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A união faz a força

Os irmãos Luiza e Daniel queriam muito um urso de pelúcia. Juntos conseguiram!

Redação Pais&Filhos

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Meus filhos fizeram uma coisa muito legal.

Noutro dia fomos ao shopping e eles se encantaram por uma loja de bichinhos de pelúcia. Na verdade, uma loja de construir bichinhos de pelúcia e de acessórios para os mascotes. Um sonho, fato. Luiza, de 10 anos, tinha acabado de ganhar a semanada, R$10, e achou que pudesse, com aquele dinheiro, emplacar um ursinho. Não dava, claro. O vendedor disse que, no mínimo, ela precisaria de uns R$40 a mais, para sair de lá com o fofinho debaixo do braço. Daniel, de 6 anos, até então observava com olhinhos pidões.

Ela ficou desolada com a informação, o irmão entrou na queixa e também pediu. Eles queriam muito um ursinho. Aí, sabe quando a gente tem um estalo e percebe que está diante de uma situação que não se pode deixar escapar? Então, foi quando propus: "por que vocês não juntam um dinheiro e vêm aqui, juntos, e montam o ursinho?" Toparam na hora e começaram a fazer contas. Precisariam de uns dois meses economizando parte da semanada e mais uns troquinhos para chegar no objetivo. Logo depois, Luiza lembrou que não tinha gastado todo o dinheiro do lanche e ainda havia umas sobras nas bolsas. Talvez, assim, precisassem de menos semanas. Dois meses é tempo demais para crianças apaixonadas. Àquela altura, somando tudo, já tinham cerca de 35 reais.

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Chegando em casa, lembrei do cofrinho coletivo, que fica na cozinha e recebe todas as nossas moedinhas. Estava ali para aquelas emergências domésticas, mas achei que a causa era nobre. Comuniquei aos dois que podiam usar o conteúdo do mealheiro para o projeto bichinho de pelúcia. Os filhos sentaram na mesa de jantar, viraram o cofre, esparramaram todas as moedas e começaram a fazer montinhos de R$1.

Alegria geral: quase 20 reais ali. Já tinham mais de 50 no total. O ursinho estava garantido. Aí, somando semanada, uma ajudinha aqui e outra ali, conquistaram mais de 80 reais até o final da semana seguinte. Quase tudo em moeda. Prometi que no dia que o dinheiro estivesse certinho, eu mesma os levaria ao shopping. E o dia aconteceu no último 5 de agosto.

Tanta ansiedade, olhos arregalados, respiração acelerada. Luiza agarrava a bolsa com o tesouro em moedas contra o peito para ter certeza de que nenhum centavinho ia escapar. Daniel ia na frente, desbravando os caminhos e avisando: é por aqui, por ali, chegamos! Juntos, escolheram o corpo, a música que vai dentro da mãozinha do urso, decidiram que ele seria médio. Nem gordão, nem magrinho. Separaram dois corações, fizeram um pedido (que não me foram revelados até hoje) e depositaram os simbolozinhos de amor no recheio do mascote. Ainda em parceria, deram banho, escolheram duas peças de roupa (ela, uma pólo rosa, ele, um casaco com capuz vermelho e preto) e enquanto preparavam uma certidão de nascimento no computador da loja, eu e a mocinha hipersimpática e paciente do caixa contávamos cada uma das moedas. Luiza passara a semana contando e recontando e afirmava sem réstia de dúvida: tem R$ 85,35. Fato. Era exatamente o que tinha.

No mesmo instante que concluímos a operação de compra, Luilui e Dani vieram correndo para contar que o urso já tinha nome. Vocês hão de convir que batizar um filho tão esperado é mesmo uma tarefa árdua. Ainda mais quando os pais combinam que ele não podia ser menina nem menino. Mas criança é muito ligeira para resolver esses nós e o urso ganhou o nome de Nutella, nada mais apropriado, certo?

PS: Nutella dorme uma noite com cada um. E, ontem mesmo, Dani lembrou que era dia da Lui dormir com o Nut. E mesmo com a irmã já dormindo, foi ao quarto dela e colocou o ursinho sob seus braços pesados de sono, desenhando um abraço. Depois virou para mim e disse: “amanhã eu durmo com ele”. Simples assim.

Elisa Marconi, mãe de Luiza e Daniel, é jornalista

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