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Vida de mãe

Juliana, mãe de Vitor, está feliz com a sua escolha, mesmo com as críticas que recebe

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

O grande motivo para eu parar de trabalhar fora e se dedicar para casa e família, é meu filho.

Sou pós-graduada, com carreira profissional na área de “processos e auditoria”, porém paralisada para seguir o coração e cuidar do meu bem maior, “filho e família”. 

Não encerrei minha vida, profissão, nada disso, apenas descobri que não conseguiria delegar o meu amor, os meus cuidados, a minha responsabilidade de mãe, para qualquer outra pessoa (mesmo sendo tipo a “Supernanny”), que não fosse eu mesma. Não me via mais acordando 5 horas da manhã, para ficar linda, cheirosa, maravilhosa, para pegar um trânsito caótico do ABC até a região da Berrine, Santo Amaro ou Faria Lima em SP. E deixando para trás o meu coração, a minha vida, um novo ser que foi gerado com tanto amor, assim, longe de mim, dos meus braços, do meu carinho, do meu amor… 

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É uma satisfação tão grande poder fazer as refeições do meu filho e ter a certeza que ele está se alimentando bem. Poder ver meu filho acordar mais tarde, tranquilo e feliz, sem a correria e stress da vida de adulto, é um alívio. São esses pequenos detalhes, que me traz satisfação e alegria. 

Durante o primeiro ano de vida do meu filho, foi tudo tranquilo, daí por diante começam as cobranças e conselhos, do tipo: você é nova, formada, tem uma profissão, precisa trabalhar… Foi nesse período que senti um pouco de culpa e comecei a ser influenciada a trabalhar novamente.

Até cheguei a trabalhar fora, quando meu filho tinha 2 anos e pouco. Fiz um trabalho de consultora de processos por um período de 3 semanas, onde fui trabalhar em um prédio quase de frente ao shopping Morumbi, mas foi o suficiente para ter a certeza que não era mais essa vida de correria e estresse que desejava para mim e meu filho. 

Foi através de blogs e aqui nos depoimentos do “Culpa, Não!”, que descobri outras mães percorrendo a mesma estrada que a minha. Que existem muitas outras mães formadas, que ganhavam bem assim como eu, mas abriram mão da profissão e salário para cuidar de seus filhos.

De certa forma, é um alívio saber que existem tantas outras mulheres com o mesmo pensamento que o meu, que acreditam na “magia e poder das mães” em ficar em casa cuidando de seus filhos.

Curto essa vida de mãe que cuida e tem participação ativa, leva para escola, no esporte, na música, que fica escutando as histórias e acontecimentos dos filhos. 

Senti muita falta da minha mãe durante a minha infância e esse é um dos motivos que influenciou em minhas decisões de ficar em casa e cuidar da família.

Acredito que tudo é muita questão de oportunidade e escolha.

Eu escolhi ficar em casa e também tive a oportunidade, graças a Deus e ao meu marido que me apoia em tudo.

No caso da minha mãe, ela não teve escolha e nem oportunidade, pois sempre precisou trabalhar, inclusive trabalha até hoje. 

Eu consegui superar essa culpa de não trabalhar fora com o apoio do meu marido e por ver tantas outras mães nessa mesma rotina. Tenho escutado muito que eu vou me arrepender futuramente, pois meu filho vai crescer e não vai mais precisar de mim. Como o “valor da mãe”, “da presença da mãe”, é desprezível e menosprezado por muitas pessoas, inclusive por mulheres. 

Não posso me comparar com nenhuma pessoa e também não posso me sentir culpada por parar de trabalhar “fora”, pois foi uma escolha minha compartilhada e apoiada pelo meu marido. Parece que temos que justificar algo, que nada mais é do que nossa responsabilidade. 

Se eu vou me arrepender futuramente? 

Acredito que estou no caminho certo, e deixo o futuro para amanhã, pois é muita ousadia acreditar que sou dona do futuro, do dia de amanhã. Faço a minha parte hoje e sou recompensada todos os dias, com muitos abraços e beijos do meu filho. 

O que eu mais desejo é criar um filho bem amado, bem cuidado e bem educado, para que siga seu futuro feliz e confiante. Quero estar ao lado do meu filho quando aprender a escrever as primeiras palavras, ganhar suas medalhas em competições ou chorar porque perdeu. Quero participar, apoiar, estar ao lado dele nas alegrias, tristezas e na hora dura de ensinar e educar. 

Não pense que tenho uma vida boa, por estar em casa. Não é fácil abrir mão da vaidade, da oportunidade de carreira que estava tendo, de poder se produzir e se arrumar todos os dias e sair para trabalhar (e ter a minha renda mensal). 

Acredito que o mais importante é estar feliz com nossas escolhas. E futuramente, quem sabe, com as oportunidades que a vida proporcionar, eu poderei trabalhar naquilo que estiver adaptado e reservado para mim, dentro desse novo mundo e prioridade de “vida de mãe”.