Colunistas

Controlando a ansiedade

Primeiro dia de aula na escolinha de futebol do time do coração é reflexo dos sentimentos mais incontroláveis. A colunista Nanna Pretto aprendeu a contornar

Quando era mais novo, Gabriel roía unhas e foi um drama para conseguir conter o vício. Se temos uma viagem, um programa importante ou algo que ele queira muito, ele tem febre, insônia e até passa mal. Hoje não foi diferente. No primeiro dia de aula na escolinha do São Paulo Futebol Clube, Gabriel, meu mini são-paulino, dormiu mal, acordou cedo e tinha as mãos molhadas de suor. Ansiedade pura.

Eu sempre fui muito ansiosa. A gravidez para mim foi uma espera sem fim. Comprar algo pela internet é quase um suplício, porque ninguém merece esperar dias para seu item desejado chegar. Se compra no site chinês, então…Tem que compensar muito para mofar dois meses na espera. Aos poucos, fui me controlando, tratando em terapia e aprendendo a viver a espera. Não é fácil, por isso entendo perfeitamente a inquietude do meu pequeno hoje de manhã.

Para ele, o tempo não passava. Acordar, tomar café, conferir a lição da escola, se arrumar, deixar o irmão mais novo, para só então irmos para a sua aula teste. Affff, demorou uma eternidade. Ele não parou de perguntar como seria, o tamanho da quadra, quantos alunos, a duração da aula… Eu também sou novata no esporte e na escolinha, então sabia menos que ele.

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FECHAR

Chegamos uma hora antes da aula, e as mãozinhas estavam suadas. Não saía da frente da quadra (onde seria a aula) com medo de se atrasar. Não desgrudou da grade até ser chamado.

Como lidar com toda essa expectativa de uma criança de seis anos? Ansiedade é fogo, é um sentimento que domina. Assim como estou aprendendo a viver a espera, tento passar isso para ele. “Curtir” essa expectativa, imaginar como vai ser, relaxar um pouco… E tento distraí-lo também com outras atividades. Mudo o rumo da prosa, invento alguma brincadeira, até o tempo passar.

Ele teve a primeira prova da ansiedade com a espera pelo irmão mais novo. Os nove meses, para uma criança sem noção de tempo e espaço, são intermináveis. Mas sobrevivemos e curtimos mês a mês cada avanço do Rafinha.

Hoje, em mais uma situação na qual ele se mostrou extremamente ansioso, nós conseguimos lidar bem com a causa. Sem dor de barriga e febre – apenas uma felicidade e uma euforia –, colocamos a ansiedade para escanteio, e Gabriel pôde, enfim, sacudir a rede da escolinha do São Paulo Futebol Clube.

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