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Hoje é o Dia do Saci

Conheça curiosidades sobre o personagem mais travesso do folclore brasileiro

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Sabe quando você não encontra de jeito nenhum um objeto que tinha certeza que estava em cima da mesa? É bem provável que isso tenha sido obra do Saci! Hoje, dia 31 de outubro, é o dia dele,  o personagem mais travesso do folclore brasileiro. O conhecido negrinho de uma perna só, com gorro vermelho e cachimbo, surgiu provavelmente entre os povos indígenas durante o período colonial e aos poucos foi adquirindo características também da cultura africana.

A lenda diz que ele se descoloca dentro de redemoinhos de vento e, para capturá-lo, é preciso jogar uma peneira sobre ele, tirar o gorro vermelho da cabeça – o que faz ele perder seus poderes – e colocá-lo dentro de uma garrafa. Somente assim ele irá obedecer e parar de fazer travessuras.

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O que nem todo mundo sabe é que o Saci não é só um menino arteiro. Na verdade, ele é um protetor da natureza. Quem quer entrar na mata, deve pedir autorização para ele. Caso contrário, será uma vítima de suas peripécias.

A crença do personagem ainda é muito forte no interior do Brasil, onde os mais velhos contam suas experiências para os mais novos através da cultura oral. A cidade de Botucatu, em São Paulo, por exemplo, é conhecida com o capital nacional do Saci. Também no interior paulista, a cidade de São Luiz do Paraitinga celebra anualmente a Festa do Saci, um contraponto à comemoração do Halloween (Dia das Bruxas), que é de origem estrangeira.

Nos grandes centros urbanos, o personagem folclórico ficou conhecido através da literatura, da televisão e das histórias em quadrinhos. Quem primeiro retratou o personagem foi o escritor Monteiro Lobato nas histórias do Sítio do Pica-Pau Amarelo, que também virou seriado de televisão. O saci também aparece nas histórias do escritor Ziraldo e do personagem Chico Bento, de Maurício de Souza.

Livros do Saci

Curiosidades sobre o Saci

– O Saci nasce dentro do taquaruçu, o bambu gigante.

– O número sete é o número do Saci. Ele demora sete anos para nascer e, quando morre, aos 77 anos, se transforma em sete cogumelos venenosos.

– Quando a crina do cavalo está trançada do lado esquerdo, é obra do Saci. É na trança que ele apoia o seu único pé, do lado esquerdo, para galopar pelas fazendas.

– A mão esquerda do Saci tem um furo no meio que serve para brincar com brasa. Ele joga a brasa para cima, ela passa através do furo da mão esquerda e ele a pega com a mão direita, que não é furada, e a joga para cima novamente. O movimento forma um círculo que, na escuridão da noite, parece um vagalume. Mas só parece, porque, na verdade, é o Saci que está brincando.

– Existem três tipos diferentes de Saci: o Pererê, o Trique e o Saçurá. Todos trabalham juntos para defender a natureza:

Saci Parerê Tem 57 cm de altura e é o único que sai da mata para ir até a cidade descobrir se há homens fazendo algum tipo novo de armadilha para os bichos.

Ele não gosta de aparecer porque gosta de se divertir com as pessoas discutindo se ele existe ou não. Para provocar, costuma pegar objetos e esconder. Se todo mundo acreditar que ele não existe, ele pode aprontar mais.

Sabe quando você tem certeza que deixou uma chave, por exemplo, em cima da mesa e, de repente, ela não está mais lá? É obra do Pererê. Mas não se preoupe, ele costuma devolver os objetos. Existe até uma simpatia para fazer ele devolver logo.

Saci Trique Tem 37 cm de altura e vive escondido no bambuzal, só de olho na movimentação da mata. Quando uma pessoa entra na mata, o Trique a segue para observar o que ela está fazendo. Então, quando você estiver andando por aí e ouvir um “trique, trique, trique” atrás, não se engane. Isso não é barulho de graveto quebrando, na verdade é o Saci que está te seguindo.

Saci Saçurá Com 77 cm de altura, também mora no bambuzal. Ele tem os olhos vermelhos para espantar os caçadores. Quando um cachorro feroz do caçador entra na mata, o Saçurá arranha a orelha do cachorro e ele sai chorando. Se o caçador insiste na caçada, o Pererê dá um assovio de longe para distrair o caçador enquanto o Trique e o Saçurá pegam terra de formigueiro para entopir o cano da espingarda. E quando o caçador vai utilizar a arma, ela explode e racha o cano, chamuscando a cara do caçador.

 


Simpatia contra travessuras de Saci

Para recuperar um objeto que foi escondido pelo Saci, você tem que pegar um barbante (na roça se usa palha de milho) e dar três nós. A cada nó dado, você deve falar “tô te amarrando, Saci, devolve a chave (exemplo) para mim”. No terceiro nó, o objeto sumido vai aparecer. E se não der certo, o objeto vai aparecer em sete minutos. Se ainda assim você não der sorte, só depois de 77 minutos. Afinal, o sete é o número do Saci. Se demorar, não fique bravo, pois o Saci não tem a obrigação de te devolver o objeto na hora que você quer!

E atenção, quando você conseguir encontrar o objeto perdido, você deve desatar os nós. Se os nós não forem desatados, são sete anos de azar! Então, a dica é não dar nós muito fortes.

Foto: ilustração eVision.