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10 coisas que um pai de menino aprende

Claro que o sexo do filho influencia no tipo de pai que você vai ser

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

por Nivia de Souza, filha de Tania e Renato

O meu pai é pai de menina. Sou a filha mais velha e, um ano depois, minha irmã Flávia nasceu. Ele tinha a vantagem de sempre poder almoçar em casa com a gente – assistindo ao desenho O Fantástico Mundo de Bobby ou ao seriado Blossom –, entre um emprego e outro. Depois do almoço, a gente começava a se preparar para ir para a escola. Eu e a Flávia dávamos trabalho para o nosso pai. Tínhamos uma coleção de tiaras coloridas e enfeites de cabelo. E era ele quem fazia os nossos penteados – saía até rabo de lado.

Isso não é exclusividade da minha família. Se você é pai de menina também, com certeza, já aprendeu a ser cabeleireiro, bailarino e príncipe. É ou não é? E, se for pai de menino, já deve ter inventado uma luta improvisada com cabos de vassoura ou fingido ser adulto o suficiente para interromper o jogo de futebol na sala.

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Será que pai de menina é mesmo diferente de pai de menino? Conversamos com alguns deles para entender esse amor de pai.

É menino ou menina?

Quando Felipe Penna, pai de Eduardo, ficou sabendo que sua mulher carregava na barriga um menino, parecia que o time de futebol dele tinha feito um gol. “Dei um grito e levantei os braços, igualzinho”, conta. Preferir um menino ou uma menina é normal. Faz parte dessa idealização que os pais constroem em cima do filho que está chegando.

Você pode até pensar que os pais preferem os meninos e as mães meninas, mas não existe uma regra. O importante é não deixar que essa preferência vire exigência. Pais frustrados com o sexo do bebê começam em desvantagem. ,

O jornalista Guilherme Fuoco soube, na sala de ultrassom, que quem estava vindo para mudar a sua vida era a Laura, e não o Lucas, como ele desejava. “Fiquei chateado. Achava que seria mais fácil ensinar para um menino as coisas que aprendi com meu pai”, assume. Aos poucos, se acostumou com a ideia. Hoje, pai e filha moram na casa dos avós paternos, num grude só. Guilherme concilia a vida de jornalista e professor de inglês com enfeites de cabelo e brincadeiras de casinha. A menina participa ativamente da vida do pai, tanto que estava em seu colo até durante o discurso na colação de grau da faculdade.

Já o vendedor Caio Melo, filho de Anália e Renato, sempre quis ter uma menina. Na verdade, um casal, mas sempre com a filha sendo a primogênita. E teve. “Durante a gravidez, eu evitei fazer alardes. Torcia e suspeitava que fosse uma menina”, diz, sem saber explicar. E vontades por acaso se explicam?

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Pai presente

Caio e Guilherme falam de seus sentimentos, orgulhos, experiências e dilemas nos blogs que mantêm sobre a paternidade. Sim, neste universo de mães blogueiras, ambos conseguem ocupar seu espaço e mostrar que os pais estão cada vez mais participativos. “Muitas pessoas se espantam com a minha necessidade de ser parceiro da minha esposa em tudo o que diz respeito à nossa casa e à nossa filha”, aponta Caio.

E não é só na internet que eles têm conquistado mais espaço. Dentro de casa também. Tem até os que vivem a gravidez de suas mulheres de forma mais intensa, com quilinhos extras, sintomas e tudo. De acordo com a psicóloga Miriam Barros, mãe de Thiago e Felipe, os pais têm se esforçado mais para construir suas relações com os filhos, independente do sexo deles. “O pai tem que estar presente e disponível como homem e como pai. Se ele acompanhar todas as fases, constrói a relação”.

Muitos pais se surpreendem – e até se incomodam – com a ligação quase automática que existe entre as mães e os filhos por conta da gestação e da amamentação. Mas competir por esse amor não faz bem a ninguém. Tanto meninos quanto meninas, vão se identificar com o pai. “Entregar-se de corpo e alma àqueles momentos que passamos com os filhos cria uma conexão incrível entre nós e nossas crias, fazendo com que elas se identifiquem conosco. A partir daí, é inegável que se espelhem durante o desenvolvimento”, argumenta Caio.
 
Se antes os pais eram vistos como a pessoa autoritária e controladora do núcleo familiar, hoje a constituição das famílias mudou e os pais também. Mas Dimas Forchetti, pai de Matheus, sente que as escolas ainda não estão acostumadas com a presença e a participação dos pais na vida das crianças. “Eles não sabem como lidar com isso, até hoje”, acredita. Se isso acontece nas escolas, não é a mesma coisa que se vê nas clínicas dos pediatras. Nosso consultor Claudio Len, pai de Fernando, Beatriz e Silvia, incentiva os pais a participarem cada vez mais das consultas, porque isso estimula o vínculo. “Os pais vêm muito ao consultório, há até os que vêm sozinhos com os filhos. E por que isso é importante? Porque a criança cria vínculo com aquele que é presente”, diz o pediatra.

Mesmo com todas essas mudanças, as mulheres ainda são vistas como o sexo frágil. Isso explica a tendência dos pais de meninas de proteger mais suas princesas e serem mais companheiros dos filhões. “Fiquei com vontade de ter uma conversinha com o par da Laura na dança da festa junina”, brinca Guilherme.  

De acordo com a psicóloga Triana Portal, mãe de Michaela, essa questão é cultural e depende muito de como o pai enxerga o menino e a menina. Para ambos os sexos, geralmente, o pai é o primeiro contato com o masculino e interfere na formação da personalidade e no comportamento das crianças.

