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Blue jeans

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Das minas de ouro na Califórnia do século 19 às prateleiras refinadas das grandes capitais, o jeans reina imbatível por mais de um século

Por Noelly Russo, filha de Nice e Nelson

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Ele é um sobrevivente: aguenta as brincadeiras em tanques de areia, não se suja com qualquer poeirinha, resiste bravamente se é usado para engatinhar ou se arrastar de bumbum no chão, e tudo isso com muita flexibilidade e conforto.

Essa é a descrição do velho e sempre na moda jeans, que começou como cobertura para barraca de mineiros e hoje é um verbete à parte em qualquer dicionário de moda. O jeans surgiu do senso prático de um comerciante judeu alemão em 1853, Levi Strauss, que, junto do cunhado, David Stern, percorria o oeste norte-americano, oferecendo produtos para os que se aventuravam na corrida pelo ouro na região.

Eles ouviam constantemente as reclamações dos mineradores de que não havia tecido que resistisse às duríssimas condições de trabalho na região. Ele costurou um par de calças com um tecido que era tradicionalmente usado para cobrir as barracas dos mineiros.  A ideia deu certo e, a partir daí,  os dois aumentaram a produção para atender aos consumidores que apareciam a cada dia.

No início, o jeans não era azul, tinha cor meio bege, meio marrom. Em 1872, o rebite, marca registrada dos jeans, foi usado pela primeira vez, para reforçar a costura das calças. O acabamento só aumentou a procura pelos produtos e, no ano seguinte, Levi Strauss patenteou o modelo “waist overalls” (macacões na cintura) com rebite de cobre. Seu uso rapidamente se espalhou para norte, sul e leste, e chegou à clientela que o elevaria, anos mais tarde, ao status de ícone fashion: as mulheres.

Rumo ao estrelato

No início da Primeira Guerra Mundial, a marca criou calças com culotes imensos, balonês, para atender às mulheres, que estavam envolvidas em diversas atividades relacionadas à guerra. A primeira linha feminina da Levi’s apareceria mais tarde, em 1935. Ainda no século anterior, Levi Strauss criaria a primeira marca fashion americana: o 501, número do lote de tecido usado para a criação dos macacões. Com a grande depressão de 1929, o couro, usado pelos fazendeiros, rareou, e o jeans foi o substituto perfeito para o trabalho no campo.

Desde sua criação até os anos 50, o jeans estava ligado a trabalho e funcionalidade. Era uma peça de roupa com uma missão: durar bastante e resistir às duras condições de trabalho a que era submetido. Os anos 50 mudaram tudo isso.

Marlon Brando usou um par de jeans em “O Selvagem”, que retratava a história de um grupo de motoqueiros rebeldes. Estava feita a ligação entre o jeans e a contestação.  No ano seguinte, James Dean consagraria a relação entre jovens e o jeans em “Juventude Transviada”. Os anos 60 e 70 viram praticamente todas as estrelas de rock vestindo jeans. Os próprios Beatles, inicialmente vestidos com terninhos, acabaram adotando o jeans em seu repertório. Na época, rock e rebeldia andavam lado a lado.

Os macacões e as calças jeans se tornaram também parte integrante do guarda-roupa infantil. As primeiras produções de TV mostravam os meninos quase sempre de jeans. Em séries clássicas como “A Feiticeira”, “Jeannie é um Gênio” ou “I Love Lucy”, os meninos encapetados vestiam jeans, enquanto os comportados usavam ternos de calças curtas. Nessa época, o tecido ganhou outras marcas que se tornaram gigantes, como a Lee e a Mustang. Mesmo depois de 30 anos, a combinação jeans-tênis-camiseta não encontrou substituto tão universal, democrático e versátil.

A década de 60 mostrou o quão sexy podia ser o jeans. Entre as divas que o adotaram nas telas e especialmente fora delas, Marilyn Monroe foi a que elevou o jeans ao status fashion. Coube a Calvin Klein a tarefa de levá-lo às passarelas, no corpo das top models. A ideia não foi muito bem recebida por fashionistas e editores de moda mais conservadores, que consideravam o jeans feito para as ruas. Calvin Klein foi um dos precursores na quebra de um paradigma do jeans: o de ser barato. Mais bem desenhado e com status de grife, seu valor aumentou.

