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Lidando com o ciúme

Fazer o mais velho entender que segundo filho chega para somar é difícil. Se até para nós não é fácil lidar com esse sentimento, como fazer um menino de 5 anos entender

“Mãe, você ainda me ama? E, quando meu irmão nascer, eu ainda serei seu pumpkin?” Frases assim, que saem da boca do meu filho de 5 anos, me desestabilizam. “Claro que eu te amo, meu amor!!! Claro que eu vou te amar sempre.” Basicamente, essa minha resposta sai com os olhos já cheios d’água, seguida de um abraço que parece que vai estalar os ossinhos dele. 

Mas entendo essa insegurança. Afinal, tudo está mudando. O quarto não é mais só dele, os presentes que chegam são, em maioria, para o irmão, todas as pessoas me encontram e perguntam pelo Rafael – até porque sabem que o Gabriel está bem. Todo mundo quer saber como eu estou, quanto pesa o bebê ou se o enxoval está pronto. E meu bichinho mais velho, coitado, fica tipo o patinho feio da historinha infantil. 

Lidar com o ciúme é complicado. Eu sou superciumenta. Tenho ciúme das minhas coisas, do meu trabalho, do meu carro, das minhas amigas. Morro de ciúme do meu filho, quando ele prefere o bolo que a vovó fez ao meu, o presente que a titia deu ao meu; morro de ciúme quando ele prefere o pai. Coisa boba, claro. Mas é o tipo de sentimento de que a gente só se dá conta quando já apareceu. E até penso cá comigo: “Oxi, deixe de besteira, Nanna Pretto. Ele é pai do menino!” Mas por que, na hora da queda, não foi para a mãe que ele estendeu os bracinhos? Eeee, sentimento de posse esse que nos consome! 

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E acho que o Gabriel está passando pela fase da insegurança dessa tal posse. Até então a nossa gata era só dele, o canal de TV era escolhido só por ele, o meio da cama era só dele. Os pais eram só dele. Logo, logo, ele terá que dividir tudo isso com o mais novo, que vai chegar dominando. O quarto, a gata, o meio da cama, os pais. 

Conversei muito com a minha nova médica sobre essa “inclusão” do mais velho na rotina com o novo filho. Ela me deu alguns conselhos que anotei, para não esquecer, e resolvi compartilhar. Porque vai que alguém está no mesmo impasse de dividir essa atenção por dois, não é?! Eu ainda estou perdida nesse quesito. Muitas vezes acho que não conseguirei ser justa no amor e no carinho, e já comentei aqui como sofro com isso. Acho que só quando meu segundo pacotinho sair daqui de dentro é que poderei dizer, de fato, se consigo ou não ser justa com a atenção dada aos dois. Enquanto isso, vou chorando a cada minidrama e esmagando de carinho o meu mini-humano. 

Para não deixar o mais velho de canto: 

  • Leve-o aos exames do pré-natal, inclua-o nas conversas sobre o bebê e pergunte sempre o que ele acha quando for tomar alguma decisão, para a casa ou para a família, que modifique o atual cenário de vida de vocês. 
  • Se for compartilhar o quarto, deixe que ele escolha com vocês os móveis, a cor da cortina, do protetor de berço, a decoração. Inclua o filho mais velho na preparação do ambiente para o mais novo. De forma que ele não se sinta perdendo parte do espaço que antes era só dele. 
  • No dia do parto, se for em hospital, certamente ele não poderá acompanhar o momento do nascimento do irmão. Mas converse com a enfermeira para, quando for levar o bebê ao quarto, que entregue inicialmente para ele e para o pai. Deixe que esse primeiro contato seja dos irmãos, para só depois colocar o bebê em seu colo. 
  • O mesmo deve ser feito com os banhos e as trocas de fralda. Deixe sempre que o irmão mais velho participe, escolha a roupa, pegue a fralda, faça a limpeza do bebê, sempre com a sua ajuda. Envolva-o na rotina do mais novo. 
  • Se ele ficar muito enciumado com a amamentação, ofereça o leite para ele. Não no peito, mas num copinho. Pergunte se ele quer experimentar. Certamente ele vai dizer que não, mas se topar, provavelmente não vai gostar. 
  • Não use frases como “seu irmão não vai gostar”, “seu irmão vai ficar triste” ou “é só do seu irmão”. Isso pode se transformar em raiva e aumentar ainda mais o ciúme. 
  • Priorize alguns momentos só com o mais velho, da forma como era antes. Deixe o bebê com o pai, encoste na cama e leia aquela história que vocês tanto gostam. Tomem um banho juntos ou saia só com ele por alguns instantes para resgatar aqueles momentos que vocês tinham antes, quando eram só os dois. 
  • Explique sempre que irmão soma, que não divide o amor. Por mais que isso seja difícil de entender (para mim, como mãe, ainda é), é a mais pura verdade! 

 

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