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O racismo acontece todos os dias

Ednilce, mãe de Lucas, expulso de uma loja nos Jardins, em São Paulo, por ser negro, conta em entrevista à Pais&Filhos que não foi a primeira vez

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

“Até pouco tempo ele adorava sua cor, agora já sabe que algumas pessoas não gostam”. Um jeito horrível de acabar com a inocência de uma criança e mostrá-la que o racismo existe, ainda, por incrível que pareça! Quem disse a frase acima, em entrevista à Pais&Filhos, foi a assistente social Ednilce Duran, referindo-se ao filho Lucas, de 8 anos, que foi expulso da frente de uma loja na Rua Oscar Freire, em São Paulo, depois que a funcionária achou que ele estava ali vendendo coisas. “O meu filho e eu fomos expulsos da frente desta loja enquanto eu fazia uma ligação porque, em certos lugares em São Paulo, a pele do seu filho não pode ter a cor errada”, escreveu o pai, o americano Jonathan Duran, no último sábado no Facebook.

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Depois da enorme repercussão, a marca Animale, de onde o menino foi expulso, se manifestou, escrevendo: “somos uma empresa que repudia qualquer atitude de discriminação e preconceito”. A resposta não agradou o pai da criança, que respondeu: “Estou fazendo tudo isso para promover a mudança social para meu filho e todas as crianças terem um futuro melhor. Ainda não vejo vocês contribuindo para isso.”

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Outros episódios

Segundo a mãe, Ednilce, não é a primeira vez que isso acontece com a família. “Há alguns meses, num shopping, o meu marido olhava uma vitrine, enquanto eu entrei numa agência bancária. O Lucas estava com um joguinho na mão e sentou no chão, no corredor, para jogar. Ele estava no meu campo de visão e no do Jonathan… O segurança se aproximou e o mandou sair. Ele correu até o Jonathan e o segurança foi embora”. Ednilce se pergunta se aconteceria a mesma coisa com uma criança branca ou se, nesse caso, em vez de expulsar o menino, o segurança teria ficado preocupado em vê-lo sozinho. “Tudo é muito sutil e velado”, desabafa a mãe.

No episódio mais recente, Lucas ficou assustado com a abordagem, mas não entendeu o motivo. Ednilce pretende prepará-lo para esse tipo de situação. Como? “Espero estar atenta e aproveitar situações cotidianas”. Quando Lucas percebeu que algumas pessoas não gostam de sua cor de pele, ela tentou explicar que gosto é algo pessoal. “Quando isso virar hostilidade, a conversa vai ser outra. Crescer dói, ele vai passar por essa dor, estaremos do lado dele”, diz a mãe. O racismo está aí, infelizmente, e é triste mostrar essa realidade às crianças. “Lucas é muito lindo e até quando as pessoas elogiam, às vezes vem com um toque racista, como se uma criança negra bonita fosse algo exótico e fora do padrão”.

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Mais comum do que a gente imagina

Como disse Jonathan em seu Facebook, esses casos ganham repercussão quando acontecem com famílias de classe média-alta ou quando pelo menos um dos pais é estrangeiro, que é seu caso. E as outras histórias que acontecem todos os dias?

O pai fez questão de difundir a história para que as pessoas fiquem mais conscientes – se cada um fizer a sua parte, talvez a gente consiga promover mudanças. Se você já passou por uma situação como essa, conte aqui nos comentários! Queremos saber e divulgar!

“Não importa quantas vezes você lê sobre esses casos de racismo, nada te prepara para o choque quando acontece com seu filho”, Jonathan Duran.