Armani, Gucci e Fiorucci vieram logo em seguida. Nos anos 80, ter um Fiorucci ou um Pierre Cardin no armário era sinal de status. No Brasil, a Soft Machine identificava os descolados. Zoomp e Forum surgiram como alternativas nacionais ao jeans de grife. As décadas seguintes foram generosas com o jeans. Lavagens diferentes, apliques e costuras o mantiveram na ordem do dia. Ele se mostrou também eclético para ganhar novas formas, mais femininas. Saias, vestidos e shorts foram criados para atender às mulheres, que buscavam conforto e jovialidade, características que nunca deixaram de acompanhar o tecido.

Hoje, praticamente todas as grifes importantes têm um segmento forte de jeans, ainda que seja em suas coleções de pret-à-porter. Há butiques especializadas e novas marcas dedicadas à criação e experimentação com jeans. Também é material para biquínis, móveis, cadernos e toda a sorte de objetos. Ganhou novas cores e texturas. É usado em escolas, no trabalho e para passeios e jantares. O início do século 21 abriu as portas para que o jeans continue a reinar, aparentemente, por prazo indeterminado nos nossos guarda-roupas. A senha para seu sucesso neste século vem do mantra: “Um bom jeans, um boa camisa e você está pronto”.

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A História do Jeans

1853 – Criação do jeans por Levi Strauss. O tecido era resistente, feito para os mineradores do oeste norte-americano.

1872 – Pela primeira vez, o rebite é usado para reforçar a costura das calças. Ele se torna a marca registrada do jeans.

1935 – Lançamento da primeira linha feminina da Levi’s.

1953 – Marlon Brando encena o filme “O Selvagem” com um par de jeans. O tecido agora está ligado à contestação.

Anos 60 – Nos anos 60 e 70, quase todos os astros do rock vestiam jeans. Os Beatles, por exemplo, substituíram os terninhos que usavam pelo tecido.

Anos 70 – Nas séries de TV da época, como “Jeannie é um Gênio” e “A Feiticeira”, as crianças menos comportadas apareciam de jeans.

Anos 80 – Algumas grifes passaram a produzir jeans e ele deixou de ser um item barato. As primeiras foram Calvin Klein, Armani, Gucci e Fiorucci.

Anos 90 – Ganhou novas lavagens, apliques e costuras, além de novos formatos: saias, shorts e vestidos.

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Blazer, Peti-Palé, R$ 190

Calça, Brandili, R$ 79,90


Jaqueta, Hering Kids,  R$ 59,90


Short, PUC, R$ 79,90


Tênis, Tip Top, R$ 39


Calça, Junior Authentic Kids, R$ 102,40


Calça, You, R$ 105


Vestido, Princess, R$ 156

Brandili, tel.: (11) 5096-2957, www.brandili.com.br; Hering Kids, sac 0800473114, www.heringkids.com.br; Junior Authentic Kids, tel.: (47) 3340-8022, www.juniorkids.com.br; Kids'Place, tel.: (41) 3343-7791, www.kidsplacemoda.com.br; Peti-Palé, tel.: (44) 3024-4151, www.petipale.com.br; Princess, tel.: (19) 2121-4087, www.princessbydalilatoledo.com.br; PUC, sac 0800-473114, www.puc.com.br; Tip Top, SAC 0800-160025, www.tiptop.com.br; Tweens, tel.: (61) 3349-0439; You, tel.: (11) 5182-3142, www.youbymo.com

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Para saber mais


Moda: Uma História para Crianças, de Katia Canton

Um relato sobre o modo de viver de várias épocas a partir das roupas usadas em diferentes fases da história. Um dos capítulos do livro é dedicado ao jeans e sua trajetória do oeste norte-americano às passarelas da moda.
Ed. Cosac Naify, R$ 49
www.editora.cosacnaify.com.br

Irmandade das calças viajantes, de Ann Brashares
Quatro amigas adolescentes iriam passar o verão separadas. Então, elas resolvem fazer um pacto e dividir uma calça jeans, criando todo um código para a Irmandade. A série Calças viajantes tem outros três títulos.
Ed. Rocco, R$39,50
www.rocco.com.br

Cruzadas em Jeans, de Thea Beckman
O garoto Rodolf Heftling se envolve em uma aventura na Idade Média, durante a época das cruzadas. Vestindo seu inseparável jeans, ele acompanha a peregrinação de milhares de crianças dessa época rumo a Jerusalém.
Ed. Nova Alexandria, R$36
www.novaalexandria.com.br
 

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