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“Eu me cobro muito”

Juliane, mãe de Gregório, escuta muitas críticas sobre a maneira pela qual resolveu criar o filho

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

Estou escrevendo meu depoimento porque o tema se encaixa perfeitamente em minha situação atual de vida.  Sou advogada e a decisão de sair de licença-maternidade e não voltar a trabalhar foi uma coisa cogitada, mas não exatamente programada. Na época em que engravidei, trabalhava e residia em Vitória-ES, sou natural de Paraguaçu Paulista, interior de São Paulo e, atualmente, desde que meu filho nasceu, resido em São Paulo capital.

Trabalhei até o sétimo mês de gestação, teria até trabalhado mais, mas meu marido teve que retornar com urgência a SP capital por questões de trabalho, de forma que tive que deixar meu trabalho, fazer uma mudança, encontrar um novo obstetra, enfim. Tudo isso um pouco mais de um mês antes do programado para meu filho nascer. Desta forma, se haviam dúvidas quanto a parar de trabalhar e ficar em casa por um tempo para cuidar do meu filho, as circunstâncias da vida acabaram por decidir por mim, pois não havia sentido procurar um novo emprego com um bebezinho recém nascido em casa.

Passaram-se quase 3 anos. Continuo em casa, tenho apenas uma diarista que semanalmente me dá uma força, meu filho ainda não freqüenta a escola, começará a frequentar no ano que vem. Tenho poucos parentes aqui, basicamente minha mãe, todavia ela também é advogada, trabalha muito e tem pouco tempo de me ajudar, de forma que me dedico sozinha e exclusivamente aos cuidados domésticos e a criar meu filho.

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Não existe arrependimento da minha parte, porém, culpa sim. Mesmo tendo dedicado esses últimos anos de minha vida a cuidar do meu filho, sempre acho que poderia ter feito melhor, penso que talvez a rotina doméstica e a falta de tempo de cuidar um pouco de mim, tire um pouco a qualidade do tempo que passamos juntos. Nem sempre me sobra a paciência que meu filho merece, por isso eu e meu marido, que trabalha muito, nos esforçamos ao máximo para participar da criação de nosso filho. Decidimos que chegou a hora de dividir essa responsabilidade com a escola. Inicialmente, será apenas meio período, o que me dará a oportunidade de voltar a pensar em mim e em como conciliar a maternidade com minha profissão.

Eu me cobro muito. Era assim antes da maternidade, imagine agora rs! Mas também sinto muita cobrança externa, as pessoas insistem em dizer coisas como: “nossa, ele ainda não está na escolinha?”. Mesmo havendo vários estudos que dizem que crianças que ficam no seio familiar nos primeiros anos de vida não ficam em nada atrás de crianças que frequentam escolinhas desde sempre, pelo contrário, na maioria das vezes se destacam dessas crianças. Ou ainda escuto coisas como: “você não voltou a trabalhar ainda? Deve ser ótimo ficar só em casa, né?”. Como se cuidar da casa e cuidar de um bebê, vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, não fosse trabalho suficiente! Mas, enfim, fiz escolhas e não me arrependo delas, faço tudo com amor e espero apenas que meu filho se torne um bom homem e seja feliz.