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Não sei

Podemos nos dar a chance de sempre poder falhar e não saber

(Foto: Shutterstock)

(Foto: Shutterstock)

Gostaria de declarar abertamente que não sei.

Neste tempo em que estamos juntos, eu, vocês, o Pedro e a Pais&Filhos o Pedro já se mudou, já saiu do Pré, já cresceu um monte, já foi pra primeira série, está lendo e perdeu um dente.

E eu, não sei.

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Sigo em suficiente.

 

Se falo muitos “nãos” me chateio. E ele também.

Se falo muitos “sims” me chateio. E acho que ele também.

 

Apesar de preferirmos.

Os dois, vamos confessar.

 

Se cobro demais acho um saco, ele também.

De menos, sou negligente, e ele também.

Se grito, brigo ou fico brava, quase morro. Ele também.

Então resolvemos ter uma DR, como dizem por aí.

 

Estávamos com algum problema existencial urgente aqui em casa.

Aquele problema tipo ambulância: urgente, corre, tem sirene, mas às vezes é vazio.

Tão vazio que nem lembro qual era.

Sei que discutimos e me dei conta no meio da barulheira que nem eu nem ele tínhamos razão e que também tínhamos.

 

Ótimo. Prato cheio para desespero e título de pior mãe do mundo. Que engano!

Tirei a coroa e humildemente disse a meu amado rei, réu, juiz, e servo:

 

-Pedro, eu não sei!!!

 

Silêncio no quarto. E aquela fração de segundo:

 

-Não sabe o que, mãe?!

-Ser mãe, Pedro, ser mãe!

 

Segunda fração de segundo: momento terrorista.

“Como eu estou dizendo uma coisa destas! Agora sim! Acabei com a saúde mental desta criança! Vai pensar que está na mão de uma louca, desvairada e ainda por cima que não sabe o que está fazendo!”

 

Acende as luzes. Penso: “calma. Não sou tão poderosa assim para enlouquecer o Pedro em dois segundos, nem louca, nem desvairada. Apenas estou me sentindo incompetente. Coisa de gente”.

 

Mas o silêncio segue.

Olhos colados. Quem piscar primeiro grita por socorro.

 

-E eu sei ser filho, mãe? Sei lá!

Olhos colados. Mas ao menos piscamos.

 

Nada como a verdade.

Foi forte o susto. Nos sentamos no chão e conversamos sobre este negócio de saber…

Disse que estava aprendendo a ser mãe, mas que podia ficar tranquilo que estava me esforçando. E que na verdade, venho aprendendo a ser filha, há 40 anos, e também venho me esforçando.

E ele, claro, me abraça e diz:

-Tá tudo bem. Eu também.

 

E penso que a única coisa que podemos nos dar é o porto seguro da verdade, da honestidade, e a chance de sempre poder falhar e não saber.

Pensei, mas não disse…

 

“Sabe Pedro, quanto mais convicções, mais estáticos vamos ficar. O Einstein já dizia que uma mente que muda de ideia nunca mais retorna à mesma forma”.

 

E não disse. Por que a única coisa que sei é que ele sabe.

E se não sabe ainda tem calma para não saber.

 

Eu não.

Mas estou me esforçando.

Em suficiente.

Mas não sei…