Engravidar

Nasce primeiro bebê de útero transplantado

O feito abre uma alternativa nova, mas ainda experimental, para mulheres que não podem ter filhos pois perderam o útero ou porque nasceram sem o órgão

Redação Pais&Filhos

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Se antes doenças ou complicações no útero impossibilitavam mulheres de engravidarem, os avanços na medicina reprodutiva estão caminhando para reverter essa realidade, por meio da técnica de transplante de útero.  Uma prova disso aconteceu recentemente quando uma mulher da Suécia deu à luz depois de ser submetida ao procedimento. A paciente tinha a Síndrome de Mayer-Rokitansky-Kuster-Hauser, que é uma anomalia congênita do aparelho reprodutor feminino. A mãe, de 36 anos, recebeu o órgão de uma amiga próxima, de 61 anos, que estava na menopausa.

De acordo com a ginecologista, obstetra e especialista em medicina reprodutiva Ana Lúcia Beltrame, para as mulheres que não têm útero é uma grande esperança. “Anteriormente a única maneira de ter um bebê era por meio do útero de substituição, a barriga de aluguel, mas com esse avanço tudo isso pode mudar. Vale lembrar que o útero de uma mulher mais velha não atrapalha para engravidar, o que muda com a idade mais avançada é a qualidade dos óvulos”, explica.

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Essa é a primeira vez que um bebê nasce a partir de um útero transplantado. Houve tentativas anteriores, mas sem sucesso. A primeira foi feita no ano 2000, porém o útero sofreu necrose. Na segunda vez, na Turquia, a mulher chegou a engravidar, mas teve um abortamento com seis semanas.

Ana Lúcia conta que os pesquisadores realizaram testes eficazes em animais antes de realizarem o procedimento em humanos. “O feito abre uma alternativa nova, mas ainda experimental, para milhares de mulheres que a cada ano não podem ter filhos porque perderam o útero para o câncer ou porque nasceram sem o órgão”, explica.

A equipe médica responsável pelo feito transplantou úteros em nove mulheres ao longo dos últimos dois anos como parte do estudo. E atualmente há duas outras mulheres grávidas. Mas, segundo ela, ainda é cedo para que o procedimento chegue ao Brasil. “É tudo experimental ainda. A técnica deve ser implementada, é preciso que outros países consigam reproduzí-la e fazer com que essas mulheres que não têm condições de gestar tenham essa oportunidade”, lembrou.

Retirada do útero

Depois que a paciente constituiu sua família, o útero é retirado. Ana Lúcia explica que todo útero transplantado deve ser retirado para evitar que a mulher continue tomando medicações imunossupressoras necessárias para manter o órgão vivo. O procedimento de retirada do útero dura em média 1 hora e meia e não altera a vida sexual da mulher.


 

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