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Casa Kosher

Daniele, mãe de Arie, Daphne e Sharon, só come alimentos que seguem os preceitos da religião e, no Shabat, não pode carregar os filhos no colo

Redação Pais&Filhos

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A plaquinha anuncia que naquele apartamento mora uma família que segue a religião judaica. Em hebraico se lê: Família Sancovschi. Os nomes das crianças também têm origem no idioma: o mais velho, é Arie, de 4 anos, que significa “leão”. O nome da filha do meio, Daphne, de 2 anos, vem da folha de louro, associada a vitória. O da caçula, Sharon, faz alusão a um campo fértil em Israel. “Quando perguntam o nome do Arie, é difícil entenderem.

Acabam perguntando: ‘Como é? Ariel?’. A Sharon quase sempre pronunciam “sheron”, mas é ‘sháron’”, explica Daniele. Arie tinha longos cachos, cortados aos 3: “É como uma árvore, da qual se colhem os frutos depois de 3 anos”, explica. A partir dessa idade, os meninos passam a usar quipá e cordinhas chamadas tzitzit, que representam as 613 boas ações, as mitzvot. Quando chegarem à mesma idade, as meninas deixarão de usar calças ou shorts e passarão a usar saias abaixo do joelho.

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FECHAR

O dia a dia com três crianças com diferença de idade tão pequena não é tão fácil. “Para sair com os três hoje, só com ajuda”, conta. Aos sábados, quando a família respeita o dia de descanso, o Shabat, não se pode acender a luz ou andar de carro, nem carregar nada. “Como a Sharon ainda não anda, não posso sair com ela, porque teria de levá-la no colo”. Mesmo com essas pequenas dificuldades, Daniele pensa em  aumentar a família: “Queremos ter mais dois”. Ainda de licença-maternidade, Daniele volta ao trabalho apenas em janeiro e procura se dividir entre os três filhos. Conta com a ajuda da vizinha, que tem filhos de idades parecidas. “A Daphne é moleca: uma vez ela sumiu e a achamos no buraco do micro-ondas da vizinha, que ainda não havia sido instalado.”

Na infância, Daniele estudou em escola judaica não religiosa, mas optou por matricular os filhos em instituições que seguem os preceitos judaicos. “Na escola, eles aprendem as tradições. Também não há risco de algum colega marcar um trabalho num sábado”, conta. Como o berçário judaico que ficava próximo à sua casa fechou, ela tentou deixar Daphne numa escolinha não-judaica, mas não deu certo.

“Como só comemos comida aquecida pelo fogo aceso por um judeu, era complicado. Mesmo para aquecer no micro-ondas, precisava mandar a marmita embalada com duas camadas de proteção. Uma vez, mandei um cachorro-quente com batata-frita e a batata voltou. Minha filha via todo mundo comendo o prato da escola e passava vontade e as outras crianças é que não podiam ver a batata-frita? Fiquei chateada. Mas o pior foi quando mandaram na agenda uma anotação de que ela tinha comido muito bem naquele dia e, quando fui conferir, a marmita ainda estava com o nozinho que eu havia feito. Perdi a confiança”, diz.

Daphne, que tinha ido para o berçário aos 7 meses, passou um tempo em casa, mas, com o nascimento da irmã mais nova, ficou complicado dar atenção às duas. “Quase surtei”, brinca Daniele. A menina foi para um berçário judaico num bairro mais distante.  “Ela passa o dia na escola, faz natação lá, está bem agora. Não tinha criatividade para inventar atividades que a entretessem. Fiquei com pena e coloquei de novo na escola”. A julgar pela calma de Daniele e das crianças, deu certo.

Jogo Rápido

 

Parto: cesárea. Daniele tentou o parto normal nas duas primeiras gestações. “Estava de 42 semanas e fui internada para induzir o parto. Mas, segundo o médico, o procedimento fez a frequência cardíaca do bebê baixar. Esperei dois anos para o corpo se recuperar da cesárea e tentei de novo, com 41 semanas. Meu líquido amniótico tinha secado, e o médico me escorraçou pra maternidade. Já o último parto, foi marcado e acabou sendo mais tranquilo.”

Amamentação: “A cesárea foi traumática, o bebê tremia e me disseram que estava com fome. Não sabia que o leite não descia de cara e aceitei que dessem complemento já no hospital. Durante 6 meses, dei o peito e mamadeira, mas era muito complicado. As duas mais novas mamaram no peito sem precisar de complementação”.

Hora de dormir: “A primeira palavra que o Arie falou foi “Qué saí”. Nisso eu percebo que errei, colocava de castigo no bercinho, e ele não queria dormir lá. Hoje faço de tudo pra que ele durma na própria cama, mas é difícil. A Daphne é só deixar com paninho e chupeta que dorme. A Sharon também é tranquila”.

Comida Kosher: “Compramos alimentos com o símbolo Kosher ou o selo Kosher. Também seguimos as listas da BDK e da LPK (bdk.com.br e lpk.com.br), com produtos alimentícios de supermercado que podemos comer. A lista tem, por exemplo, alguns salgadinhos, pão de forma e alguns picolés. Restaurantes, só os Kosher.”