Colunistas

Duas gerações

Os filhos de nossa colunista Nanna Pretto vão pertencer a gerações diferentes: cinco anos e meio é pouco e é muito quando consideramos a inteligência das crianças e um mundo que muda tão rápido

Quando meu caçula Rafael nascer, meus filhos terão 5 anos e meio de diferença entre eles. Lá na frente, isso pode não pesar nada. Mas, na primeira infância, será como criar duas gerações diferentes dentro de casa. E, mesmo com o mais novo ainda na barriga, já estou vendo que esse será um desafio e tanto.

O primeiro passo para minimizar essa diferença foi colocá-los no mesmo quarto. Acreditamos que, assim, a gente pode fazer com que eles convivam mais tempo no mesmo ambiente, um tendo que se adaptar às diferenças do outro. Mas, para fazer esse quarto, já esbarramos no primeiro obstáculo: a decoração.

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Gabriel já é um menininho; Rafael será um bebê. Escolhemos, junto com Gabi, claro, o tema safári. Do meu lado ficam os animais ferozes, o tigre-de-bengala e o leão. Do lado do meu irmão podem ficar os macacos, a tartaruga e os animais mansinhos, delimitou o mais velho, fazendo valer a lei da selva, que privilegia os mais fortes.

Alguns brinquedos mais infantis foram mantidos, na última separação para doação, a pedido do mais velho, para que o irmãozinho faça proveito. Outros, de criança grande, serão colocados em uma estante mais alta, para que o pequeno não quebre nem corra o risco de engolir as peças pequenas.

Eu, ainda perdida, vou seguindo alguns dos conselhos infantis. Se ele diz que é de criança grande, eu obedeço. Se percebo que tem espaço para que os dois brinquem, eu tento convencê-lo.

Mas a cabeça das crianças confunde um pouco. Apesar de já estar vidrado nos Pokémons e nos Ben 10 da vida, Gabriel larga tudo para assistir à divertida família Pepa Pig (desenho beemmm infantil do canal de criança pequena, Discovery Kids). Assim, ele volta lá para os 2, 3 anos, o que me faz acreditar que ele aceitará bem os DVDs da Galinha Pintadinha e Cocoricó quando chegar a hora de Rafael. Que nada!

Esses dias me pediram uma sugestão de presente para ser entregue a ele, e eu, ingenuamente, falei que ele amava o Buzz, lindo astronauta do Toy Story (que EU amo!). Quando ele viu que os outros amigos ganharam bonecos Max Steel Turbo Demolição e ele o simpático Buzz, amarrou uma cara do tipo:Quantos anos você acha que eu tenho??. Errei feio na escolha! O Buzz era o ídolo de Gabriel muitos anos atrás. Segundo ele, quando Eu tinha 3 anos.

Enquanto vou me acostumando a lidar com as duas gerações, tento entender um pouco mais essa cabecinha pensante de 5 anos. Que ora ama ser o mais velho da turma, ora não abre mão do denguinho de bebê. Mas… que mal há nisso, hein?! Eles serão sempre os nossos eternos bebês!


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