Gravidez

Sexo frágil

Você, seu parceiro e mais ninguém. A vida sexual é uma até que a barriga surge

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Sabe qual o método anticoncepcional mais eficaz depois que a gente tem filho? Ele próprio, o filho. É piada, claro, mas é isso que rola com muitos casais logo que o bebê chega ou ainda antes, na gravidez mesmo. A palavra sexo serve, no máximo, para identificar se o rebento, que vem aí ou acabou de chegar, é menino ou menina…

Nessa fase, a sua sexualidade e a relação com o companheiro vão mudar mesmo, bastante. A transformação é mais aguda logo no início, mas, na real, você nunca mais vai transar exatamente do mesmo jeito que antes da paternidade. Vai ter sempre gente dormindo no quarto ao lado… Outra piada bem ilustrativa: sabe a função da vaselina para quem tem filho grandinho? Passar na porta para a mãozinha escorregar!

Pois é, prepare-se. A partir do resultado positivo, a mudança já começa. As transformações no corpo e a enxurrada de hormônios (no caso da futura mãe), a sensibilidade à flor da pele e os medos e a expectativa com a chegada da criança (que atingem os dois) são só alguns dos fatores que interferem pesado na libido do casal.
Mas não é por isso que vocês vão declarar voto de castidade. Claro que não, por favor! Com um pouquinho de vontade, carinho e, acima de tudo, amor, sexo não será palavra proibida no vocabulário de vocês.

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Enquanto o bebê não vem
Você pode até pensar que preocupação excessiva é coisa de mulher e que homem sempre está a fim de transar em qualquer situação. Não é bem assim. Durante a gravidez as neuras mais absurdas em relação ao sexo vêm deles e não delas.

“Muitas vezes os homens não sabem o que fazer. Por preconceito e falta de informação mesmo. Ficam com medo de machucar a mulher e o bebê e acabam não sendo espontâneos”, afirma Felipe, pai de Lia e Dora. Ele e a mulher seguraram bem a onda. No começo os dois não sabiam muito bem quais eram os limites, mas depois de algumas tentativas acharam posições confortáveis para os dois.

Com o novo cenário se desenhando, a cabeça do futuro pai vai a mil. A responsabilidade de cuidar da família e garantir o bem-estar de todos muitas vezes são um empecilho na hora da transa. Quem consegue relaxar pensando na futura mensalidade do colégio, do inglês e da natação? Pois é. Mais tarde a preocupação vai ser com a presente mensalidade do colégio, do inglês e da natação. Sacou como muda? Mesmo que a mulher também trabalhe, o homem ainda pira com o lance de ser o provedor e tal.

E isso nem é nada. Para piorar, alguns misturam as imagens de mãe e mulher. “O homem pode ficar mais retraído porque associa a parceira à figura assexuada da mãe, e aí perde o tesão mesmo”, explica a psicóloga Eliana Pommé, mãe de Luana, Naila e Petrus. Não é segredo que o rei do rock Elvis Presley, que fazia multidões de mocinhas terem pensamentos impuros com os movimentos de sua famosa pélvis no palco, não teve mais relações com Priscilla Presley depois que ela engravidou de Lisa Marie. “Não transo com mãe”, disse. Ninguém merece.

No Manual do Homem para Sobreviver à Gravidez (ed. Gente), de autoria de Michael Crider, criador de um site de humor sobre cinema, o título do capítulo sobre o tema é revelador: Sexo é palavrão. “Vocês aí estão esperando que eu fale de sexo durante a gravidez, pode esquecer. Minha mãe vai ler este livro.” Sentiu o drama?

Hormônios, sempre eles
No entanto não adianta o seu companheiro ser supercompreensivo, te achar linda grávida se você ficar toda encanada com os efeitos da gestação. Além dos quilos a mais, náuseas, sono e cansaço são os principais vilões durante os primeiro trimestre. Antes de pensar em tirar a roupa, você já dormiu. É o efeito colateral dos altos níveis de progesterona, um hormônio potente, que invade seu corpo. Passam os meses, a cintura vai embora, os quadris aumentam, a celulite aparece e você pode se achar horrível. Mas, muitas vezes, essa neura é só feminina, ainda bem. Para alguns homens, ver a mulher com peitão pela primeira vez na vida é um estímulo a mais. Sem contar que não tem risco de engravidar a moça. Ela já está grávida.

Do ponto de vista psicológico, também não há só desvantagens: é um período de extrema felicidade para o casal. Kika Dias encarou numa boa essa fase e conseguiu curtir com o marido. “No começo da gravidez fiquei até mais tarada. Já com uns cinco, seis meses começa a complicar um pouco. Tudo fica mais limitado por causa da barriga. Mas a gente se divertia com tudo. Um dia tive um ataque de riso quando me vi em uma posição péssima no espelho do meu quarto”, conta Kika.

Manter essa relação de cumplicidade e contato ajuda muito, e tira o foco da ansiedade e da angústia, naturais enquanto o bebê não vem.

E já que é tão gostoso, por que não? Sexo durante a gravidez não tem contra-indicação (com exceção dos casos de gestação de risco) e se for feito de forma carinhosa e tranqüila só vai te fazer bem.
É claro que você não vai fazer peripécias sexuais nem tentar todas as posições do Kama Sutra. Alguns cuidados são importantes para manter a sua saúde e a saúde do bebê. “Não é aconselhável fazer sexo violento nem penetrações profundas.

