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Como pensa um bebê de 5 meses?

Nosso Ike Levy resolveu anotar como imagina que seu filho vê o mundo... Será que captou bem?

De tanto observar o meu filho, que está com cinco meses, resolvi escrever as minhas impressões do seu universo.

“Como é bom acordar sem despertador! Aliás, acho que ouvi bem de longe o toque que o meu pai escolheu pra acordar todos os dias às 6 da manhã. Mas não foi o telefone dele que me acordou: eu estava aqui no berço pensando na vida. Mas, como ele vai se levantar agora pra acordar a minha irmã, acho que vou dar uma choradinha pra minha mãe me amamentar. Assim, ela me alimenta e eu volto a dormir numa boa. Buááááááá. Deu certo, ela acabou de entrar no meu quarto… kkkkkkkk Olha o cabelo dela!!!
Vejam só, agora eu vou soltar um pum, dar um arroto e ela vai achar a coisa mais linda… Não entendo por que a minha irmã não pode fazer isso durante as refeições. Tem coisas que realmente me confundem. Mas é uma onda ser bebê, eu me divirto.
Nasci em 2014, mas às vezes me sinto na década de 70. Meu pai escolheu a Kombi como tema do meu quarto. Um carro que parou de fabricar por não ter airbag, freios ABS, nem ar condicionado. Fala sério!
Gosto mais daquele que tem uma estrela na frente. Um dia ouvi o meu pai dizendo pra minha irmã que o da estrela se chama Mercedes. Esse é completão, chic, seguro. Mas o velhinho doido fez o meu quarto de Kombi. Ok, de tanto olhar pra Kombis por todos os lados no meu quarto, passei a gostar. Até que as antigas são charmosas.
Será que alguém pode me explicar o motivo dos adultos falarem comigo feito criança? Acho bem estranho. Por exemplo, minha mãe adora falar com voz de criança: – Você é MUnitu. Aí vem o meu pai e sacaneia: – Mu! MU NI TU.
Eu sugiro uma terapia pra esses doidos.
Outro dia a minha mãe foi fazer um show e eu fiquei no hotel com o meu pai. O cara pediu uma pizza e nem me ofereceu. Assim que chegou, chorei na versão turbo. Ele ficou tão preocupado que eu poderia acordar os outros hóspedes que teve que comer a pizza em pé. Que falta de sensibilidade não me oferecer um pedaço. Pensando bem, ser bebê não é tão fácil como vocês imaginam…
Outro problema que eu enfrento: fico bravo quando as pessoas vem me pegando sem me conhecer. E o pior, pegam bem na minha mão. Pô, meus dentes vão nascer daqui a pouco e a minha gengiva está coçando. Tenho que usar as mãos pra coçar. É claro que a pessoa que pegou na minha mão não está com as mãos limpas. Por isso eu gosto quando a minha irmã está por perto. Ela não deixa isso acontecer. Ela fala na lata: – Ei, você lavou as mãos? Passou álcool?
Por outro lado, não me preocupo com contas, trabalho… Nem sei quem é esse tal de PT que ninguém gosta. Eu fico ligado nos pássaros, na natureza e no amor que recebo da minha família.
Adoro ficar na cama dos meus pais quando estamos os quatro. Dormir no peito do papai é muito bom. Sei que quando estou por lá, nada de ruim irá me acontecer. Me sinto muito amado e protegido. Ouço o seu coração e aproveito o ritmo pra dormir tranquilamente. Mas o colo da mamãe também é incrível! Além de todas as qualidades do colo do papai, o dela é mais moderno e veio com i-pod. Gente, a trilha sonora da mamãe é o máximo!!
Agora vou dormir. Preciso aproveitar bastante essa fase.
zzzzzzzzzzzz.”

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