Família

A Árvore da Vida

Ricardo Calil fala sobre o filme, Palma de Ouro em Cannes, que estréia hoje

Redação Pais&Filhos

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O crítico de cinema e pai, Ricardo Calil, fala sobre o novo filme de Malick “A Árvore da Vida”. Um belo filme sobre o mais comum – e essencial – dos assuntos: a relação de pais e filhos.
 
Por Ricardo Calil, pai de Teresa e Julieta, diretor de redação da Revista Trip
 
O big bang que criou o mundo. Jorros de lava e borrifos de ondas. Amebas e dinossauros. Deus e o homem. O passado, o presente e o futuro. Uma família: pai, mãe e três filhos. 
 
Terrence Malick quer abraçar o universo em “A Árvore da Vida”, filme que chega ao Brasil nesta sexta-feira (12), trazendo na bagagem a Palma de Ouro em Cannes. 
 
O cineasta americano tenta não apenas dar conta da vida de um grupo de personagens, mas da origem de toda vida humana sobre a Terra – e, de quebra, tenta relacionar uma coisa com a outra.
 
Pela ambição e talento de Malick, é uma obra inescapável. E também um produto irregular, alternadamente sublime e cafona, ousado e pomposo, espetacular e tedioso.
 
Mas, em meio ao caos da narrativa, existe um belo filme sobre o mais comum – e também o mais essencial – dos assuntos: a relação de pais e filhos.
 
Como toda obra do genial e recluso cineasta (“Badlands”, “Days of Heaven”, “Além da Linha Vermelha”, “O Novo Mundo”), o filme é um quebra-cabeças de imagens impressionistas, com peças soltas que devem ser montadas por cada espectador.
 
Mas aí vão as pistas básicas: o filme mostra o cotidiano de uma família em uma pequena cidade do Texas nos anos 50, composta por pai autoritário (Brad Pitt), mãe amorosa (Jessica Chastain), filho mais velho rebelde, filho do meio angelical e um filho caçula sobre o qual nada se fala. Também mostra o filho mais velho já adulto (Sean Penn), remoendo o passado familiar, sua crença em Deus e a morte do irmão do meio.
 
Ao retratar essa família, Malick levanta questões que poucos filmes costumam encarar: por que, mesmo amando nosso pai, chegamos em algum momento a desejar sua morte? Por que, mesmo amando nossos filhos, às vezes os tratamos com crueldade? Por que, mesmo amando nossos irmãos, tentamos machucá-los fingindo ser por acaso? Por que, mesmo amando nossas esposas (ou maridos), nos deixamos afastar deles sem percebermos?
 
Se “A Árvore da Vida” é um filme fundamental, não é porque nos entrega respostas prontas sobre Deus, a origem da vida ou o sentido do universo. Mas porque nos lembra de fazer as perguntas certas sobre as pessoas que mais amamos.

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