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Quando o mundo é meu!

A leitora Natalia Piassentini, mãe de Maria e Giulia, fala sobre os terríveis 3 anos e que, como todas as outras fases, também passa

Redação Pais&Filhos

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É a sinceridade sem vergonha dos 3 anos que faz a mãe acumular motivos para se enfiar no buraco mais próximo? Pra quem pensava que os “terrible twos” eram o maior dos aliens de sete cabeças do lago Ness, pode esperar uma surpresinha três vezes pior – com poder de revolução – dos três anos. Num esforço de acalanto para alma desolada, fui pesquisar sobre o assunto. Dei um Google desconfiado esperando por um manual concreto de soluções e conexões com a realidade numa tentativa de encontrar alguma mãe que sobreviveu – e sem desfazer da sua desgraça, mas que bom que não sou só eu -, e voltou para contar sobre como os terríveis três afetam a sua sanidade mental, ou não.

Depois de uns três ou quatro cliques encontrei, mais fácil do que eu pensava, várias narrativas simpáticas de experiências aparentemente parecidas com as minhas, e outras um tanto quanto fora dos padrões. Mas que bom! Bastou uivar um pouco mais alto para que tantas outras leoas saíssem da toca.

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Uma certa angústia estaria se abatendo sobre quase todas as espécies dotadas de herdeiros com a idade de três anos ou mais, caracterizando-se assim como mais uma crise no desenvolvimento, mais um salto do crescimento que vai além da ansiedade da separação e além dos terríveis dois, três anos. Uma questão social reduzida à vergonha e à aceitação.

Não é porque a criança não divide o brinquedo, o alimento, o suco, não é porque ela não deixa que outros coleguinhas toquem em nada que é seu – e quando isso acontece uma crise dantesca de ciúmes do adorável monstrengo é visto a quilômetros de distância. É porque vão te olhar e te julgar: nossa, que mãe/pai é esse/a que não educa o filho? Quem tem criança sabe e entende, é uma fase que chega rasgando.

Ela não empresta, não divide nada, o mundo é seu, mas é a primeira a pegar pipoca do coleguinha ao lado na sala do teatro com a cara mais amável possível. Numa série de circunstâncias, verifica-se que as crianças mudam muito mais rápido do que se imagina. É só mais uma fase. Pra elas, também, socialmente e emocionalmente falando. Não perca seu tempo procurando saber quando essa fase terá um fim ou se existe um antídoto para ela, e antes que se descabele, escute a experiência alheia: relaxa, vai passar.