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Papo sério: Encontro Conexões discute os hábitos das famílias online

Conversamos com Alessandra Borelli para saber como agir

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Carolina Piscina

Carolina Piscina ,filha de Ana Maria e Osvaldo

(Foto: Shutterstock)

(Foto: Shutterstock)

Neste mês, a Sociedade Brasileira de Pediatria lançou a cartilha Saúde de Crianças e Adolescentes na Era Digital, com 50 itens para instruir o uso adequado da tecnologia para pais, crianças, adolescentes e pediatras. Muitos especialistas participaram da construção desse manual e uma delas foi Alessandra Borelli, mãe do Lucca e da Bruna, advogada e diretora executiva da Nethics.

Sendo assim, conversamos com a Alessandra para entender melhor a importância desse Manual e de como os hábitos das famílias precisam mudar para que haja um uso mais adequado da internet.

Pais&Filhos: Como aconteceu o convite para a participação como colaboradora da cartilha Saúde de Crianças e Adolescentes na Era Digital?

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Alessandra Borelli: Sou advogada, atuante na área do direito digital, umas das sócias da Nethics. Como venho dedicando minha carreira exclusivamente nesta área, realizando muitas palestras, desenvolvendo materiais de apoio e participando, inclusive, de grupos de trabalho de diversas frentes (direito, saúde, educação e tecnologia), acabamos, eu e minha sócia Juliana Abrusio, recebendo o convite da Dra. Evelyn Eisenstein, conceituada pediatra, hebiatra e coordenadora da Cartilha.

P&F: Como são definidas as recomendações específicas, como faixas etárias e tempo de uso?

Alessandra: Basicamente, antes dos 2 anos de idade, deve-se evitar a exposição às telas, principalmente durante as refeições e antes de dormir. Entre os 2 e 5 anos de idade, é recomendável que a exposição às telas não ultrapasse uma hora por dia, devendo o conteúdo exposto não contemplar quaisquer cenas e práticas violentas. Estabelecer regras claras sobre o uso da internet, incentivar o esporte e participar da vida digital dos filhos, são também algumas das recomendações.

P&F: Qual a importância de seguir o Manual?

Alessandra: Até o momento, o Brasil não dispunha de nenhum posicionamento oficial por parte da Sociedade Brasileira de Pediatria, diferente dos EUA e Canadá. Este material constitui importante subsídio, não somente à pais, educadores, crianças e adolescentes mas, também, a pediatras e hebiatras, que diariamente, recebem em seus consultórios, pacientes com queixas nunca antes vistas por outras gerações desta mesma faixa etária. Manter-se atualizado é, sem dúvida, um dos caminhos para melhor orientar.

P&F: O que você acredita que, ao seguir essas recomendações, pode mudar na forma como pais e filhos se relacionam atualmente?

Alessandra: A depender da forma que os pais incorporarem estas recomendações, o relacionamento entre pais e filhos poderá ser positivamente re(estabelecido) no que se refere ao uso da tecnologia. Não estou dizendo que os pais devem dominar a tecnologia, mas no mínimo, interessar-se por conhecer qual a proposta e funcionalidade daquele aplicativo, daquele game, sua classificação indicativa, quais cuidados é preciso ter com a imagem, com a interação com estranhos, com o compartilhamento de informações sensíveis e etc. Estabelecer uma relação de confiança com os filhos é primordial. É preciso que os façamos compreender que, não se trata de repressão, mas medida de proteção.

P&F: Como o uso seguro das redes sociais influencia a vida das famílias?

Alessandra: Muito comum ouvirmos uma frase “a internet aproxima quem está longe e afasta quem está perto”. Infelizmente, reflete uma grande verdade presente em muitas famílias. As redes sociais são fantásticas, com inúmeras vantagens, no entanto, a imersão desmedida neste universo tem feito pessoas desaprenderem a socializar-se ou ignorarem a necessidade de aprender. Escuto com frequência pais dizerem que a filha ou filho não brinca com mais ninguém, não se interessa por fazer novas amizades, quando viajam para hotéis com atrações e recreação infantil preferem ficar isoladas com seus celulares. Isso não aconteceu do dia pra noite, concorda? Quando estamos conectados, estamos deixando de fazer outra coisa, fato. As crianças estão recebendo celulares cada vez mais cedo e ignorando a classificação indicativa das redes sociais. Somente com o uso seguro e consciente das novas tecnologias, sobretudo das redes sociais, pode influenciar positivamente a relação familiar, profissional e social.

Alessandra Borelli estará no nosso Encontro Conexões, que acontece no dia 19/11, e abordará temas relacionados ao uso da tecnologia por pais e filhos.

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