um vínculo, mas não são parentes. Em ambos os casos não pode haver remuneração;
– Divulgar ao casal que busca um filho os nomes dos doadores de óvulo ou espermatozóide.

Quanto custa?

– O espermatozóide: de R$ 1.500 a R$ 2.000 no banco de sêmen;
– O óvulo: não é possível calcular porque é preciso pagar o ciclo de reprodução e mais o ciclo da paciente;
– Fertilização in vitro: R$ 10.000*;
– Inseminação: entre R$ 2.000 e R$ 2.500*.

* não inclui os remédios necessários. Os números são baseados em uma média feita a partir do orçamento de diferentes clínicas.

Consultoria: Gerson Matasas, pai de Silvio e Gabriela, pediatra do Hospital Samaritano, tel.: (11) 3821-5300  Helena von Eye Corleta, mãe de André, Felipe e Ana, ginecologista especialista em reprodução humana, coordenadora do Gerar – Núcleo de Reprodução Humana do Hospital Moinhos de Vento, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, (51) 3314-3496   José Bento de Souza, pai de Fernanda e Débora, ginecologista, obstetra e especialista em reprodução humana  Marcelo Vieira, pai de Lucas, Mateus, Gabriel, urologista do Hospital Samaritano, médico do projeto ALFA (Aliança dos Laboratórios de Fertilização Assistida), responsável pelo diagnóstico e tratamento da infertilidade masculina do Hospital Pérola Byington, tel.: (11) 3515-7909  Márcio Coslozsky, pai de Beatriz, diretor-médico da clínica de reprodução humana Huntington, tel.: (21) 2247-0818

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