Pais

Ainda um menino

Aos 17 anos, Caio não estava preparado para tanta responsabilidade

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

 

“Eu precisaria de, talvez, dez vezes o espaço que aqui disponho para poder contar o resumo da história de como me tornei pai aos 17 anos. Hoje, estou com 21 e dois filhos. Não, eles não são gêmeos. Um mora no Rio, outro em São Paulo, filhos de mães diferentes. O primogênito tem cinco anos e se chama Caio, como eu. O caçula tem dois e atende por Leonardo. Uma história longa, confusa e até dolorosa no começo, que não cabe nem serve para este espaço.
Quando uma criança surge num momento inesperado, todos se desesperam e começam a procurar o ‘culpado’ pelo que acreditam ser uma catástrofe. Mas logo as crianças mostram como esse julgamento é errado. A adolescência não é o melhor momento para se ter um filho, é claro. É doloroso amadurecer de repente. E eu tive que amadurecer muito rápido. As mães dos meninos, ainda mais. É nesse ponto que o apoio familiar faz toda a diferença. Mas no meu caso, ser pai cedo foi espetacular! Digo isso não pelo amor que sinto por eles, mas pelos efeitos positivos que eles causaram em mim.
Eu, realmente, não tinha comprometimento algum com a vida prática, cotidiana. Não pensava em trabalhar e nem mesmo em estudar. Só me interessava por jogos, livros e mulheres. Não enxergava algo em que eu me sentisse presente. Queria fazer alguma coisa, mas não sabia o quê. E em vez de tentar encontrar as respostas, eu me calava e me recolhia. Repeti de ano três vezes na sétima série da escola, não por dificuldade, mas por falta de interesse. Isso tudo mudou quando eu tive a consciência de que existia alguém que precisava de mim.
Comecei a me posicionar em relação ao mundo. Passei a ler bastante e minha antiga paixão pela literatura transformou-se em engajamento. De repente, estava mais atento e tomei um posicionamento mais ativo em relação à vida.
Estudei, saí do colégio e passei no vestibular de jornalismo, que ainda estou cursando. Costumo dizer que tive muita sorte, pois meus pais me apoiaram e bancaram o aumento dos gastos. Reconheço que ter filho cedo pode significar interromper os estudos para boa parte da população brasileira.
Mas eu não me tornei pai de uma hora para a outra. Foi um processo que aconteceu aos poucos. Fui amadurecendo e aprendendo o que é ser pai. E acredito que nunca saberei ao certo, quero continuar aprendendo. E é o aprendizado mais satisfatório que existe. Meus filhos me conquistaram no sorriso, na risada, no cheiro, nas brincadeiras e até nos desastres! Sim, desastres. Eles são assim: fazedores de desastres! Mas como ficar nervoso? São simplesmente encantadores! E o pior é que eles sabem que têm esse poder sobre nós.
Hoje tenho 21 anos, e posso dizer que aprendi muita coisa nesses cinco anos.
A chegada de uma criança ao mundo nunca deve ser considerada um desastre. É claro que as coisas ficam mais fáceis quando é planejado. Mas não se desesperem caso sejam surpreendidos. É possível lidar com a situação, se os pais tiverem o devido apoio da família. É importante manter a calma, pois quando uma situação como essa acontece, o destempero é generalizado, com avós furiosos e muita gente falando bobagem. Chegaram a dizer que a minha vida teria ‘acabado’. Como se as crianças fossem um fardo. Mas não, meus filhos não acabaram com a minha vida. Pelo contrário, eles me ensinaram a vivê-la.”
Caio Hungria, pai de Caio e Leonardo, é estudante

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