Bebês

Tudo que vai volta

Depois de mamar, os bebês precisam colocar para fora o ar que engoliram. É o arroto - paninho no ombro, que também pode vir leite aí!

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

O arroto do bebê nada mais é do que ar que foi ingerido junto com o leite na hora da mamada. É bem semelhante à ingestão de gás quando se bebe refrigerante: se não tomar cuidado, escapa (dessas coisas que menino adora, mas que causa muito constrangimento se acontece com a gente, não?). Se o bebê não libera esse ar intruso, ele pode descer para o intestino e provocar cólicas e muito incômodo.

“Logo que o bebê nasce, o seio ainda produz leite em menor quantidade e a criança ainda não sabe sugar perfeitamente. Isso faz com que, principalmente se não estiver mamando em uma posição adequada, sugue também o ar, que vai para o estômago”, explica Cid Fernando Pinheiro, pai de Felipe e Guilherme, coordenador das equipes de pediatria do Hospital São Luiz e professor na Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo.

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Justamente para evitar isso, uma posição pouco recomendada para dar de mamar, segundo Cid, é a mãe deitada de lado na cama e o bebê deitado ao lado. Nesse ângulo, o bebê não consegue abocanhar o peito de forma correta. Uma das opções mais indicadas é a posição clássica: mãe sentada com apoio nas costas, relaxada e com o bebê no colo. “Ele deve abocanhar o bico e a aréola”, explica.

Com a mamadeira, a questão também se coloca. Para as mães que tiveram que abandonar a amamentação exclusiva (sempre a melhor forma de alimentar o bebê!), o cuidado começa com o tamanho do furo, que deve ser bem pequeno, para estimular o trabalho de sucção do bebê. Portanto, nada de aumentar o furo do bico à mão para diminuir o esforço da boquinha faminta. “Se o fluxo de leite é maior, ela não consegue sugar adequadamente e coordenar o volume de acordo com o que tem capacidade, e consequentemente o ar que está dentro da mamadeira pode vir em maior quantidade”, alerta Cid.

Quanta à posição, o ideal é colocar a mamadeira perpendicularmente na boca do bebê, sem inclinar para o lado. “A criança deve ficar parcialmente inclinada, um pouco de pezinha, em ângulo reto em relação à mãe e totalmente de frente”, orienta o médico. A disposição do leite dentro da mamadeira também conta. “Não deve estar completamente cheia. O ar em cima exerce uma pressão e a criança então é quem faz força para o leite descer”, explica.

O arroto até pode acontecer sozinho, mas é importante que você garanta que o ar saia! “O tapa nas costas do bebê deve fazer vibrar o corpo dele, de forma que o ar caminhe para cima. A partir daí ele elimina esse e se sente melhor”, orienta Cid.
Se o bebê estiver caindo de sono, uma dica é deixar seu pescoço instável. “Por instinto, ele acordará um pouco”, sugere o médico, embora a própria posição ereta do bebê já costume deixá-lo desperto naturalmente.

Em geral de 5 a 10 minutos nessa posição são suficientes para o bebê arrotar. Às vezes sai mais que um arroto, até uns 3 ou 4. Se for esse o caso do seu bebê, basta esperar mais um pouco até se certificar de que não saiu mais nenhum. Aí, sim, está pronto para ir dormir.

O leite que às vezes sai junto com o arroto não tem nada a ver com o bebê ter mamado demais, como muita gente acha. “O movimento do estômago se contraindo pode provocar um pouco de regurgito. Dependendo da força do movimento estomacal, proporcional à quantidade de ar que o bebê ingeriu, pode sair uma quantidade maior de leite”, explica o especialista.

Nos primeiros três meses, muitos tapinhas nas costas: o arroto é necessário. “Nos recém-nascidos, a válvula que controla a passagem de sólidos e líquidos para o estômago ainda não está bem desenvolvida. Assim, o leite regurgitado quando o bebê está deitado pode caminhar para o pulmão, trazendo risco da chamada broncoaspiração”, explica.

Mas sem neura se o bebê não arrotou. Muito provavelmente isso é um sinal de que ele sugou corretamente e não entrou ar, o que significa que ele está mamando com vigor e sabendo controlar suas necesidades e mecanismos de sucção.

BURP!

1. Depois de cada mamada, segure o bebê de pé, com o rosto virado para o seu ombro.

2. Dê uns tapinhas em suas costas.

3. Um paninho no ombro protege e vai bem!

Consultoria: Cid Fernando Pinheiro, pai de Felipe e Guilherme, coordenador das equipes de pediatria dos Hospitais São Luiz e professor na Favuldade de Medicina da Santa Casa de São Paulo