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O luto pelo bebê que não veio

Viver o luto pela perda do filho é mesmo difícil, mas fundamental

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Se você está passando pela dor da perda de um filho durante a gravidez, procure ajuda de profissionais e amigos. Caso você conheça alguém que vive essa angústia, não tenha vergonha de oferecer apoio a essa família – da maneira mais delicada e menos invasiva possível. “Sentimentos como culpa, ansiedade, angústia, depressão, insônia e saudades do bebê são comuns. Conversar com outras pessoas que também passaram por esse processo ajuda os pais a não se sentirem sozinhos e a elaborar o luto”, aconselha a psicóloga Renata Kraiser.

A vivência do luto é algo doloroso e que, de preferência, precisa ser acompanhada por um psicólogo. “Na nossa sociedade ainda existe uma dificuldade muito grande de validar o sofrimento da mãe que perdeu um filho, que nasceu morto ou foi vítima de aborto. As pessoas não conseguem encontrar um ‘lugar’ para essa dor, já que é como se a criança nunca tivesse existido”, explica a psicóloga. Mas, para a mãe que perdeu o bebê, não importa quanto tempo ou qual tamanho ele tinha, ela vive um luto que precisa ser respeitado. O bebê existiu, sim. E vai sempre fazer parte da história daquela família.

Essa sensação de ter sido roubada de algo a que tinha direito une medo, revolta, raiva, culpa e isolamento. “O ideal é procurar não se isolar, mudar valores ou tomar decisões importantes no período de fragilidade. A mulher precisa retomar a vida pessoal e profissional, aprender com o sofrimento e recuperar o otimismo”, explica Maria Cristina, mãe de Luiz Felipe e César Augusto, psicóloga do Hospital Beneficência Portuguesa. Claro que isso leva tempo. Tenha paciência com você.

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Aquele bebê era único e recebeu uma carga de energia, sonhos e expectativas que precisam ser superados. Vê-lo e pegá-lo pode, ou não, ser considerada uma boa atitude. Isso dependerá de cada mãe, é uma escolha pessoal. “Algumas têm esse desejo, outras não. Para algumas é importante poder se despedir e dizer algumas palavras, outras preferem elaborar isso mais tarde”, relata Maria Cristina. O que, com certeza, pode ajudar no momento da superação é o apoio dos familiares e amigos, além do não julgamento – achar que a dor da pessoa é uma dor menor pelo fato de não ter convivido com o bebê. “Quando Rafael nasceu, o médico disse que não havia nada para ver e disse a meu marido para não entrar na sala de parto. Não consegui pegar meu filho no colo. Não tive forças. Era difícil demais. Mas gostaria de ter conseguido”, conta Larissa.

 

Conselhos

A intenção pode ser ótima, mas nem sempre falar muito ou tentar entender são boas opções para quem está de fora. Mães que perdem bebês vão precisar de tempo – um tempo que não tem prazo. “Costuma-se dizer que a dor de uma mãe não termina e não é substituível. Ela pode vir a ter outro filho e a perda permanence”, explica Valéria Tinoco, mãe de Lis e Pedro, psicóloga do 4 Estações Instituto de Psicologia.

Isso não quer dizer que a mulher irá sofrer para o resto da vida, mas, que ela pode elaborar a perda, retomar sua vida, voltar a sentir felicidade e, ainda assim, sempre haverá dentro dela espaço para o filho perdido. “Vão precisar também de espaço para falar dos sentimentos. Compreensão de que a dor não pode ser medida nem limitada pelo outro. O ideal é que ela não receba ‘dicas’ como ‘logo você vai ter outro filho e isso passa’ ”, aconselha Valéria. Melhor dizer que sente muito e ficar perto. “Minhas amigas vieram até minha casa, fizeram um jantar para mim, se ofereceram para me ajudar com as duas meninas mais velhas, que tinham 4 e 2 anos. Fiquei feliz de tê-las ali”, conta Larissa.

 

Consultoria:

Maria Cristina Oda, psicóloga do Hospital Beneficência Portuguesa, http://www.beneficencia.org.br/

Renata Kraiser, psicóloga, http://www.terapeuta.psc.br/

Valéria Tinoco, psicóloga do 4 Estações Instituto de Psciologia – http://www.4estacoes.com/