Criança

Uma revolução na comida

Com campanha, chef quer mostrar que é possível ter uma alimentação mais saudável

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Por Marianna Perri, filha de Rita e José

Preparar a refeição em casa, se sentar à mesa com as crianças, utilizar alimentos frescos e naturais parece que não faz mais parte da rotina corrida de muitas famílias, principalmente nas grandes cidades de todo o mundo. Foi por este motivo que o chef Jamie Oliver criou a campanha Food Revolution, que ganha um dia exclusivo neste ano: 19 de maio.

A campanha nasceu para encorajar uma melhor alimentação de toda a família, mas principalmente entre as crianças. Segundo o site oficial do Food Revolution, pela primeira vez na história o sobrepeso mata mais gente do que a desnutrição. E o problema estaria nos hábitos alimentares errados, que começam cedo, antes mesmo do parto.

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Vem de casa


A má alimentação dos pais é o principal motivo dos maus hábitos, segundo a nutricionista Magda Maria Brito dos Santos, mãe de Vinicius e Guilherme. E as razões para isso acontecer são várias: no Brasil, o aumento da renda familiar incentivou o consumo de refeições prontas. Entre as famílias de classe mais baixa, as refeições são mais simples, e mais nutritivas.

Outro motivo pode ser a vida mais agitada das famílias, com muitas (ou todas) as refeições feitas fora de casa, sem horários estabelecidos, ou com alimentos prontos. Entre os pequenos, os lanches feitos na escola podem ser os principais vilões da alimentação saudável.

Por isso, a campanha de Jamie Oliver quer atingir também as escolas, para que família, cuidadores e professores estejam em sintonia para ajudar as crianças a se alimentarem melhor.

Na hora das refeições

A dieta das crianças não deve ser restritiva, ou seja, com a eliminação de alguns grupos alimentares durante as refeições, mas sim balanceada. As três principais refeições e os dois lanches (manhã e tarde) entre elas devem respeitar as necessidades alimentares para o desenvolvimento da criança.

O prato dos pequenos deve englobar os seguintes nutrientes: proteina (derivados animais ou soja), importante para o desenvolvimento das células; carboidrato (arroz, batata), que fornece energia para a realização das atividades do dia; lipídeos (gordura), importante para a absorção das vitaminas A, B, E e K; e regulador (frutas, legumes e vegetais), que interfere positivamente na produção e no funcionamento das enzimas e dos hormônios.

Se escolher os alimentos de todos estes grupos parece ser uma tarefa difícil, um prato colorido é a melhor saída. Também é importante que as quantidades sejam respeitadas, seguindo a pirâmide alimentar.

>>>>> Veja como montar um cardápio balanceado para as crianças

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Com as principais refeições balanceadas, os lanches ao longo do dia também devem respeitar estes grupos nutricionais, mas em menor quantidade. Daí a importância de prestar atenção no que seu filho come na escola.

Preparar a lancheira em casa, com um pedaço de bolo caseiro de frutas ou com sanduíches de pão integral com atum, alface e cenoura deixa a refeição saudável e bastante saborosa. “Tudo vai depender da apresentação do prato ou do lanche para a criança”, afirma a nutricionista Magda.

Mesmo com todos estes cuidados, os alimentos industrializados estão à disposição das crianças, seja na escola, festas ou na casa do amigo. Procure mostrar isso para o seu filho e enfatize que estes alimentos não são proibidos, mas que devem ser ingeridos com moderação. Deixe as comidas prontas para as datas festivas ou para os finais de semana.

Alerta vermelho

Salgadinhos, refrigerantes, pizza e hambúrgueres, aliados a pouca atividade física e à predisposição genética, formam um grupo perigoso à saúde da criança. As consequências da má alimentação aparecem já durante a infância, com problemas físicos e doenças graves.

As crianças acima do peso têm mais chances de desenvolver hipertensão arterial ao longo da vida, apresentar alterações no colesterol e diabetes. Além disso, a capacidade de movimentação diminui com o peso, prejudicando o corpo, e há chances de desenvolver asma brônquica e problemas de pele.

Para verificar se a criança está acima do peso, os pediatras seguem gráficos que comparam a altura, peso e idade. Por isso, um recém-nascido já pode estar com sobrepeso e os cuidados devem começar cedo.

Os pequenos podem se encaixar em quatro grupos: magro, eutrófico (normal), sobrepeso e obeso, seguindo as posições e desvios que podem ocorrer segundo estes gráficos.

Quando isto ocorre, é importante que os pais e o médico fiquem atentos e procurem a causa deste aumento de peso. Os quilos a mais podem ser causados por problemas hormonais, por exemplo, e esta possibilidade deve ser descartada. A partir dos exames, é preciso fazer um balanço entre o que é ingerido e quanta energia esta criança gasta durante o dia, procurar uma dieta adequada e balanceada e fazer com que os exercícios físicos se tornem uma brincadeira, e não uma obrigação.

Consultoria: Magda Maria Brito dos Santos, mãe de Vinicius e Guilherme, é nutricionista. Sylvio Renan Monteiro de Barros, pai de Iuri, Bruna e Giovana, é pediatra e autor do livro “Seu bebê em perguntas e respostas – Do nascimento aos 12 meses”