Recém-Nascido

Lava, lava, lava

Na correria do dia a dia, o banho é um momento reservado para os cuidados consigo mesmo. Ensine seu filho a curti-lo desde cedo!

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

O assunto parece corriqueiro. Afinal, banho é apenas um hábito diário, que não exige lá muito planejamento. É algo praticamente feito no automático, pra refrescar a vida e manter a higiene. Mas que tal começar a encarar de outra forma a banheira ou a ducha das crianças? “O banho é um momento de renovação, um tempo de relaxamento. Por isso, os pais precisam passar aos filhos a importância de reservar essa horinha para um cuidado consigo mesmo”, explica a psicóloga Angelita Scárdua, doutoranda em psicologia social e filha de Izaura e Jairo.

Outra boa função do banho é descobrir o próprio corpo. “É uma experiência completa e prazerosa, que ativa todos os sentidos humanos. Por isso, não é necessário terminar logo. Sem desperdício de água, claro, é possível tornar esse momento lúdico, ensinar os pequenos a observarem como os aromas são bons”, orienta Angelita.

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FECHAR

Tornar um banho gostoso, na prática, e principalmente para crianças que não são muito chegadas à água, é muito mais fácil quando se inventam brincadeiras específicas para o momento. Você pode deixar o seu filho fazer bolhas de sabão ou  ler livrinhos de plástico. A ideia é que se acostume  a relacionar esses momentos de limpeza e higiene  à alegria. Foi o que fez a enfermeira Giovana Borin, mãe de Gustavo, de 1 ano e 3 meses. Quando bebê, ele detestava ficar na banheira, muito menos ser imerso na água. O jeito foi incluir no banho musiquinha e brinquedos. “Hoje, ele adora, seja na banheira ou no chuveiro”, conta Giovana.

Além de tornar o banho agradável, é preciso também aprender o jeito certo de fazer as coisas. Afinal, uma chuveirada pode retirar até 65% da proteção da pele de uma pessoa. A temperatura certa, o tempo de duração e os produtos usados são detalhes que fazem a diferença.

Os primeiros banhos

Para o banho do bebê, é preciso deixar tudo preparado – sabonete, fralda, toalha – ali por perto, à mão. E, ao contrário do que a gente pensa quando não tem experiência, não é preciso se equipar com termômetro. A dermatologista Selma Hélène, responsável pela dermatologia pediátrica na Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e mãe de Rodrigo e Carolina, diz que colocar o dorso da mão na água é o suficiente para verificar se a temperatura é confortável para o bebê. Feche as janelas para o vento não esfriá-la.

O nível de água deve ser baixo. O ideal é que ela cubra um pouco a barriguinha do recém-nascido, mas não fique acima disso, segundo a pediatra neonatologista da Maternidade São Luiz Camila Reibscheid, mãe de Bruno e Theo. E, importante: a altura da banheira tem que ser confortável para a mãe, que deve manter os braços firmes para segurar o bebê.

Faça a higiene das partes íntimas com algodão antes de pôr o bebê na banheira, para não sujar a água do banho. Aí é chegada a hora: apoie o bebê em um braço e com o outro lave o rostinho, a cabeça, o umbigo e, por último, a região genital, segundo a dermatologista Selma [veja o passo a passo abaixo]. E nada de colocar um fio de óleo corporal na água. “Algumas mães fazem isso para hidratar a pele do bebê, mas não é necessário. Ela já é muito hidratada. E, caso haja algum problema de ressecamento, é importante levá-lo a um médico”, explica.

A máxima “menos é mais” vale também para os produtos usados na higiene do seu filho. Preste atenção, sempre, se são aprovados pela Anvisa. Se for um recém-nascido, prefira sabonete neutro, sem aditivo ou odor. E esqueça o xampu, indica a pediatra imunologista Rosana Lanzellotti, mãe de Giovanna e Lucas. Ela orienta que o enxágue seja feito com água limpa. “A maior parte das mães se esquece disso”, diz. Na hora de secá-lo, basta usar uma toalha-fralda com delicadeza, sem esfregar sua pele.

Já para os bebês crescidinhos, o ideal é usar sabonete e xampu. Mas sempre os infantis, que segundo a dermatologista Selma passam por controles de qualidade mais rigorosos e contêm menos química. “Assim, a criança estará menos exposta ao desenvolvimento de alergias”, aponta. Sobre a quantidade de banhos, apenas um por dia (com sabonete e xampu) já surte um bom efeito. Se for preciso outro banho, Selma aconselha que seja com sabonete apenas nas partes que mais transpiraram, e no resto do corpo, água pura, só para refrescar.

A partir do momento que a criança ficar em pé, é hora de encarar o chuveiro, o que pode tornar os banhos mais práticos – mas não é preciso abandonar a banheira. Ela ainda pode ser usada para brincar, depois de uma ducha de higienização.

