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Mais de 11% dos nascimentos no Brasil são prematuros

País está em décimo lugar do ranking mundial de prematuridade

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

 

Uma pesquisa realizada por mais de dez universidades em parceria com a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e com o Ministério da Saúde, revelou que 11,7% dos nascimentos no Brasil são prematuros, acontecem antes de 37 semanas de gestação. Estes dados colocam o Brasil no décimo lugar do ranking mundial de prematuridade, atrás de países como Índia, China, Nigéria e Estados Unidos. 

De acordo com os 10 objetivos do milênio, estabelecidos pela ONU (Organização das Nações Unidas) para melhorar a saúde mundial, um dos tópicos é referente à gestante, levando em conta a mortalidade materna e infantil. E hoje, no Brasil, as principais causas da mortalidade infantil estão ligadas a problemas neonatais. A prematuridade é a maior responsável, representando 70%, excluindo os casos de malformação fetal.

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A maior parcela dos casos de prematuridade hoje são espontâneos, ou seja, ocorrem por trabalho de parto prematuro ou se a bolsa romper antes do tempo (75%). “Estes casos não estão ligadas apenas a problemas da saúde materna, mas ao acompanhamento médico durante o pré-natal”, diz Eduardo Borges da Fonseca, filho de Ivo e Valéria, Presidente da Comissão Especializada em Perinatologia da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia). Os outros 25% dos casos ocorrem por prematuridade eletiva, com agendamento do parto cesárea, ocasionados por complicações na saúde materna ou imprecisão no cálculo da idade gestacional.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o índice de prematuridade é alto. A incidência é de 12%, mas são casos de prematuridade tardia (entre 34 e 36 semanas) decorrentes da intervenção médica com a cesariana por causa de problemas da saúde materna, como hipertensão. Além disso, estão ligados às gestações de múltiplos ocasionadas pela quantidade alta de fertilização in vitro. “Apesar de ter um custo extremamente elevado, as consequências para o bebê não são tão graves a ponto de levar à morte”, explica Fonseca.

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Complicações

Quanto mais precoce for o nascimento, maiores os risco à saúde do bebê. “A sobrevida de um bebê de 25 semanas no Brasil está em torno de 10%, enquanto quem nasce a partir de 36 semanas sobrevive em 98% dos casos”, afirmou Fonseca.

As complicações que ocorrem a curto prazo podem ser representadas por infecções, dificuldade de respiração e hemorragia intracraniana (algumas lesões podem ocorrer durante o trabalho de parto e as sequelas são as mesmas de um derrame cerebral). Outro problema que pode ocorrer é uma inflamação no intestino.

Na maioria dos casos, é possível prevenir a prematuridade pelo pré-natal. “O acompanhamento médico vai identificar fatores de risco e orientar tratamentos específicos, além das complementações básicas para evitar malformação, por exemplo”, explicou Fonseca.

Três causas

As mulheres que já sofreram partos prematuros estão mais propensas a ter novamente. Segundo a Febrasgo, 30% dos históricos de prematuridade estão relacionados a casos anteriores.

A gestação de múltiplos também é um fator. Por falta de espaço, os bebês nascem antes do tempo ideal para a formação. Mas com acompanhamento também é possível prolongar a gestação.

É importante fazer uma avaliação do tamanho do colo do útero, que inferior a 25 milímetros pode ser também uma das causas. Mas existe tratamento terapêutico para evitar o nascimento prematuro.

Níveis de prematuridade

A prematuridade é reconhecida quando o nascimento acontece antes de 37 semanas de gestação. Ela pode ser classificada como leve, moderada e grave.

Leve: nascimento entre 32 e 36 semanas e seis dias.

Moderada: entre 28 e 31 semanas e seis dias.

Grave: Inferior a 28 semanas.

A prematuridade leve é a mais comum. Cerca de 2% dos bebês nascem abaixo de 34 semanas e apenas 1% abaixo de 32.

Outra forma de classificar o parto pré-termo é pela origem: espontânea ou eletiva (iatrogênica). A espontânea representa 75% dos casos de prematuridade no Brasil, e pode ser considerada quando a mulher entra em trabalho de parto antes do tempo, ou se a bolsa estourar. A eletiva ocorre por indicação médica devido à complicações maternas, como a pressão muito alta, ou se o bebê estiver correndo risco. Representa 25% dos casos. Por causa do parto agendado, a cesárea está inclusa nesse quadro como um dos motivos da prematuridade no Brasil.

 

Consultoria:

Eduardo Borges da Fonseca, ginecologista e obstetra,  Presidente da Comissão Especializada em Perinatologia da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), filho de Ivo e Valéria.