Engravidar

Saiba quais doenças podem prejudicar a fertilidade

Endometriose, alterações na ovulação e miomas no útero são alguns dos problemas

A REDAÇÃO PAIS&FILHOS

Quando um casal está tentando ter filhos, além de todo o planejamento que a tomada da decisão requer, é necessário saber se está tudo em ordem com a saúde dos dois. Hábitos de qualidade de vida influenciam na hora de engravidar e cuidar de si mesmo faz toda a diferença. O que muitas vezes a gente não se atenta é que algumas doenças podem prejudicar a fertilidade. Mas com o diagnóstico e o tratamento correto, muitas vezes é possível superar este problema.

O processo natural para gerar um bebê envolve a ovulação, a fecundação do óvulo pelo espermatozóide e a chegada do embrião no útero. Porém, há algumas doenças que podem dificultar uma ou mais destas etapas. O problema é oficialmente considerado infertilidade quando casais tentam engravidar por mais de um ano sem conseguir, tendo relações sexuais regularmente. Se isso acontecer, é sinal que está na hora de procurar um especialista.

Vale lembrar que a Infertilidade não é uma questão apenas das mulheres, mas do casal. Ela pode afetar qualquer um dos dois e, às vezes, os dois. Por isso, é importante que a investigação seja feita em conjunto. Entre os principais fatores que atrapalham a fertilidade feminina estão endometriose, alterações na ovulação (como a Síndrome dos Ovários Policísticos), miomas no útero, obstrução nas tubas uterinas, aderências pélvicas (causadas por infecções ou cirurgias prévias, por exemplo), alterações na tireoide e menopausa precoce.

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A endometriose é responsável por aproximadamente 15% dos casos de infertilidade nas mulheres. Ela acontece quando o revestimento do útero, o endométrio, está presente fora da cavidade uterina. O endométrio pode se desenvolver em regiões como ovários e tubas uterinas, causando a infertilidade. “A mulher pode demorar mais de oito anos para diagnosticar essa doença, então às vezes o quadro já está avançado”, explica a Dr. Bárbara Murayama, ginecologista do Hospital 9 de Julho.

Alterações na ovulação são responsáveis por 25% dos casos de infertilidade feminina. A Síndrome dos Ovários Policísticos é uma doença que faz com que a mulher não ovule todos os meses, dificultando as chances de engravidar. “Essa enfermidade contribui ainda para a formação ovários em múltiplos microcistos e pode desencadear a infertilidade”, afirma o Dr. Joji Ueno, ginecologista do Hospital Sírio Libanês.

Já no homem, qualquer tipo de alteração no sistema reprodutor que produz ou transporta espermatozoides pode interferir. Neste caso, a redução da quantidade, a movimentação, a forma e a capacidade de fertilização podem ser afetadas por conta de infecções, alterações hormonais e obstrução dos canais de transporte do esperma.

Exames

Na hora da consulta, o médico fará uma avaliação completa do histórico dos pacientes, que envolve saber se já houve gestação anteriormente, se um dos dois já teve Doenças Sexualmente Transmissíveis, se houve problemas com a menstruação ou ciclo menstrual, ou se um dos dois já realizou cirurgias. Segundo a Dr. Bárbara, para as mulheres, os principais exames são ultrassom transvaginal, Papanicolau e exames de imagem das tubas e do útero. O exame básico para a investigação masculina é o espermograma. A avaliação inicial poderá ser feita pelo ginecologista que, se detectar algum problema, vai encaminhar o paciente para o urologista.

As melhores formas de tratar dependem da causa do problema. O médico pode recomendar medicamentos, intervenção cirúrgica ou até reprodução assistida.

Fatores de risco e prevenção

Manter o peso, comer bem, dormir bem, fazer atividades físicas regularmente, não fumar e evitar tomar bebidas alcoólicas são hábitos que podem ajudar. “A prevenção ainda é a melhor medida. É importante ir ao médico regularmente e planejar a gestação para preservar a fertilidade. A maioria das pessoas deixa para pensar a respeito disso quando já está tentando ter filhos”, diz a Dr. Bárbara.  

Consultoria: Dra. Bárbara Murayama, ginecologista, coordenadora da Clínica da Mulher do Hospital 9 de Julho e mãe de Pedro. 

Dr. Joji Ueno, ginecologista, responsável pelo setor de Histeroscopia Ambulatorial do Hospital Sírio Libanês.