 

Ofurô Para Bebês

Banheiras em formato que parecem baldes têm feito bastante sucesso de uns anos para cá. Elas meio que simulam o ambiente uterino, o que pode dar uma sensação agradável e segurança aos recém-nascidos. São confortáveis e anatômicas. Com água morninha, são ótimas para relaxar o bebê. Porém, segundo a pediatra neonatologista Camila Reibscheid, elas oferecem um desafio para a higiene diária. O motivo é simples: como o bebê fica sentado, encostado no fundo, fica mais difícil lavar seus pés e genitais sem retirá-lo da água.

O ofurô, que deve ser usado apenas com água, pode ter uma utilidade específica: usar com o bebê antes de dormir, com o objetivo de acalmar, e ir relaxando, relaxando. Alguns até cochilam quando estão na água.

Só para o chuveiro

A partir dos 5 anos, a criança terá vontade de tomar banho sozinha. Ela está ficando independente, querendo ter sua individualidade, além de ser ótima oportunidade de ensiná-la o ritual certo, para que não se esqueça.

Passo a Passo do Banho do recém-nascido

1.Prepare a banheira e deixe tudo separado para o banho. Pegue então o bebê, tire a roupa e a fralda. Faça a limpeza dos órgãos genitais com água morna e algodão.  Na sequência e bem devagar, mergulhe o bebê na água, segurando-o pela axila e apoiando as costas e o pescoço dele. Com a mão livre, lave primeiramente – e sem sabonete – a face. Em seguida, lave a cabeça, o tórax, os braços, a barriga, as pernas e os genitais. A seguir, lave também as costas e
o bumbum.

2. Se preferir, você pode virar o bebê na banheira, para lavar o dorso. Nesse caso, ao virá-lo, mantenha a mão em seu tórax, com firmeza, mas sem apertá-lo. Cuide para que a cabeça fique longe da água. Para ele não sentir frio, deixe o banheiro fechado.

3. Lembre-se de lavar o coto umbilical normalmente, mas com delicadeza. Não é necessário ter medo – lembre que os bebês não sentem nenhuma dor ali e que a higiene é bem importante para mantê-lo a salvo de alguma  infecção
na região.

4. Acabado o banho, coloque o bebê sobre a toalha aberta.  Enxugue a cabeça, a face e o restante do corpo. Seque atrás das orelhas, nas dobrinhas e entre os dedos. Com uma haste de algodão, passe álcool a 70% no coto umbilical e deixe-o limpo, sem secreções.

5. Hora de  colocar a fralda, botar a roupa e pentear os cabelos com escovinha de cerdas macias.

6. Use hastes de algodão apenas para limpar os contornos das orelhas. Elas jamais devem ser introduzidas nos ouvidos e nas narinas.

Se seu filho aprender a encarar o banho com alegria, vai  saber relaxar na água pela vida afora

“É importante que os pais apoiem e ensinem a criança a se responsabilizar por sua higiene com uma rotina que a ajude a aprender a tomar um bom banho”, aponta a pediatra Rosana Lanzellotti. Uma boa dica é deixá-la seguir os mesmos passos todo dia, apenas supervisionando. Vocês podem definir a ordem juntos. Só é preciso lembrá-la de passar xampu, lavar orelhas, ensaboar o corpo, fazer a higiene genital e o enxágue com água limpa. O banho pode ser morno, mas apenas pelo conforto: não há pesquisas que relacionem água mais quentinha a incidência de resfriados, de acordo com a pediatra.

Com os pais ou os irmãos

Compartilhar o banho com os irmãos ou com os pais é divertido e saudável. No entanto, dos 5 aos 6 anos, a criança começa a se sentir desconfortável de estar nua na frente dos outros. É quando vêm as primeiras noções de sexualidade e a percepção das diferenças entre os sexos. É preciso respeitar sua intimidade. Banho com irmãos ou com os pais podem ser evitados. “Do ponto de vista psicanalítico, nessa idade, a criança entra em um encantamento com a figura paterna de sexo oposto ao seu”, explica Angelita. Assim, a curiosidade pode ser aguçada, causando desconforto entre pais e filhos. E, lembre-se, banho é bom. E pra continuar sendo bom, é só descomplicar.

 

Consultoria: Angelita Scárdua, doutoranda em psicologia social e filha de Izaura e Jair, é psicóloga; Camila Reibscheid, mãe de Bruno e Theo, é pediatra neonatologista do Hospital Maternidade São Luiz; Rosana Lanzellotti, pediatra imunologista; Selma Hélène, mãe de Rodrigo e Carolina, é responsável pelo departamento de dermatologia pediátrica da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).