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Partido do coração partido

As crianças não podem, inclusive como nós, compreender o que está de fato acontecendo

crianças e política

“Nossas crianças não votam. Ainda não podem, inclusive como nos, compreender o que está de fato acontecendo” (Foto: Shutterstock)

Somos todos filhos de uma pátria mãe distraída. Estamos todos assustados e nervosos com a crise que assola nossa casa. Nossos pais, descobrimos atrapalhados em organizar nosso próprio lar.
Não temos escola, não temos saúde, não temos comida.
Não temos o que dizer.

O país passa por mais um momento de crise. Independentemente de partidos políticos, opiniões partidárias e possíveis soluções para o conflito que nossa “gente grande”, da casa mãe em Brasília trava, temos que fazer a única coisa que esqueceram de fazer conosco; seus filhos: Ser uma mãe gentil.

Proteger nossa casa. Nossos filhos. Nossas famílias.
Dar e ter o direito de pensar de modo independente. Não tratar este triste momento como um campeonato de futebol, onde papai é Flamengo e mamãe Botafogo.
Não.
Nossas crianças não votam.
Ainda não escolhem.
Ainda não podem, inclusive como nós, compreender o que está de fato acontecendo.

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FECHAR

Aqui, em Bruxelas, em Paris em Mariana.
Temos que fechar a porta do quarto de quem precisa dormir.
De quem precisa acreditar no coelho da Páscoa, de quem precisa desenhar super heróis e princesas para amanhã não acreditar que é rei ou rainha e destruir o castelo do próprio coração.
Pedro, me pergunta assustado na quarta feira passada:

– Mãe, que barulho é esse? Eu quero dormir… Será que ninguém entende que eu sou só uma criança?Meu coração apertado, só pode dizer, mais ou menos assim:
“Entendo meu amor, vai passar, já aconteceu antes… Nosso país é assim, todos, há muito tempo, que moram lá em Brasília já se atrapalharam outras vezes. Mamãe já viu isso… Não existe o lado negro e o lado bom da força… Apenas não existe força agora. Estamos doentes. Mas a força volta. Como depois da gripe. E teu amiguinho que esteve aqui gripado, não teve culpa de estares mais fraquinho e pegares este vírus ruim por exemplo!

Não existem culpas, Pedro.
Existem responsáveis.
E somos todos nós, gente grande. Não vocês.
O que a mamãe vai fazer agora é fechar a janela e te deixar dormir….”Pedro adormeceu. Eu que fiquei com o partido coração partido só pude fazer com minha dor, este pedido, e deste pedido um poema.

Cuidem de nossas crianças! Não deixem um partido, uma opinião, a nossa raiva e o nosso medo fazerem que o partido deles seja o do coração partido. Não existe receita, mas basta a pergunta:

O que dizer-te meu filho
Da pátria em que te pari?
Contar que roubaram índios?
Fugiram Pedros como tu?
Contar que machucaram gente?
E que esta mesma gente
Depois virou outra gente.

Contar que acredito no ser humano,
Mas não acredito muito em sua humanidade?
Que dizer-te meu filho?
Tu, que por meus olhos viu Figueiredo abrir, o que logo fechou.
Nossa pátria foi assim,
A mais distraída de todas nós,
mães.
A mais duvidosa.
A mais temerosa.
A mais paradoxal das maternidades.

O que dizer-te meu filho?
Faço eu parte deste país.
Desculpe Pedro, por este dia tão infeliz.
Que amanhã seja outro dia.
Em que tu sejas quem manda o falou tá falado em que tanto acreditei.
Dorme meu filho esta noite,
Que nosso tempo passe com teus sonhos.
Tua mãe, também distraída.
Mas que tenta ser, ainda que triste, e com medo, gentil.

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