O melhor é buscar posições em que a penetração seja mais leve“, explica o ginecologista Alberto D’Auria, pai de Alberto e André. Muitos médicos recomendam suspender as relações sexuais quinze dias antes, para evitar que a bolsa rompa antes da hora. Mas essa recomendação não é unânime; na dúvida, o de sempre: pergunte ao seu médico. Não precisa ter vergonha. Ele está mais do que acostumado.

Fabíola Oliveira ficou tão à vontade com a gestação que manteve relações com o marido até duas semanas antes do parto. A criança, que estava encaixada, mudou de posição e por pouco ela não precisou fazer cesárea. Fabíola acha até hoje que foi por causa de toda aquela movimentação.

O terceiro elemento
Ele chega abalando as estruturas. Precisa de atenção, cuidado e dedicação em tempo integral. Recém-nascido em casa é trabalho duro. E aí que o bicho pega pra valer. A mulher mal consegue pregar os olhos e o marido já está lá, todo aceso, pronto para retomar as atividades. Mas não é tão fácil assim. O nascimento de um filho pode ser uma prova de fogo para a relação.

“Não é porque passamos a ser pais que deixamos de ser casal. São coisas diferentes que devem ser preservadas para que a relação não se desbalanceie“, diz Luiz Rivoiro, autor do livro Pai É Pai (ed. Publifolha).  
O período de “resguardo”, em que a mulher não pode fazer sexo, varia entre 20 e 40 dias (a famosa quarentena das nossas avós), tanto para parto normal quanto cesárea. O prazo pode ser mais ou menos longo de acordo com a recuperação e o bem-estar da mãe. Tudo certo, o médico já liberou, é hora de homem e mulher terem paciência, jogo de cintura e sensibilidade para não se deixarem de lado.

“Com o nascimento do bebê, a vontade diminui muito, a gente fica até parecendo um ser assexuado”, conta Beatriz Toledo. Mas, apesar dos incômodos, dois meses após o nascimento da filha, Beatriz já retomou as atividades sexuais. “Voltar a fazer exercícios me ajudou muito. Tenho mais pique e auto-estima”, conta ela, que viu na atividade física uma maneira de não deixar o casamento para trás. É o óbvio, que não custa repetir: se você fica bem com você mesma, tudo vai melhor sempre.

Desgruda desse bebê!
Além das alterações físicas, outro fator é a proximidade da mãe com a criança. “Durante os três primeiros meses a mulher tem uma relação de simbiose com o filho, um envolvimento natural e importante para o desenvolvimento do bebê”, afirma a psicóloga Ângela Clara Côrrea, mãe de Vinícius.

Apesar de esse apego ser necessário, a mãe não pode esquecer que ela também é mulher e que, passado o período de adaptação com o bebê, é fundamental para a saúde do relacionamento a retomada das atividades sexuais. Como respondeu uma vez a psicanalista de Emma Pardo, mãe de Davi, quando ela disse que sentia uma satisfação “quase sexual” ao embalar o filho: um bebê não é um pênis, certo? “Quando ela falou isso, a ficha caiu na hora”, conta Emma, caindo da risada. “E o pior é que eu adoro transar com ela nessa fase: ela fica ainda mais bonita, com um corpo maravilhoso”, entrega Lourenço, o marido.

Após o parto, o marido precisa mesmo mostrar atenção e interesse e, principalmente, levantar o moral da mulher, que além de estar com o tesão em baixa também enfrenta um verdadeiro drama para voltar ao corpo de antes. “O apetite sexual não envolve só o corpo. O parceiro precisa valorizar as qualidades da mulher. Ela tem de sentir que é desejada”, garante Eliana Pommé.

Outro papel que também cabe ao homem é de cortar os laços embrionários de mãe e filho e agir como elemento separador entre o papel de pais e o papel de marido e mulher. E aí, como casal, vocês poderão resgatar a paixão e o desejo que podem ter se perdido entre tantas novidades. Passada a fase de adaptação ao novo elemento da família, o negócio é deixar a criança na cama dela e fazer do quarto um ambiente só seu. E, claro, sem esquecer de trancar a porta.

Como manter sua vida sexual ACESA
Mesmo com tanto altos e baixos dá, com muito bom humor e boa vontade, para manter a vida sexual em dia

– Aceite as mudanças do seu corpo
– Encare-as como temporárias
– Procure achar posições confortáveis para que o barrigão não seja um empecilho. Durante os quatro primeiros meses a mais indicada é a posição clássica, com a mulher embaixo. Depois desse período, você pode tentar deitar de lado para que a penetração seja por trás
– Converse com seu parceiro, sempre
–  Não se cobre tanto
– Procure criar um clima de intimidade e de carinho com o companheiro
– Dedique um pouco do seu tempo
– você e ao seu corpo
– Procure outras formas de prazer, além da penetração
– Filho na mesma cama não pode virar rotina. É importante que o casal tenha um espaço só seu. Se a mãe
não consegue romper o grude, peça para o pai levá-la de volta à cama

Quando não pode mesmo
Em alguns casos as relações sexuais não são aconselháveis durante a gestação

– Sangramento no primeiro ou no segundo trimestre
– Placenta baixa
– Repetição de abortos espontâneos
– Uso de medicamento para inibir trabalho de parto
– Cerclagem (amarração do colo do útero para evitar parto prematuro).