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“O ideal está no livro, o melhor, na sua casa”

No 14º Brunch do “Culpa, não” o lema era “Dou fórmula, sim. E sou eu quem decide!”

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Por motivos diversos, as convidadas do 14º Brunch do “Culpa, não” sofreram ao tentar dar exclusivamente o leite materno. “Meu pai também é pediatra e ele costuma dizer, ‘o ideal está no livro, o melhor, na sua casa’. Acho que isso define bem o tom do nosso papo de hoje”, tranquilizou o médico pediatra convidado para o encontro e consultor da Pais & Filhos, Claudio Len, pai de Fernando, Beatriz e Silvia. E ele resumiu perfeitamente. O mundo cor de rosa, ideal, encontrado no discurso de defensores “xiitas”, livros e na cobrança alheia em relação à amamentação já incomodou, e até magoou, muita gente. Hoje, já sem culpa, essas mães afirmam: “Dei fórmula, sim.”

No papo descontraído, descobrimos que umas não produziram leite, outras se machucaram muito e não conseguiram continuar, e há as que tiveram problemas na aceitação da criança em relação ao peito. Em alguns relatos, a fórmula serve (ou serviu) como suplemento ao leite materno, em outras vezes, era a única fonte de nutrientes dos bebês. Qualquer que seja o caso, a fórmula trouxe a paz para mães, pais e filhos. “A culpa acabou depois que eu vi que a minha filha estava se desenvolvendo normalmente”, disse Graziela Piccoli, mãe de Beatriz.

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Fórmula: não é mágica, mas até parece

Uma das principais preocupações das mães é que o filho passe fome e que a fórmula não seja substancial. Claudio Len enfatizou que, hoje em dia, elas são perfeitas para a nutrição da criança, uma vez que possuem vitaminas, ferro e a mesma quantidade de calorias que o leite materno. “As fórmulas modernas são completas, e o fato de você dar a mamadeira garante a aproximação física e emocional de mãe e filho. Se compararmos crianças com 1 ano de idade que amamentaram no peito e crianças que não amamentaram, por motivos de falta de leite da mãe, não iremos observar diferenças no desenvolvimento físico ou neuropsicológico”, explicou.

Vai um conselho aí?

Para as mães convidadas, a cobrança de parentes, amigos ou mesmo de pessoas desconhecidas em relação à amamentação foi um dos maiores problemas. Elas contam que os “palpites, conselhos e perguntas” as faziam se sentir mal e provocavam a tal culpa materna. Algumas chegaram a sentir vergonha de dar a mamadeira em público! “Quando me perguntavam se eu dava de mamar, eu simplesmente dizia ‘sim, ela mama’, evitava falar sobre a fórmula”, desabafou Maira Ribeiro, mãe de Manuela.

E nem só de discurso bonito vive uma mãe, a gente sabe. Em torno da amamentação, giram questões sérias como o desenvolvimento da criança, o vínculo bebê-mãe e outros benefícios. “Chegaram a me falar que, se eu não amamentasse, eu não conseguiria emagrecer. Olha só! Falar isso para uma mãe em um período tão delicado… E até parece que eu estava pensando nisso naquele momento!”, contou Fernanda Silva, mãe de Carol.

E a neurose é antiga. O médico lembrou que há alguns anos o “kit grávida” vinha com uma balança. “Era uma coisa de louco! Ficar pesando a criança a toda hora… É importante que a criança ganhe peso, se desenvolva, mas há fatores de bem-estar que são importantíssimos. Não só do bebê, mas da mãe também”, lembrou.

Quem não chora, não mama

“Criança chora em primeiro lugar por fome, em segundo lugar por fome e em terceiro lugar por fome”, afirmou o pediatra.

Caio é filho de Ingrid Bastos e chorou por um mês inteiro depois que nasceu. “Eu achava que fosse cólica, mas era fome! Então, o pediatra aconselhou a fórmula para suplementar. Senti que fracassei e chorei por 4 dias, aí mesmo que meu leite secou. Um dia, meu marido levantou à noite, amamentou nosso filho e eu percebi que aquilo poderia ser bom”.

E foi o que todas descobriram, ao fim das contas: pode ser a solução. A fórmula não é algo monstruoso, está aí para ajudar. Aos radicais, fica o lembrete, cada criança é única. Ninguém questiona a importância do aleitamento materno, mas a gente sabe: tem hora que não dá! É possível dar fórmula, ter um bebê saudável e ser feliz, sem culpa, sim!