Colunistas

A nova etapa do filho: a escola

Relato de uma mãe não adaptada – a colunista Tati Schunck fala sobre o primeiro dia dela, e não do filho, na escola

Estou sentada num café para fazer a hora passar no tempo da espera. Não teria que ser assim, caso eu conseguisse trabalhar no primeiro dia inteiro (meio período) do meu filho na escola. A adaptação foi rápida demais para a mãe. Então, hoje, primeiro dia todo sem mim, fiquei com tanta opção de ação, que não fiz nada exatamente. Só andei um tanto a mais de carro (coisa que definitivamente não gosto), dei voltas em ruas desnecessárias, confundi hora, parei no farol verde, pensei no filho, liguei para resolver tarefas enquanto tentei sair desse estado meio tonto de ser.

Nada foi muito possível. Então, depois de perambular demais por lugares que não me interessavam, resolvi parar e escrever. Aqui estou, encontrando a minha salvação diante de uma mãe “liberta”. Que bom que ele está lá. Que bom que eu estou aqui. Mas ainda é novo, é tempo novo e terei que me reorganizar. Terei que elaborar o dia de hoje. Amanhã, sei que será diferente.

Mas hoje, me permiti sentir esse aperto na garganta da alma, nos músculos dos ombros e pescoço do ser. Também fica claro diante dessa experiência que esse tempo novo é o tempo dos nossos filhos pequenos descobrirem vida. Trata-se de tempo de sutileza, doçura, dificuldade, abertura, porosidade e exige alguma sensibilidade maior da parte de quem acompanha. Enquanto ele está na escola descobrindo-se, eu também fico aqui descobrindo como é crescer.

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É preciso sentir, enquanto se assume quem é que sente, esse descobrimento de vida. E não é fácil. A vida que vivemos na cidade não é para mães, não cabe. Não dá tempo de maternar. Muitos já escreveram sobre a vida das mulheres, mães, esposas, profissionais, trabalhadoras em diferentes contextos. Mas, fundamentalmente, continua a pergunta: como fazemos isso? 

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