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As princesas e os filhões

Para as meninas, ele vai se tornar uma espécie de inspiração inconsciente para a escolha de seus futuros namorados ou maridos. Já com os meninos, é a partir deste relacionamento que eles irão projetar-se como pai no futuro. Apesar da possibilidade de competição entre pai e filho, a figura paterna também serve como exemplo. “Muita coisa que ele acaba fazendo e gostando é por observar meu comportamento, por mais que eu não tenha mostrado diretamente a ele”, afirma Dimas. O artista plástico tem mais de 30 tatuagens e Matheus vive pedindo para que o pai desenhe em sua pele. “Eu adoro, pois sei que é uma parte de mim que ele gosta. Ele não vê isso em outros lugares. Fazemos como brincadeira e não como doutrina”, explica.

Para alguns pais, o comportamento seria diferente se o filho fosse de outro sexo. “Muda bastante o conteúdo dos nossos pensamentos, projeções, medos e expectativas de acordo com o sexo do bebê”, acredita Caio. Dimas não concorda. “Eu acho que não seria um pai diferente se fosse pai de uma menina. Talvez, mais para frente, seria ciumento”.
 
É preciso oferecer oportunidades de vivências diferentes para as crianças, de acordo com os gostos e preferências de cada uma. Claro que as meninas tendem a preferir brincadeiras mais calmas e comunicativas e os pais vão aprender a brincar de escolinha, boneca, princesas. Ou não. Ricardo Loew, pai de Teresa, ensinou a filha a fazer as suas brincadeiras favoritas de infância. Resultado? Ela adora se fingir de pirata, vestir roupas de super-heróis e falar de monstros. A parte menininha, dos batons e fitas de cabelo, fica por conta da mãe. Isso não quer dizer que o pai não saiba fazer um penteado também!

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10 Coisas que um pai de menino aprende
por Dimas Forchetti, pai de Matheus

1. Você é um herói, mesmo sendo o vilão nas brincadeiras.
2. Você sempre perde. Mesmo quando ganha.
3. Colocar o kimono de judô com ele dormindo.
4. Um ursinho de pelúcia pode te vencer em uma “luta”.
5. Você é o instalador oficial do videogame.
6. Aprendi que, mesmo com 3 anos, ele já diz ter mais namoradinhas do que eu tive a vida toda.
7. Que você é forte e enorme, mesmo tendo 1,70m de altura.
8. Que ainda acha os brinquedos da loja o máximo.
9. Uma espadada de uma espada de plástico pode doer demais.
10. Qualquer lugar é gol.

10 Coisas que um pai de menina aprende
por Guilherme Fuoco, pai de Laura

1. Prender e arrumar o cabelo da filha.
2. Higiene das partes genitais da menina.
3. Conhecer os brinquedos de meninas.
4. Noções básicas de balé.
5. Passar batom e gloss (já fui cobaia).
6. Brincar de casinha.
7. Odiar os menininhos. De qualquer idade.
8. Ter paciência com outros pais de meninos.
9. Não ter ciúmes da avó.
10.Amar incondicionalmente.

Blogs Paternos
Eles também têm o que dizer e invadiram a blogosfera!

Papai Jovem, de Guilherme Fuoco, pai de Laura
papaijovem.wordpress.com

Pais Modernos, de Caio Melo, filho de Anália e Renato
paismodernos.com.br

Sessão da Tarde
Filmes que relatam a relação do pai com os filhos.

• O Rei Leão (1994)
Um clássico da Disney. Simba, um pequeno leão herdeiro, tem admiração e é companheiro de seu pai, Mufasa. Mas, ao cair nas artimanhas de seu tio Scar, que deseja o poder do reino, ele passa por uma experiência que muda sua vida.

• Uma Babá Quase Perfeita (1993)
Daniel Hillard é um divertido pai que, após a separação, é impedido de ter mais tempo com os filhos. Por isso, tem uma ideia maluca: veste-se de mulher para estar ao lado das crianças mais vezes.

• O Pai da Noiva (1991)
George Banks é um pai de família que entra em surto ao saber que sua única filha está de casamento marcado. É uma refilmagem de um filme de 1950, estrelado por Elizabeth Taylor.

• Procurando Nemo (2003)
O vencedor do Oscar de Melhor Animação conta a história de Nemo, um peixinho que, ao desobedecer o pai, acaba se perdendo. Sendo assim, o paizão Marlin começa uma grande busca por seu filho.   

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Complexo de Édipo

Quando as crianças passam pela fase fálica, na segunda infância, a psicanálise afirma que elas vivem o Complexo de Édipo.

Esta parte do desenvolvimento infantil, em que os meninos estão mais ligados às mães e as meninas aos pais, é o momento em que elas percebem as diferenças entre os sexos. “Os meninos aceitam isso e passam a se identificar com o pai”, diz a psicóloga Miriam Barros, mãe de Thiago e Felipe.

Em geral, ao passar pelo Édipo, as meninas passam a disputar espaço com as mães no relacionamento com os pais e vice-versa.

O conceito foi descrito por Sigmund Freud (1856-1939), o fundador da psicanálise, e foi inspirado na tragédia grega Édipo Rei, em que Édipo, sem saber, mata o próprio pai, Laio, e se casa com sua mãe Jocasta. Ao saber do acontecido, Édipo fura os próprios olhos e sua mãe comete suicídio.       

Consultoria: Maurício Pinto, pai de Liz e Ian, é psicólogo, tel.: (11) 3578-7836. Miriam Barros, mãe de Thiago e Felipe, é psicóloga e terapeuta de casais e família, tel.: (11) 4506-6610. Triana Portal, mãe de Michaela, é psicóloga, tel.: (11) 3739-3140, trianaportal.com.br.

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