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A feliz escolha

Mesmo com o parto cesárea, a troca de hospital e de médico foi essencial para que a colunista Nanna Pretto sentisse confiança de que estava fazendo a coisa certa. Da forma mais humana possível.

 

Há 10 dias Rafael chegou em casa. Chegou às pressas num parto tranquilo e emocionante, completamente humanizado, mesmo em se tratando de uma cesárea. Diferente do primeiro, tive meu marido e meu filho na sala de pré-parto comigo, enquanto eu realizava os exames iniciais. Depois, já no centro cirúrgico, pude segurar a mão de Jarbas enquanto tomava a anestesia e a todo instante tive ele do meu lado. Nessa hora agradeci por ter feito a troca de hospital para um que possibilita essa interação dos pais, mesmo em se tratando de um parto com procedimento cirúrgico. 

Rafa foi um Oligoamnio, que vocês podem entender direitinho lendo o relato do parto lá no blog, mas que resumidamente significa um ressecamento do líquido amniótico no final da gestação, impossibilitando o parto normal. O mesmo já havia acontecido com Gabriel, há cinco anos. Por conta da mesma queda no volume do líquido. Gabi parou de mexer por mais de 24 horas, o que nos fez correr para o hospital e encarar a cesárea. Agora, anos depois, me deparei com a mesma situação, porém um pouco mais cedo, com 38 semanas. 

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O oligoâmnio não representou risco de vida nem a mim nem ao bebê pois aceitei fazer o parto rapidamente, sem grandes traumas por ter que passar novamente pela cesárea. Como já relatei aqui na Pais & Filhos algumas vezes, eu tinha um desejo enorme de entrar em trabalho de parto, sentir as dores do parto e ter meu filho de forma natural. Mas nunca, repito, NUNCA colocaria meu bebê em risco por uma vontade (ou capricho). 

Jarbas segurou a minha mão, tomei a anestesia e deitei à espera dos médicos. Ao som de um dos meus CDs preferidos (MPBaby Trilhas de Cinema), a equipe da minha médica começou os trabalhos. Eu estava tranquila, confiante e certa de que tudo ocorreria bem. Tinha plena consciência de que tínhamos feito a coisa certa e eu estava completamente amparada nas mãos de uma médica que eu super confio.

Rafael nasceu, encheu meus olhos de lágrimas e meu coração de amor. Permaneceu ali dentro de um sling, preso no colo do pai por mais um bom tempo, também uma grande diferença com relação ao primeiro parto, quando tiraram Jarbas e Gabriel de perto de mim instantes após o parto, e me sedaram, para que eu dormisse até o fim da cirurgia. 

Nesse não, ficamos ali falando de corridas, maratonas, viagens, Rafa sendo embalado pelo pai, eu tirando fotos e filmando as cenas. O entra e sai de médicos, as informações que eram passadas sobre o meu bebê. Estava captando tudo. De bem com absolutamente tudo e perto dos meus amores. 

Cerca de 90 minutos depois de ter dado à luz ao Rafael eu estava no quarto, lindamente preparado para a chegada dele e perto da minha família. Agradeci mais uma vez por ter feito a troca de médica e de hospital, por ter mudado tudo no meio da gestação para ter um bom parto independente do método.

Fiquei triste por, mais uma vez, não ter conseguido fazer um parto normal. Mas não me senti culpada, de forma alguma, por ter preservado a saúde do meu bebê. E fiquei feliz por ter tido um excelente parto, a ponto de sentar de indiozinho no dia seguinte para brincar com o filho mais velho que ficou coladinho em mim (de dia e de noite) durante os três dias que ficamos no hospital – mais um acerto na hora da escolha da nova maternidade.

Rafa veio ao mundo com 38 semanas e dois dias, de parto cesárea, cheio de amor e carinho, por parte da equipe médica e principalmente por nós, os pais e o irmão mais velho. E eu tenho muito orgulho disso. 

 

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