Notícias

Ser Mãe vai muito além de amamentar.

Para Jackeline Graça, mãe de Davi, ter que deixar de amamentar seu bebê não a tornou menos mãe

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Jackeline Graça  mãe de Davi  participa da campanha Culpa,Não! O tema do mês de Junho é  “Não dou leite comum, dou fórmula”  se você também quiser participar siga a nossa página no Facebook e mande um depoimento sobre o tema do mês para giovanna@revistapaisefilhos.com.br .  

Durante toda a minha gravidez, assim como a maioria, eu fui bombardeada com inúmeras informações, “verdades” e “rótulos”. Algumas coisas eu pesquisava e outras chegavam a mim, como toda grávida as pessoas se sentem íntimas a te contar todo tipo de coisa que envolve maternidade, você querendo escutar ou não.

A partir daí eu desenvolvi meus próprios anseios, minhas próprias metas e minhas próprias “verdades”, esquecendo claramente que na vida real nós aprendemos a maioria das coisas na prática, a teoria serve apenas de orientação, e se fixar na teoria serve apenas para frustração.

Anúncio

FECHAR

Eu havia decidido que o Davi seria amamentado exclusivamente no peito por 4 meses, pois eu voltaria a trabalhar após esse período, e do 4º mês em diante eu planejava dar mamadeira retirando e armazenando o meu leite para manter ele saudável e consumindo leite materno.

 

Mas não foi assim, nos primeiros 3 dias depois que o Davi nasceu eu simplesmente não tive uma gota de leite, e o meu filho se contorcia, chorava e dava até pra escutar seu estômago roncando, e mesmo assim eu com a ideia fixa em não dar leite fórmula, prejudiquei meu filho achando que estava fazendo o melhor pra ele. Mas meu marido não aceitou minha decisão e no 3º dia ele por conta própria comprou leite fórmula para o nosso filho. Eu chorei, me revoltei comigo mesma, me senti a pior pessoa do mundo, me senti menos mãe por que a partir daquele momento eu achava que eu estava sendo substituída como mãe, que qualquer um poderia me substituir, que meu filho não precisava de mim, ele precisava apenas ser alimentado e mantido limpo por qualquer pessoa, me senti inútil para o meu filho. Foi um terror pra mim, eu foquei a ideia de maternidade em uma coisa tão frágil, esqueci-me do que é feito a maternidade, mas o dia a dia foi me mostrando o que era.

Passado esse episódio o meu leite desceu, e o Davi mamava simplesmente a cada 1 hr fosse de dia ou de noite, e eu ainda com os pontos da cesárea me levantava e ia até ele todas as vezes que ele reclamava, eu tive ajuda da minha mãe por 15 dias e a partir daí eu que dava banho, lavava a roupa, arrumava a casa e cuidava de cada detalhe e de cada mínima necessidade do Davi sozinha, pois meu marido trabalhava até tarde da noite.  

 

Apesar de cansativo eu nunca deixei de atender a cada choro, fosse por fome, por estar sujo, por uma crise de cólica ( pois ele tinha crises horrorosas mesmo mamando no peito). Eu estava simplesmente em frangalhos e meu filho estava sempre lindo, limpo, bem alimentado e muito bem cuidado.  Com essa rotina eu fui percebendo a cada dia que foquei mesmo a ideia de “ser mãe” em coisas frágeis, em rótulos dado por mulheres que precisam sentir-se melhores e então criaram rótulos para se promover, eu coloquei a ideia de “ser mãe” sobre pilares fracos, constituídos de preconceito, constituídos de teoria.

 

Quando o meu filho estava com 3 meses meu leite começou a secar, ele mamava tanto que meu peito já não enchia o suficiente e o pediatra pediu para dar leite fórmula. Mas dessa vez eu já estava preparada, eu já havia notado e vivenciado o que era mesmo “ser mãe”, então meu filho começou a tomar leite fórmula sem problemas e ainda toma hoje com 3 anos. Mas eu não sou menos mãe por isso, eu vejo isso a cada sorriso dele, a cada conquista dele que é muito esperto pra sua idade, a escolha do leite não mudou a minha maternidade, pois apesar de eu ter começado a construí-la sobre pilares falsos, eu a reconstruí a tempo de mantê-la firme a cada dia, a tempo de saber que ela é feita do diariamente, é feita de cada escolha.

Ser mãe está além de amamentar, ser mãe está além do parto pelo qual seu filho veio ao mundo. Ser mãe é amar seu filho incondicionalmente, é fazer as suas escolhas pensando sempre no que é melhor e mais importante pra ele, é superar conceitos e preconceitos,  é se dedicar, é passar por cima muitas vezes de si mesma por ele. Ser mãe é amar e cuidar, é mais do que morrer pelo seu filho, é viver cada dia por ele. Ser mãe está acima inclusive de ser biológico, por isso não importa se você amamentou, inclusive não importa se foi você que o pariu, o que importa é como você vai se dedicar a essa nova vida, como você vai lidar com essa nova responsabilidade e realidade, com esse ser que merece ser amado. Por isso ser mãe é somente AMOR e é ele que conduz todas as ações de uma boa mãe.