Colunistas

O rótulo da mãe perfeita

A melhor mãe é a mãe que você é. Espelhar-se em modelos de perfeição pode não dar certo para o seu estilo de vida e não trazer felicidade.

“Você está chata!” “Você nunca deixa eu dormir tarde!” “Quero fazer isso com o papai!”

Cada vez que escuto uma dessas frases eu penso que poderia ser uma mãe melhor. Que talvez eu devesse me espelhar em algum modelo de mãe, que eu deveria ser mais permissiva ou que eu deveria ligar aquele botãozinho que temos e deixar que o filho de seis anos escolha como quer levar a vida. 

Não, isso não daria certo. O meu jeito de ser mãe é único. Às vezes passamos dos limites, é fato, mas quem não passa? Será que a mãe-família-perfeita que enche o Facebook de fotos lindas, em resorts caríssimos e com seus filhos bonitos, saudáveis e que comem brócolis, não dá um gritinho em casa? Ou não deixa o filho dormir sem escovar os dentes uma só noite?

Anúncio

FECHAR

O lado ruim (se é que podemos chamar assim) de viver nesse ambiente de blogs maternos é que a gente sempre olha o modelo de mãe que está ao nosso lado. É quase que inevitável a comparação. Ninguém olha uma foto de uma mãe no Instagram, por exemplo, sem reparar se o cabelo está bonito, a unha bem-feita ou se tem maquiagem cobrindo as olheiras. Se, por trás da selfie com os filhos lindos, a casa estiver arrumada, então… ah! O que será que ela faz pra cuidar de tudo e ainda estar linda e saudável, meu Deus?

A sua vida é como você a faz. Com olheiras ou gritos, é assim que você vai educar seu filho. E você será o exemplo e a referência dele, trabalhando fora de casa ou dentro dela. É em você que ele pensa quando o bicho pega. É o seu carinho que ele espera antes de ir dormir. É a sua bronca que ele teme ao fugir do banho e se esparramar imundo no sofá.

E broncas e brigas são necessárias. Eu diria que são até essenciais para impor limites, para mostrar “quem manda” ou para encerrar o assunto quando o pequeno ser já está subindo nas tamancas (quem ele pensa que é?).

Aqui em casa temos um princípio. Sermos duros e firmes quando necessário, mas nunca perder o amor. Bronca é uma coisa; agressão é outra. E eu nem falo do físico. Aqui é terminantemente proibido agredir um ao outro com palavras ou ofensas.

Isso quer dizer que a conversa (ou bronca) é olho no olho (e se ele desvia o olhar, eu mando virar e olhar para mim); que o castigo existe e deve ser cumprido, portanto é melhor evitar; e que existe uma regra simples para as coisas acontecerem: primeiro a obrigação e, depois, a diversão.

E quando o filho se joga no chão pleiteando mais uma partida de Fifa 14, a frase que sai da minha boca é:

O que é obrigação, Gabriel?
Ele: Tomar banho, jantar e fazer lição.
E o que é diversão?
Ele: Jogar Fifa, ver desenho ou brincar.
Você já fez suas obrigações?
Ele (já tímido, pois sabe que está errado): Não…

E, geralmente, a conversa acaba por aí. Ele coloca um bico de 10 metros, vai pro chuveiro, depois janta. Sentamos juntinhos para fazer a lição e aí ele volta ao videogame até a hora de dormir. E… posso falar? Ao sair do banho, o bico já desapareceu! Nosso jantar é sempre engraçado e delicioso e, depois da lição, muitas vezes, não tem videogame, e sim um livro para lermos juntos ou um desenho para deitarmos agarradinhos e assistirmos.

Se é o jeito certo? Não sei. É o meu jeito e funciona aqui. Quase sempre…

Se eu sou modelo de mãe? Estou longe disso. Uso muito os princípios e valores que meus pais me ensinaram. Converso muito sobre isso, tento ver o resultado quando Gabriel vai à casa de outras pessoas e como ele se comporta. Procuro ver quantas vezes ele gargalha durante o dia (muitas) e quantas vezes ele tem uma expressão triste, de bravo ou de choro (poucas). E, assim, concluo que o meu modelo de mãe funciona aqui em casa. Porque eu crio crianças felizes! 

Pais&Filhos TV