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Saudade do bem

Tatiana Fernandes, mãe de Felipe, aprendeu a aproveitar melhor a fase mais gostosa do filho: a infância

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

O tema desse “Culpa, Não!” foi, até agora, sem dúvida, a culpa que mais me afetou. Embora o meu filho ficasse integral na escolinha desde os 4 meses, pois voltei a trabalhar, só fui conseguir deixá-lo de fato com os avós para eu e meu marido curtirmos um programa sozinhos, aos 3 anos. 

Eu fui uma mãe bem centralizadora, sequer permitia que as pessoas me ajudassem lavando as mamadeiras ou trocando um fralda, então a simples ideia de deixá-lo para me “divertir” ou “descansar” me apavorava. Então, tanto fazia se tínhamos um casamento ou se íamos até a esquina, eu só me dispunha a ir se o Lipe nos acompanhasse. 

Os amigos sumiram, os parentes por muitas vezes se irritaram e eu fiquei com um cansaço absurdo, pois Lipe nunca foi muito bom de dormir. 

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Quando ele tinha 2 anos e meio, fomos em um casamento à tarde, que já não era possível levá-lo. Não tinha outras crianças e muito menos brinquedos e resolvi deixá-lo com meus sogros, mas não consegui ficar 3 horas no evento! Voltamos e logo liguei para levarem meu filho de volta.

A ansiedade, porém, foi só minha. Meu filho voltou chorando porque queria ficar mais… Eu?? Ignorei, queria ele ali comigo e ponto. 

Após uns meses, a intimação: meu marido tinha um encontro de formados da turma da faculdade e disse “ou vamos, ou eu vou”, foi a melhor coisa que aconteceu. Fiquei tensa um mês antes, meu filho estava a 15 dias de completar 3 anos. 

No dia da festa, cheia de medo, falei com o pequeno e imediatamente ele abriu um sorriso e disse “posso ir dormir na casa da tia  com o vovô e a vovó?”. Não acreditei no que escutei, meu olhos encherem de lágrimas, isso acontece ainda rsss. E eu, sem saber o que fazer, disse sim.

Meu sogro não se cabia de felicidade, o grande o dia deles tinha chegado e eu, com um medo absurdo, me arrumei e fui. A cada 30 minutos, pedia que meu marido enviasse uma mensagem perguntando como estava, mas ficou tudo bem com ele. Porque eu, mais uma vez, tensa, não aproveitei muito.

No outro dia, o vi “inteiro”, feliz e me contando como tinha gostado, não demorou a pedir para ir novamente e logo tive que deixar. 

Depois de 6 meses, ele viajou com a minha mãe para passar 10 dias só com ela, foi difícil também — para mim, lógico — porque ele sequer me ligou. Dizia “Não, vovó, tô de férias!”.

Agora não tenho mais tanta culpa, ele tem 4 anos, viaja com os avós nas férias e fica com meus sogros quando temos uma festa de “gente grande”. Hoje me sinto até um pouco egoísta com o amor misturado ao medo que eu tinha, e feliz por ter vencido essa culpa a tempo de todos aproveitarmos essa fase tão gostosa! E o melhor, descobri que essa saudade é do bem e nos aproxima mais, sempre mais.