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Aprendendo com os sustos

Depois de um susto, Carolina aprendeu a prestar mais atenção às reclamações dos filhos. Às vezes é preciso investigar se há algo mais em uma queixa

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

 “Sou mãe de três meninos. Pedro, Lucas e Felipe. Como boa mãe de meninos aprendi a ser mais despreocupada, tranquila, com menos neuroses e frescuras. A gente se molda ao jeito e às necessidades dos filhos e, como menino é superprático, fui ficando prática também.

Felipe é o terceiro, ou seja, praticamente um filho que aprendeu sozinho. Precisou menos de mim que os outros. Lembro, por exemplo, uma vez em que ele estava tomando banho. Quando acabou, me chamou. Eu, supostamente, deveria ir lá, desligar a água e enrolar a toalha nele. Mas, como estava ocupada, gritei de algum lugar da casa: ‘desliga a água e sai do banho’. Imediatamente me dei conta que ele tinha só 2 aninhos e não alcançava a torneira do chuveiro, óbvio! Então, fui lá ajudar. Mas ele já estava dando um jeito: tinha virado a banheira de cabeça para baixo, colocado o banquinho de escovar os dentes em cima e lá estava, tranquilo, fechando a torneira. Habilidades que só o terceiro filho tem.

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Tudo isso pra introduzir o episódio que quero contar. Quando o Felipe tinha 3 anos , começou a acordar durante a madrugada e ir pro meu quarto, reclamando que o antebraço doía. Ele gritava de dor. Chorava e se contorcia na cama. Eu e meu marido nunca sabíamos direito o que fazer, e, na manhã seguinte, ele acordava como se nada tivesse acontecido.

Assim as noites foram passando. Até que um dia, andando de skate em casa, ele caiu e se machucou. Chorou, colocamos gelo e ele foi para a escola. Mais tarde, a escola me ligou dizendo que ele reclamava muito de dor. Foi uma sorte,  porque finalmente levamos o Felipe ao médico para examinar o braço. Cheguei no pronto-socorro, contei o que tinha acontecido, e lembrei de comentar com o médico que ele costumava acordar de madrugada com crises de dores. Mas vale frisar: eu comentei na maior despretensão do mundo! Foi algo do tipo ‘já que’ eu estava ali mesmo… Só que no mesmo minuto a consulta mudou. O médico me pediu o telefone do pediatra do Felipe e saiu. Eu me assustei, comecei a chorar e liguei para todo mundo da família.

Já tinha me ligado que alguma coisa ruim e séria estava acontecendo. O médico voltou dizendo que um oncologista estava vindo nos atender. Não preciso nem dizer o grau de medo em que eu caí diante da possibilidade do meu pequerrucho estar com um tumor no antebraço.

Foi preciso fazer uma punção para examinar o conteúdo dos nódulos. O Felipe foi anestesiado e entrou na sala de cirurgia. Passei sete dias esperando o resultado. Tudo passava na cabeça.

Então, começou o tratamento de ostiomielite, inflamação causada por uma bactéria que, por conta de alguma infecção malcuidada ou malsanada, se aloja em extremidades do corpo e começa a ‘comer’ o osso. Felipe deve ter tido alguma gripe ou otite que não curou 100% e a bactéria ficou ali, esperando. Alojou-se na extremidade do pulso e começou sua comilança. Já estava quase na metade do antebraço. Pânico! A inflamação é dolorida e provoca a formação de um tumor. Felipe ficou com o braço imobilizado por dois meses para proteger o osso corroído. Seguiu um tratamento de um ano, com antibióticos diários.

O susto foi gigantesco, mas ficou para a gente o aprendizado de escutar e olhar os sinais que os filhos nos dão. Não olhar as reclamações e as demandas como “uma besteira que, deixa,  já passa” ou uma manha. E essa mãe que era desencanada passou a ficar encanada com esses sinais. Passou a levar mais no pediatra. E a tratar o caçula considerando melhor a idade dele.